segunda-feira, 30 de abril de 2012

Enquanto isso na sala de aula...


Trollando a Atendente da Oi!



PLIM, PLIM, PLIM...
- Alô.
- Alô, poderia falar com o responsável pela linha?
- Pois não, pode ser comigo mesmo.
- Quem fala, por favor?
- Edson.
- Sr. Edson, aqui é da OI, estamos ligando para oferecer a promoção OI linha adicional, onde o Sr. tem direito...
- Desculpe interromper, mas quem está falando?
- Aqui é Rosicleide Judite, da OI, e estamos ligando...
- Rosicleide, me desculpe, mas para nossa segurança, gostaria de conferir alguns dados antes de continuar a conversa, pode ser?
- Bem, pode..
- De que telefone você fala? Meu bina não identificou.
- 10331.
- Você trabalha em que área, na OI?
- Telemarketing Pro Ativo.
- Você tem número de matrícula na OI?
- Senhor, desculpe, mas não creio que essa informação seja necessária.
- Então terei que desligar, pois não posso ter segurança que falo com uma funcionária da OI. São normas de nossa casa.
- Mas posso garantir....
- Além do mais, sempre sou obrigado a fornecer meus dados a uma legião de atendentes sempre que tento falar com a OI.
- Ok.... Minha matrícula é 34591212.
- Só um momento enquanto verifico.
(Dois minutos depois)
- Só mais um momento.
(Cinco minutos depois)
- Senhor?
- Só mais um momento, por favor, nossos sistemas estão lentos hoje.
- Mas senhor...
- Pronto, Rosicleide, obrigado por ter aguardado. Qual o assunto?
- Aqui é da OI, estamos ligando para oferecer a promoção, onde o Sr. tem direito a uma linha adicional. O senhor está interessado, Sr. Edson?
- Rosicleide, vou ter que transferir você para a minha esposa, porque é ela que decide sobre alteração e aquisição de planos de telefones.
- Por favor, não desligue, pois essa ligação é muito importante para mim.
(coloco o telefone em frente ao aparelho de som, deixo a música Festa no Apê do Latino tocando no Repeat - Quem disse que um dia essa droga não iria servir para alguma coisa? - , depois de tocar a porcaria toda da música, minha mulher atende:
- Obrigado por ter aguardado.... pode me dizer seu telefone pois meu bina não identificou..
- 10331.
- Com quem estou falando, por favor.
- Rosicleide
- Rosicleide de que?
- Rosicleide Judite (já demonstrando certa irritação na voz).
- Qual sua identificação na empresa?
- 34591212 (mais irritada agora!).
- Obrigada pelas suas informações, em que posso ajudá-la?
- Aqui é da OI, estamos ligando para oferecer a promoção, onde a Sra tem direito a uma linha adicional. A senhora está interessada?
- Vou abrir um chamado e em alguns dias entraremos em contato para dar um parecer, pode anotar o protocolo por favor.....alô, alô!
TUTUTUTUTU...
- Desligou... Nossa, que moça impaciente!


(Autoria desconhecida)

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PARA QUEM NÃO SABE...



TROLLAR é uma gíria da internet que significa zoar, chatear, tirar o sarro. Consiste em sacanear os participantes de uma discussão em fóruns da internet, com argumentos sem sentido, apenas para enfurecer e perturbar a conversa.
Atualmente, o ato de trollar alguém não acontece só no ambiente virtual. Também pode acontecer entre amigos, colegas ou familiares, quando é preparada alguma brincadeira com esse objetivo. As brincadeiras (ou armadilhas) para trollar alguém são variadas e algumas muito sofisticadas.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Ninguém aguenta mais tanta corrupção



O Rio Grande do Norte vive mais um escândalo de corrupção, desta vez no Tribunal de Justiça do Estado (TJ). A ex-chefe do setor de precatórios, Carla Ubarana, admitiu a existência de um esquema que desviou, até onde se sabe, R$ 11 milhões e que envolvia os desembargadores Osvaldo Cruz e Rafael Godeiro. A própria Carla Ubarana entregava o dinheiro em envelopes aos presidentes do TJ, até mesmo na garagem do Tribunal.

Tudo começou quando o então presidente do TJ, Osvaldo Cruz, teria mandado dividir uma sobra de dinheiro, que ele chamou de “dinheiro sem dono”. Gente, como assim, sem dono? São muitos os donos desse dinheiro desviado: os trabalhadores, as crianças sem escolas, as pessoas nas filas do SUS, o povo pobre do estado. Quantos hospitais e escolas poderiam ser construídos com esses R$ 11 milhões?
Esse mesmo tribunal ainda foi capaz de decidir que os trabalhadores da educação, os servidores e os operários, que recebem apenas R$ 800 para construir o estádio Arena das Dunas, não poderiam fazer greve. O TJ alegou que as paralisações eram ilegais. Ilegal é a corrupção. Ilegal é não ter merenda nas escolas e leitos nos hospitais. Ilegal é ter trabalhadores (as) com salários baixíssimos. Aliás, não é só ilegal. É também imoral.

Os trabalhadores não fazem greve para ter a mordomia destes desembargadores. Fazem, na verdade, para sobreviver. Desde quando passou a ser ilegal lutar por uma vida digna? Eu dou todo o meu apoio a estas greves, porque são justas e necessárias. Este tribunal corrupto não tem moral para julgar a greve de nenhuma categoria como um crime. Os criminosos são outros e estão de terno e toga.

Mesmo sabendo que nem todos os desembargadores são corruptos, não posso deixar de dizer que a corrupção está entranhada neste Estado. O caso do Tribunal de Justiça se soma a diversos outros escândalos de corrupção ocorridos por aqui. Todos marcados pela impunidade, a exemplo das Operações Impacto, Hígia e Sinal fechado. Estas duas últimas, inclusive, chegaram a desviar cerca de R$ 36 milhões cada uma.

A corrupção é uma praga espalhada por todas as instituições da sociedade capitalista. Das Câmaras de Vereadores ao Congresso Nacional; do Governo à Justiça. É preciso que todos os corruptos sejam presos imediatamente, tenham seus bens confiscados, e que devolvam o dinheiro aos seus verdadeiros donos.



Amanda Gurgel, professora da rede básica de ensino de Natal

Dica do Dia


Convite


Outra greve?



Em assembleia realizada agora há pouco, na sede da ADUERN (Associação dos Docentes da UERN), em Mossoró, os professores aprovaram indicativo de greve para o dia 02 de Maio. 

Em entrevista ao jornal O Mossoroense, o presidente da ADUERN, Flaubert Torquato, afirmou: “Não temos mais proposta para apresentar, queremos apenas que o acordo feito no ano passado seja cumprido”. De acordo com o presidente, representantes da categoria irão a Natal amanhã com o intuito de se reunirem com o secretário-chefe do Gabinete Civil Anselmo de Carvalho para cobrar explicações sobre a razão de o reajuste não ter sido efetivado nos contracheques dos professores. 

A última greve da UERN ocorreu no ano passado e durou 106 dias. Foi a maior greve da história da instituição. A paralisação prejudicou amplamente o calendário universitário e atividades acadêmicas da única Universidade Estadual do Rio Grande do Norte. Em setembro do ano passado, o Governo do Estado garantiu aos professores reajuste salarial com 10,65% para abril de 2012; 7,43% para abril de 2013; e 7,43% para abril de 2014. Como o acordo não foi cumprido, um novo movimento paredista poderá ser deflagrado na UERN no início do próximo mês. 

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Para se dar bem no Enem


Frase do Dia

Imagem extraída do Em Português Por Sônia Silvino

(Desconheço o autor)

Ler é mais que preciso, é indispensável!

Texto de José Stédile*



Questionado se tem o hábito da leitura, o escritor Ariano Suassuna disse que não. “Eu tenho a paixão da leitura. O livro sempre foi para mim uma fonte de encantamento”, disse ele. Já o estudioso Antonio Cândido defende o Direito à Literatura como direito humano, pois se algo é indispensável para nós, deve ser também indispensável para o próximo. Moacyr Scliar escreveu que a casa da leitura tem muitas portas, e a porta do prazer é das mais largas e acolhedoras. 

Neste mês, comemora-se o Dia Nacional do Livro Infantil, em 18 de abril, dia do nascimento de Monteiro Lobato, e o Dia Mundial do Livro, em 23 de abril, falecimento de Cervantes e de Shakespeare. Estas datas nos cobram uma reflexão sobre a leitura no país. 

A pesquisa Retrato da Leitura no Brasil, divulgada em março, revelou que o brasileiro está lendo menos. De acordo com o levantamento, o número de brasileiros considerados leitores – aqueles que haviam lido ao menos uma obra nos três meses que antecederam a pesquisa – caiu de 95,6 milhões (55% da população estimada), em 2007, para 88,2 milhões (50%), em 2011. 

Além das justificativas das novas tecnologias, falta de estímulo e alto custo, a indiferença dos brasileiros pelos livros tem raízes mais profundas. Séculos de escravidão levaram os líderes do país a negligenciar a educação. A escola primária só se tornou universal na década de 90. As bibliotecas e as livrarias ainda não conseguiram emplacar. Cerca de 75% da população brasileira jamais pisou numa biblioteca. 

Outro fato importante é que só 26% dos brasileiros entre 15 e 64 anos encontram-se no nível pleno de alfabetização, ou seja, têm hoje condição de ler e compreender integralmente um texto longo. Não é possível pensar que exista um país, com o crescimento do nosso, que possui uma taxa de 70% de analfabetos funcionais. 

Portanto, acredito que, no ano em que declaramos o educador Paulo Freire patrono da educação brasileira, temos o dever de lutar para que homens e mulheres enxerguem o mundo com outros olhos, sem limitações. Por isso, propus a criação da Frente Parlamentar em Defesa da Biblioteca Pública na Câmara dos Deputados. 

O objetivo é destacar o papel estratégico da Biblioteca Pública na formação intelectual do cidadão. Além disso, promover debates sobre políticas de criação, modernização e capacitação técnica dos profissionais, para garantir acesso amplo e irrestrito da sociedade à leitura. 


*DEPUTADO FEDERAL (PSB-RS) E PRESIDENTE DA FRENTE PARLAMENTAR EM DEFESA DA BIBLIOTECA PÚBLICA


Texto publicado no jornal Zero Hora em 23/04/2012 e extraído do  Em Português, por favor.

Só a leitura salva


Vacinação contra a gripe


Resposta que não quer calar...


Pergunta que não quer calar...


Sem reajuste, UERN pode entrar em greve

Em audiência com o reitor Milton Marques realizada na noite de segunda-feira (23), a diretoria da ADUERN foi informada que nos contracheques dos professores da UERN do mês de abril não consta o reajuste de 10,65% acordado com o Governo do Estado em setembro do ano passado. O acordo pôs fim à greve de 106 dias na Universidade e previa o pagamento de 10,65% para abril de 2012; 7,43% para abril de 2013; e 7,43% para abril de 2014.

O Reitor ainda informou que nesta quarta-feira, 25, irá se reunir com o secretário chefe do Gabinete Civil do Estado, Anselmo Carvalho, e com o Consultor Geral do Estado, José Marcelo Costa, para obter informações sobre a tramitação do Projeto de Lei que altera os salários dos professores da UERN, que se encontra na Consultoria Geral do Estado desde janeiro de 2012, quando o mesmo já deveria ter sido enviado e aprovado pela Assembleia Legislativa.

Tendo em vista o descumprimento do acordo, a ADUERN irá realizar Assembleia Geral Extraordinária com os professores para que a categoria se posicione com base nessas informações. A assembleia será realizada nesta quinta-feira, 26, às 9h na sede da entidade em Mossoró para único ponto de pauta: 1) Discussão e Deliberação sobre o Reajuste Salarial. Segundo o professor Flaubert Torquato, presidente da ADUERN, os professores encontram-se indignados com a insensatez do Governo do Estado. “É uma demonstração de descaso, desrespeito e falta de compromisso”, afirma o docente.



Fonte: DEMOCRATIZANDO A COMUNICAÇÃO

terça-feira, 24 de abril de 2012

Frase do Dia


Twittada do Dia

"Há algo de muito errado em um Estado em que uma Lei de Responsabilidade não permite pagar bem a professores."

LABATUT

Monstro Labatut

Dias atrás escrevi e foi tornado público o artigo intitulado: Monumento para Apodi, ressaltando que a sua história é rica em dados que sobressaem da área municipal, porém é esquecida por falta de monumentos que simbolizem tais passagens na referida cidade. 

Retratei como ponto principal a histórica morte do Padre Felipe Bourel e da primeira tela pintada no Rio Grande do Norte, que foi no Apodi em 1709, como bem registrou o escritor Olavo Medeiros em seu livro “Notas para a História do RN”. Tais fatos documentados são merecedores de se erguer monumento para a posteridade. Ainda, por reportar sobre a lenda de Labatut na Chapada de Apodi mencionada no livro “1822”, de Laurentino Gomes, fato que me fez receber via e-mail, do escritor mossoroense David Leite queixando-se do autor daquele livro, por sinal um dos mais vendidos em 2011, não ter citado quem primeiro registrou a lenda folclórica de Labatut (pronúncia no francês [labaty]), pois David Leite em conversa recente com o renomado escritor Manoel Onofre falou que iria remeter missiva ao jornalista Laurentino Gomes pedindo justiça por ter esquecido o escritor apodiense – José Martins de Vasconcelos, radicado em Mossoró desde cedo, pioneiro do registro da fábula Labatut. Ainda enaltecendo, David Leite nos relembra, ao dizer ser Martins de Vasconcelos, também, o primeiro potiguar a publicar livro de contos. Salve nossa cultura! 

Assim, aqui quero fazer justiça ao autodidata, escritor, poeta, contista, jornalista, folclorista, professor e compositor - Martins de Vasconcelos, descrevendo breve relato da origem e lenda Labatut, pegando ‘carona’ em sua obra: Obras Completas, de 1918 e do livro e autor já mencionado acima – 1822. De acordo com o autor do livro supracitado, a lenda de Labatut é proveniente dos acontecimentos da Independência do Brasil, na qual, participara de forma significativa para a concretude de tornar nosso país em império e livre da metrópole, o general francês Pierre Labatut, que organizou exército, comandante na batalha dos Periquitos, recrutou agricultores, pobres, escravos, crioulos, plantadores de açúcar, fumo e mandioca. Comandou a guerra de Independência da Bahia, independência do Ceará e revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul. Morreu em 1849 aos 73 anos, em Salvador. “O nome Labatut porém perpetuou de forma curiosa no folclore do sertão nordestino”. Esse personagem militar da história da independência nos chega entremeados de estória enriquecendo lenda dos habitantes da Chapada do Apodi. É notável o registro valioso dessa fábula mítica, como algo que nos remetem tal qual o popular conto do lobisomem, que tantas crianças peraltas e impertinentes da minha geração ouviram através dos adultos para deixá-las calminhas e receosas do que poderia lhe acontecer por maus comportamentos, isso foi muito forte no tempo em que muitas cidadelas do interior não tinham ainda nos postes das ruas, de noites ermas, a energia de Paulo Afonso. José Martins de Vasconcelos, no início do século XX, nesse modo, descreve o que sua genitora, quando ainda criança, lhe repassava, ao contar: 

Era noite e a cidade dormia pacificamente em seu habitual conchego sertanejo. 

– Cala êsse assobio menino... gritava minha mãe... 

Era a hora em que todos de casa descansavam da labuta e dormiam placidamente. 

– Cala êsse assobio menino! Não ouves?!... 

– O que? Indaguei curioso e insistente, procurando descobrir naquilo alguma pieguice para zombar... 

– Então não ouves o tropel de Labatut? Escuta... êle vem na ventania que já se aproxima rugindo! O vento geme longe... êle vem... ao sair da lua entrará na cidade e como um cão danado devorará tudo que encontrar: homens, mulheres e meninos!... Ai do que cair às suas mãos, porque jamais verá os seus queridos entes - irá dormir eternamente nas suas entranhas insaciáveis, cheias de fogo! 


Na descrição do Labatut que “vagava” nas noites do imaginário dos apodienses, ainda decifra Martins de Vasconcelos, era: “um bicho pior que o lobisomem, pior que a burrinha e pior que a caipora e mais terrível que o cão-roxo!... Os pés são redondos, as mãos compridas, os cabelos longos e assanhados, corpo cabeludo, como o porco espinho, só tem um olho na testa como os ciclopes da fábula e os dentes são como as presas do elefante! Êle gosta mais dos meninos”... 

Taí um registro histórico de uma estória da nossa antropologia cultural! A lenda Labatut merece ser eternizado através de monumento que poderia ser construído, um pórtico esplêndido, no cume da ladeira da Chapada de Apodi, no entroncamento da BR 405 com a estrada do Lajedo Soledade, para que não fique só nos livros de José Martins de Vasconcelos e Laurentino Gomes, já que neste país se ler e se compra livro muitíssimo pouco. Seria um marco respaldado pela ciência social, para que as gerações dos shopings, da internet e dos celulares visualizem, leiam e sintam através de monumento, com uma arquitetura que simbolize e descreva o que a cultura marcou nas gerações de outrora e, como também, o quanto tem de importante o passado, cheio das tradições folclóricas que hoje aos poucos vão sendo esquecidas tais quais os nossos velhos escritores. 


Natal, 13 de abril de 2012.

Nuremberg Ferreira de Sousa

Charge: Professor da Rede Pública



segunda-feira, 23 de abril de 2012

Feliz Dia Mundial do Livro!


Durante o ano a gente tem um monte de dias dedicados ao livro: Dia do Livro Infantil, Dia Nacional do Livro, Dia da Leitura, etc. Hoje (23), por exemplo, é o Dia Internacional do Livro. Dia do livro é tipo dia do amigo, tem várias vezes por ano. E assim como amigos, livros são coisas essenciais na vida de uma pessoa (ou, pelo menos, na minha).


Pesquisando na web, acabei por descobrir que o Dia mundial do Livro teve sua origem na Catalunha, Espanha. A primeira comemoração aconteceu em 7 de outubro de 1926, data na qual Miguel de Cervantes comemorava aniversário. Cervantes é autor do clássico Dom Quixote! 

Mas... aí vem a pergunta que não quer calar. Se o dia do livro era comemorado 7 de outubro, por que hoje estamos comemorando essa data no dia 23 de abril?

Calma. Há uma explicação para isso. É que posteriormente resolveram transferir a data para o aniversário de morte de Miguel de Cervantes, não aniversário de nascimento. Desse modo, a data que era comemorada no dia 07 de outubro foi transferida para o dia 23 de abril a partir do ano de 1930, relembrando a morte de Cervantes que acontecera em 1616!

Vale contudo ressaltar que somente a partir de 1996, a UNESCO instituiu oficialmente a data como Dia Mundial do Livro, por ser, além disso, data de aniversário e morte de William Shakespeare e alguns outros escritores mundialmente famosos. Atualmente, o Dia Mundial do Livro é muito mais marcado pelo aniversário de Shakespeare do que por Cervantes.


Quem me conhece sabe que o livro é elemento essencial na minha vida, contudo para muitas pessoas o livro é algo supérfluo e pouquíssimo valorizado em nosso país. A última pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil" mostrou que o Brasil, infelizmente, ainda é um país de poucos leitores, o que é lamentável.

O caminho para  mudar essa realidade passa pela educação, claro, mas cada um em casa, na rua, no trabalho, pode contribuir para isso, incentivando outras pessoas a lerem e mostrando como o livro é importante para cada um de nós. Como leitores, cabe-nos ajudarmos a transformar o Brasil em um país de leitores!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

O Descobrimento do Brasil: a outra história






O Monte Pascoal na verdade é o Pico Cabugi, o Brasil foi descoberto em Touros e não em Porto Seguro e o marco de Touros na verdade foi chantado no dia 30 de abril de 1500, durante a segunda missa na Terra de Vera Cruz. A tese de que o Brasil nasceu aqui, no Rio Grande do Norte, defendida pelo pesquisador Lenine Pinto, 70 anos, demonstra uma série de dados a serem contestados na história oficial.

Quando estava pesquisando para seu livro Natal USA, lançado em 1965, descobriu um dado interessante, o comandante americano da força tarefa no Recife, na década de 40, Jonas Inghram, deixou escrito que escolheu Recife como base em função da proximidade com o Cabo de São Roque, que é o ponto mais estratégico no Atlântico Sul. Com relação a Salvador ele diz que teria uma melhor base, mas a distância de 400 milhas a mais fazia uma grande diferença.

"Como é que estas 400 milhas não iam fazer diferença para naviozinhos a vela, cheios de gente e dependendo de vento?", indaga Lenine.

A partir de várias pistas levantadas numa pesquisa de quatro anos, já na década de 90, ele escreveu "Reinvenção do Descobrimento" publicado em 1998. Com a proximidade da data comemorativa dos 500 anos, o pesquisador foi muito procurado pela imprensa nacional. Sua tese vem ganhando adeptos pelo País. Hoje, ele já não se emociona quando descobre mais um dado que esclarece sua tese.

A última informação deste tipo foi a da caravela Boa Esperança que saiu de Portugal e está se dirigindo ao Brasil, refazendo o caminho de Cabral nas comemorações dos 500 anos. A embarcação teve de ligar os motores na travessia do Equador por falta de vento.

Segundo Lenine, Cabral também teve este problema. O navio estava praticamente parado. O tempo estimado da travessia de Cabo Verde ao porto seguro onde ancorou Cabral são 30 dias Ele deve ter ficado um ou dois dias no mar parado em função do desaparecimento da nau de Vasco de Ataíde. "Na realidade ele fez a travessia em 28 ou 29 dias como é que ele poderia ter ido até o sul da Bahia", adianta.

No ano seguinte, em 1501 João da Nova, fez a travessia do Atlântico e levou 30 dias do Cabo Verde ao Cabo de São Roque, o que Lenine entende como mais um respaldo para o tempo da viagem feita por Cabral. "D. Manuel numa carta enviada ao Rei da Espanha explica que ele mandou João da Nova para procurar Cabral e eles já sabiam da rota. João da Nova não foi para o sul da Bahia e sim para as imediações do Cabo de São Roque", explica o pesquisador.

Lenine defende que os portugueses já haviam passado pela terra de Vera Cruz. Uma das provas é que a carta do rei D. Afonso V datada de 1470, proíbe os comerciantes portugueses que negociavam na Guiné de explorar o pau-brasil. "Porque o pau -brasil? Não tinha o pau brasil lá", questiona o pesquisador.

AGUADA — Em 1498 havia peste na ilha de Cabo Verde, o arquipélago estava seco e já se presenciava a seca provocadora do esgotamento de suas reservas hídricas. Este era o local para reabastecimento de água das embarcações. Vasco da Gama, lembra Lenine, passou por lá e também fez estas observações, depois de Cristovão Colombo. Nas instruções a Cabral diziam que se ele tivesse água para mais quatro meses não era preciso parar em Cabo Verde.

A aguada - que era o sistema de abastecimento das naus, incluindo caça, a reposição de lenha dos navios e o descanso para os portugueses - aconteceu em Vera Cruz e não em Cabo Verde. "O ponto fundamental da carta de Caminha são as notícias das águas. Ele diz que as águas são muitas, encontraram lagoa de água doce e fala muito nos rios", menciona Lenine.

O pesquisador afirma que a água era tão importante que a naveta de mantimentos foi mandada de volta para Portugal com as notícias sobre este verdadeiro tesouro para a navegação portuguesa: a água. As coincidências históricas apontam mais uma questão que leva o descobrimento ao Rio Grande do Norte. O mapa de Cantino, em 1502, mostra que a ponta litoral do Estado era chamada de São Jorge, exatamente o santo do dia 22 de abril. Era praxe entre os navegantes batizar os achados como o nome do santo do dia.

MARCO DE TOUROS — Era normal chantar um marco no ponto onde chegavam e ao alcançarem o mar chantavam o segundo marco. "O Brasil tinha dois padrões (marcos), um em Touros e outro em Cananéia, em São Paulo", ressalta Lenine. Em documentos há relatos de que Cabral percorreu duas mil milhas na costa brasileira. "Duas mil milhas é exatamente a distância entre a ponta do calcanhar (RN) e Cananéia", afirma.

Ele lembra que o marco de Touros foi chantado por Cabral, na segunda missa no Brasil, no dia 30 de abril, junto a cruz onde foi celebrado o rito católico e tomada a posse oficialmente da terra. Só o marco não foi suficiente para calçar a cruz e outras pedras semelhantes a ele foram colocadas junto. As pessoas imaginavam que todas as pedras eram marcos e chamaram uma das praias de Touros, de praia dos Marcos.

Verbete 1 - Chantar, conforme o dicionário Aurélio, é fincar no chão, plantar de estaca. Significa também estabelecer-se, fixar-se.

Verbete 2 - A dispensa da tomada de água na ilha de Cabo Verde também contrariava a prática dos grandes navegadores como Bartolomeu Dias.


Fonte: Trasncrito do Jornal Tribuna do Norte, 30/04/2009.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Paulo Freire é declarado o patrono da educação brasileira

Foi publicada no "Diário Oficial da União" desta segunda-feira (16) a lei que declara o educador Paulo Freire patrono da educação brasileira. A lei foi assinada pela presidente Dilma Roussefff.

Nascido no Recife, Freire ganhou 41 títulos de Doutor Honoris Causa de universidades como Harvard, Cambridge e Oxford. Foi preso em 1964, exilou-se depois no Chile e percorreu diversos países, sempre levando seu modelo de alfabetização, antes de retornar ao Brasil em 1979, após a publicação da Lei da Anistia.

(Fonte: G1)

E ainda há quem diga que no Nordeste só tem ignorante. Pode um negócio desses?

Quer casar? Plante árvores!



Distribuir mudas de plantas por aí nunca foi garantia de que elas fossem plantadas. Entretanto, colocar um motivo maior por trás dessa ideia talvez dê certo. Os muçulmanos da Indonésia criaram uma inovadora lei ambiental: para obter autorização para casar, é necessário plantar duas mudas de árvore!

Quando um casal vai registrar a relação, recebe duas mudas. A licença de casamento só é emitida se essas duas mudas de plantas nativas são efetivamente plantadas. Por enquanto, só está sendo realizada em uma região da Indonésia na qual os muçulmanos predominam, mas por que não espalhá-la pelo mundo?

A medida faz a diferença, ainda mais em um país que está entre os maiores contribuintes para o aquecimento global, de acordo com o BNDES. A importância do plantio de árvores para o futuro do planeta é enorme e incorporá-lo a um momento tão feliz na vida de duas pessoas é super válido. Até porque, normalmente, o casamento é algo de futuro, assim como as mudas plantadas.

E você, acha ruim “obrigarem” o plantio ou concorda com a ação? 



Fonte: SuperInteressante

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Corrupção: crime contra a sociedade

Leonardo Boff*

Segundo a Transparência Internacional, o Brasil comparece como um dos países mais corruptos do mundo. Sobre 91 analisados, ocupa o 69% lugar. Aqui ela é histórica, foi naturalizada, vale dizer, considerada com um dado natural, é atacada só posteriormente quando já ocorreu e tiver atingido muitos milhões de reais e goza de ampla impunidade. Os dados são estarrecedores: segundo aFiesp (Federação das Indústrias de São Paulo) anualmente ela representa 84.5 bilhões de reais. Se esse montante fosse aplicado na saúde subiriam em 89% o número de leitos nos hospitais; se na educação, poder-se-iam abrir 16 milhões de novas vagas nas escolas; se na construção civil, poder-se-iam construir 1,5 milhões de casas.

Só estes dados denunciam a gravidade do crime contra a sociedade que a corrupção representa. Se vivessem na China muitos corruptos acabariam na forca por crime contra a economia popular. Todos os dias, mais e mais fatos são denunciados como agora com o contraventor Carlinhos Cachoeira que para garantir seus negócios infiltrou-se corrompendo gente do mundo político, policial e até governamental. Mas não adianta rir nem chorar. Importa compreender este perverso processo criminoso.

Comecemos com a palavra corrupção. Ela tem origem na teologia. Antes de se falar em pecado original, expressão que não consta na Bíblia mas foi criada por Santo Agostinho no ano 416 numa troca de cartas com São Jerônimo, a tradição cristã dizia que o ser humano vive numa situação de corrupção. Santo Agostinho explica a etimologia: corrupção é ter um coração (cor) rompido (ruptus) e pervertido. Cita o Gênesis: “a tendência do coração é desviante desde a mais tenra idade”(8,21). O filósofo Kant fazia a mesma constatação ao dizer:“somos um lenho torto do qual não se podem tirar tábuas retas”. Em outras palavras: há uma força em nós que nos incita ao desvio que é a corrupção. Ela não é fatal. Pode ser controlada e superada, senão segue sua tendência.

Como se explica a corrupção no Brasil? Identifico três razões básicas entre outras: a histórica, a política e a cultural.

A histórica: somos herdeiros de uma perversa herança colonial e escravocrata que marcou nossos hábitos. A colonização e a escravatura são instituições objetivamente violentas e injustas. Então as pessoas para sobreviverem e guardarem a mínima liberdade eram levadas a corromper. Quer dizer: subornar, conseguir favores mediante trocas, peculato (favorecimento ilícito com dinheiro público) ou nepotismo. Essa prática deu origem ao jeitinho brasileiro, uma forma de navegação dentro de uma sociedade desigual e injusta e à lei de Gerson que é tirar vantagem pessoal de tudo.

A política: a base da corrupção política reside no patrimonialismo, na indigente democracia e no capitalismo sem regras. No patrimonialismo não se distingue a esfera pública da privada. As elites trataram a coisa pública como se fosse sua e organizaram o Estado com estruturas e leis que servissem a seus interesses sem pensar no bem comum. Há um neo patrimonialismo na atual política que dá vantagens (concessões, médios de comunicação) a apaniguados políticos.

Devemos dizer que o capitalismo aqui e no mundo é em sua lógica, corrupto, embora aceito socialmente. Ele simplesmente impõe a dominação do capital sobre o trabalho, criando riqueza com a exploração do trabalhador e com a devastação da natureza. Gera desigualdades sociais que, eticamente, são injustiças, o que origina permanentes conflitos de classe. Por isso, o capitalismo é por natureza antidemocrático, pois a democracia supõe uma igualdade básica dos cidadãos e direitos garantidos, aqui violados pela cultura capitalista. Se tomarmos tais valores como critérios, devemos dizer que nossa democracia é anêmica, beirando a farsa. Querendo ser representativa, na verdade, representa os interesses das elites dominantes e não os gerais da nação. Isso significa que não temos um Estado de direito consolidado e muito menos um Estado de bem-estar social. Esta situação configura uma corrupção já estruturada e faz com que ações corruptas campeiem livre e impunemente.


Cultura: A cultura dita regras socialmente reconhecidas. Roberto Pompeu de Toledo escreveu em 1994 na Revista Veja: “Hoje sabemos que a corrupção faz parte de nosso sistema de poder tanto quanto o arroz e o feijão de nossas refeições”. Os corruptos são vistos como espertos e não como criminosos que de fato são. Via de regra podemos dizer: quanto mais desigual e injusto é um Estado e ainda por cima centralizado e burocratizado como o nosso, mais se cria um caldo cultural que permite e tolera a corrupção.


Especialmente nos portadores de poder se manifesta a tendência à corrupção. Bem dizia o católico Lord Acton (1843-1902): ”o poder tem a tendência a se corromper e o absoluto poder corrompe absolutamente”. E acrescentava: "meu dogma é a geral maldade dos homens portadores de autoridade; são os que mais se corrompem”.


Por que isso? Hobbes no seu Leviatã (1651) nos acena para uma resposta plausível: “assinalo, como tendência geral de todos os homens, um perpétuo e irrequieto desejo de poder e de mais poder que cessa apenas com a morte; a razão disso reside no fato de que não se pode garantir o poder senão buscando ainda mais poder”. Lamentavelmente foi o que ocorreu com o PT. Levantou a bandeira da ética e das transformações sociais. Mas ao invés de se apoiar no poder da sociedade civil e dos movimentos e criar uma nova hegemonia, preferiu o caminho curto das alianças e dos acordos com o corrupto poder dominante. Garantiu a governabilidade a preço de mercantilizar as relações políticas e abandonar a bandeira da ética. Um sonho de gerações foi frustrado. Oxalá possa ainda ser resgatado.

Como combater a corrupção? Pela transparência total, pelo aumento dos auditores confiáveis que atacam antecipadamente a corrupção. Como nos informa o World Economic Forum, a Dinamarca e a Holanda possuem 100 auditores por 100.000 habitantes; o Brasil apenas, 12.800 quando precisaríamos pelo menos de 160.000. E lutar para umademocracia menos desigual e injusta que a persistir assim será sempre corrupta e corruptora.


* Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escritor

domingo, 15 de abril de 2012

Como nascem os paradigmas

Trago hoje, aqui, um vídeo no qual podemos observar como um paradigma é formado e como os seres,  animal ou o homem,  o seguem cegamente. Apesar de, neste vídeo, os personagens serem macacos, sabemos que a humanidade, na sua maioria, faz a mesma coisa, segue modelos de vidas, mesmo sem saber o porquê e o para quê.


Pessoas que leem são mais legais



Pesquisadores da Universidade de Washington e Lee (EUA) constataram esse efeito com um teste bem simples: colocaram voluntários para ler uma história bem curtinha, fizeram algumas perguntas para identificar o quanto cada um tinha curtido o que leu e aí derrubaram, sem querer querendo, um monte de canetas no chão. O estudo conta que, quanto mais“transportadas” para dentro da história as pessoas tinham sido, maiores eram as chances de levantarem o bumbum da cadeira para ajudar a recolher as canetas.

A explicação é que quando lemos algo que realmente mexe com a gente, criamos empatia pelos personagens da história — e quanto maior essa empatia, mais propenso a gente fica a ser bacana com os outros na vida real. E você aí, anda lendo muito?

Crédito da foto: flickr.com/ciro

Frase do Dia



Há exatamente 560 anos nascia um dos maiores gênios que a humanidade já conheceu: Leonardo da Vinci! Aproveite para se deixar inspirar por este grande cientista, inventor, pintor, engenheiro, escultor...

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Frase do Dia


'Busquei no estudo uma vida melhor', diz 1ª travesti doutoranda do país

Natural do interior do Ceará, professora vai defender tese em julho.


Mesmo na infância em Morada Nova, a 163 km de Fortaleza, a discriminação não foi barreira para a cearense Luma Nogueira de Andrade, que nasceu com o nome de João. Filha de agricultores analfabetos, ela resolveu abrir caminhos e enfrentar a pobreza e o preconceito com o conhecimento. Aos 35 anos, Luma será em julho a primeira travesti a apresentar uma tese de doutorado no Brasil. “Canalizei toda a energia para os estudos e, assim, fui conquistando respeito de todos. Busquei no estudo uma alternativa de vida melhor”, diz.

A doutoranda em Educação pela Universidade Federal do Ceará (UFC) estuda a realidade de travestis nas escolas. Nas páginas da tese, ao relatar casos de estudantes que vivem situações de aceitação ou total repressão, Luma faz um paralelo com a própria história.
saiba mais


A cearense conta que, nas primeiras séries escolares em Morada Nova, chegou a ser agredida por outros alunos por “ser diferente e sempre preferir brincar com as meninas”. “Uma vez, quando cheguei na sala de aula chorando, ouvi da professora: 'Bem feito. Quem mandou você ser assim?' ”, recorda. O menino João não se sentia bem para ir ao banheiro masculino e não podia frequentar o feminino. “Sentia dores abdominais porque preferia não ir ao banheiro. Muitas vezes, saia correndo para casa quando terminava a aula para urinar”, conta.


Superação
Em vez de desistir de assumir quem era ou se rebelar, Luma repetia para si mesma: “Eu vou superar isso”. E, assim, foi vencendo o preconceito dos alunos e professores, sendo sempre o destaque da turma. “A estratégia era eu ser a melhor aluna. Eu fazia um acordo, eu ajudava, dava aulas particulares e eles me aceitavam”, diz. Aos 18 anos, quando passou no vestibular na primeira tentativa para o curso de Ciências da Universidade Estadual do Ceará (Ceará), no campus de Limoeiro do Norte, os olhares de reprovação por se vestir com roupas femininas e estar maquiada não diminuíram. “Eu me enganei. Na faculdade, eu sofri tanto quanto na educação básica”.


De cabelos compridos, mas ainda assinando como João, Luma voltou para a sala de aula. Dessa vez, como professora de Ciências da Natureza. “No primeiro dia, os diretores da escola ficaram atrás da porta para observar como eu dava aula”, lembra. Ao contrário do que pensavam, a professora era uma das mais queridas e reconhecidas pelo ensino. “Por entender as dificuldades de ser diferente, eu me identificava muito e me aproximava dos alunos. Muitos deles, de alguma forma, se viam diferentes”, conta.


Em 1998, Luma Andrade passou para concurso de professor efetivo da rede municipal de Morada Nova e também começou a ensinar em escolas estaduais e particulares. Quando passou no Mestrado em Desenvolvimento do Meio Ambiente em Mossoró, no Rio Grande do Norte, apesar de ser vista por colegas de trabalho com “mau exemplo”, não abriu mão de continuar a ensinar e pediu transferência para uma escola de Aracati, município mais próximo de onde estudava.


Com o título de mestre, em 2003, ela prestou concurso para a rede estadual de ensino de Aracati e, de quatro vagas, foi a primeira e única aprovada. Na hora de ser lotada, os diretores disseram que não havia vagas e Luma teve de pedir a intervenção da Secretaria de Educação do Estado (Seduc) para assumir o cargo. Em Aracati, Luma passou a dar palestras e aulas de cursinho pré-vestibular e desenvolveu, em 2005, o projeto “Intimamente Mulher” que incentivava alunas e professoras a fazer exames de prevenção. A iniciativa ganhou o primeiro lugar no Estado e Luma recebeu o prêmio no Ministério da Educação.


Mesmo com reconhecimentos e títulos, a educadora continuava encontrando discriminação. Ao colocar próteses de silicone nos seios, a travesti conta que foi enviada uma denúncia à Secretaria de Educação. “Eles diziam que estava mostrando os seios para os alunos, mas provei que não era verdade. Ia até com uma bata para não chamar atenção”. Em 2007, passou em uma seleção e mudou-se para Russas para ser supervisora de 26 escolas estaduais em 13 municípios do Ceará. No cargo, a travesti pode acompanhar e ajudar mais de perto as histórias de outras “Lumas” agredidas na escola ou em casa. “Eu via nelas eu mesma. Toda a dificuldade que passei”.


Mudança de nome
Aos 33 anos, Luma ainda tinha nos documentos o nome de João Filho Nogueira de Andrade. No dia da mulher de 2010, ganhou o presente de ser a primeira travesti a ter o direito de mudar os documentos sem a operação de mudança de sexo no Ceará. As histórias de vitórias e de superações que já chamaram atenção de cineasta e políticos não vão parar. Luma não se cansa de seguir e abrir os caminhos em defesa da diversidade humana. “Quero combater todo o preconceito. Cada passo que eu dou, cada degrau que eu subo, sei que estou contribuindo para mudar pessoas e não posso deixar de buscar novos espaços. A própria travesti pensa que não existe outro caminho sem ser a prostituição”, afirma.


Fonte: G1

Mossoró recebe espetáculo Com Madre neste sábado



O grupo de atores e bailarinos Verdade Gestual apresentará seu espetáculo Com Madre, no próximo sábado (14), às 20h, em Mossoró, na Praça do Portal do Saber, na Baixinha (Abolição I). O espetáculo do grupo natalense cumpre uma temporada de apresentações por algumas cidades, e Mossoró foi contemplada com este projeto, que acontece graças ao Programa BNB de Cultura 2011, que tem patrocínio do BNDES/Banco do Nordeste e Governo Federal.

Com Madre é um espetáculo baseado no conto “Comadre Morte”, de Adolfo Coelho, e que é dirigido por Giovanna Bezerra. A diretora também compõe o elenco, que ainda conta com atores com experiência em outros grupos na capital, como Ênio Cavalcante, Rodrigo Bico, Anádria Rassyne e Silvia Rodrigues. 

O tema do espetáculo surgiu do desejo de entender e compreender melhor a morte e as implicações que nela estão contidas. “Mesmo sendo algo natural e intrínseco de nossa existência, ainda é temido e afastado por muitos. Buscamos como inspiração o conto Comadre Morte, que traz o tema de forma natural e divertida também”, explica a diretora de Com Madre, Giovanna Araújo.

Perguntada sobre os maiores desafios com este trabalho, Giovanna afirma que foi lidar com o próprio preconceito e medo da morte. “Durante o processo tivemos experiências que nem pensaríamos vivenciar, e aprendemos muito também. Penso que hoje olhamos de forma diferente para esse tema. Não há mensagens, nem moral. Há sim o desejo de maior compreensão sobre essa nossa natureza, comenta a diretora.

A DIREÇÃO 
Giovanna Araújo iniciou no balé clássico, migrou para a dança contemporânea e depois para o teatro. Trabalhou com Edson Claro, Diana Fontes, Roosevelt Pimenta, dentre outros. “Tenho tido muitas experiências enriquecedoras. Fiz espetáculos de dança, musical, teatro, e tenho procurado me alimentar com oficinas, leituras, experiências e trocas artísticas. Tenho aprendido a observar mais do que ’falar’, acho que aprendemos mais assim”, finaliza Giovanna.

REFERÊNCIAS 
Além do fato de apresentar seu espetáculo em um espaço utilizado pelo grupo O Pessoal do Tarará, onde passaram grupos artísticos de muita qualidade, quem quiser saber mais informações sobre o trabalho, pode acessar o link no youtube, e conferir algumas cenas deste trabalho: http://www.youtube.com/watch?v=diPBAtlQ2P0.

SERVIÇO:
Espetáculo Com Madre
Direção: Giovanna Araújo
Elenco: Anádria Rassyne, Enio Cavalcante, Giovanna Araújo, Rodrigo Bico e Silvia Rodrigues
Local: Praça do Portal do Saber (Baixinha – Abolição I)
Data: sábado (14 de abril)
Horário: 20h
Entrada Gratuita
Patrocínio: Programa BNB de Cultura 2011 (BNDES, Banco do Nordeste e Governo Federal

Contato: Giovanna Araújo - 9990-8558 ou 9431-7217

terça-feira, 10 de abril de 2012

Frase do Dia



* Desconheço a autoria. Caso alguém saiba, favor me informar para que eu possa dar os devidos créditos ao autor.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Atenção: Últimas vagas para o PARFOR

Informamos que continuam abertas as inscrições, até 08.04.12 (últimos dias) para o PARFOR PRESENCIAL (Formação Inicial) – cursos de graduação para professores (efetivos e também temporários) da rede pública de ensino (municipais, estaduais e federais), no Campus Avançado “Prof.ª Maria Elisa de Albuquerque Maia” - CAMEAM/UERN e no Instituto Federal do Rio Grande do Norte – IFRN.

Os cursos ofertados são:

A) UERN – Pau dos Ferros:

Licenciatura (4 anos): 1) Ciências Sociais, 2) Filosofia, 3) Música e 4) Pedagogia;

2ª Licenciatura (2 anos): 1) Geografia e 2) Letras/Espanhol.


B) IFRN – Pau dos Ferros: 

2ª Licenciatura (2 anos): 1) Ciências da Natureza e Matemática


Informamos, ainda, que não há mais necessidade, para se efetivar a PRÉ-INSCRIÇÃO, de que os professores sejam cadastrados no EDUCACENSO, como foi informado anteriormente. A CAPES não faz mais essa exigência.

Agradecemos imensamente pela atenção e por seu apoio a essa divulgação, tão importante para Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica.


Atenciosamente,

Prof. Gilton Sampaio de Souza
Diretor do CAMEAM/UERN.







* Para mais informações sobre o PARFOR, clique aqui!

terça-feira, 3 de abril de 2012

MEC oferece bolsas de mestrado para professores de matemática



Professores de matemática que lecionam em escolas públicas poderão se inscrever em maio deste ano no único mestrado profissional semipresencial recomendado pelo Ministério da Educação, por meio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O edital do exame de ingresso para a turma de 2013 tem previsão de 1.575 vagas.
Os professores precisarão fazer uma prova e os selecionados receberão uma bolsa da Capes no valor de R$ 1,2 mil. Atualmente 2,5 mil professores da rede pública estão no Programa de Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (Profmat), que é coordenado pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM). Participam do programa 59 instituições de ensino superior nas cinco regiões, num total de 74 polos presenciais.
O mestrado tem duração de dois anos e a tese final obrigatória é uma monografia sobre experiência de matemática do ensino básico que tenha impacto na prática didática em sala de aula. “É um mestrado para fortalecer o ensino da matemática na educação básica. Não dá para termos no Brasil alunos analfabetos em números”, diz Hilário Alencar, presidente da SBM. Em fevereiro de 2013, concluirão o mestrado cerca de mil professores inscritos em 2011, na primeira chamada do programa.
Em contrapartida ao investimento do governo federal, os professores bolsistas devem atuar na escola pública nos cinco anos seguintes após a conclusão do mestrado. A prioridade do Profmat é para professores de escolas públicas, mas 20% das vagas poderão ser preenchidas por docentes da rede privada.
Hoje a Capes tem 380 mestrados profissionais no País, com 13 mil alunos matriculados. No entanto, na modalidade semipresencial, o Profmat é o único. O diretor de educação a distância da Capes, João Carlos Teatini, acredita que a expansão dessa modalidade será acelerada. Programas de mestrado profissional semipresencial, em outras áreas de ensino, como letras e química, estão em estudo na Capes.

Fonte: Portal do MEC

O piso nacional do magistério e o anel

Por João Roberto Andrade Neves *



A resistência dos governantes em pagar o novo valor (R$ 1.451,00) do piso nacional do magistério para 2012 é a continuação de atos refratários à aceitação da validade da Lei nº 11.738/2008, a qual foi sacramentada pela Suprema Corte. Os maestros do atraso agem como o personagem Fiódor Pávlovitch da obra Os Irmãos Karamazov, de Dostoievski, que vivia para representar um papel. Suas palavras lembram os acordes maviosos da lira de Orfeu, como as que Eurídice ouviu, lá no Hades. Até a Lei de Responsabilidade Fiscal serve para justificar suas ações.

Em nações primitivas, é supercavâneo se perquirir sobre as razões pelas quais os mestres ou educadores (como eram chamados antigamente os professores em raros ambientes civilizados de países atrasados) não são valorizados, o que remete a uma história antiga como o tempo: a do mestre, do educando e do anel. Nela, atesta-se que só dá verdadeiro valor a um bem quem é especialista no assunto, quem o conhece profundamente, o que não é o caso dos que transitam entre a ignorância ociosa e o oportunismo inescrupuloso vigente no Brasil oficial. No final da história aflora o óbvio: o anel só foi valorizado com preço justo por um especialista (joalheiro). A falta de proficiência de governantes e burocratas leva o Brasil a ter mais servidores do que mestres.

O que falta para pagar condignamente educadores sérios é desperdiçado pelo cabide de empregos. Deveras. Há muito tempo o Brasil possui algo em torno de 2 milhões de professores. Entretanto, não para de crescer o número de servidores, atualmente em 2,4 milhões (que gerava em 2010 uma despesa em torno de R$ 56 bilhões), grande número deles em cargos de comissão, de direção, supervisão regional etc. No Brasil existe 1,48 servidor para cada educador, relação que é de 0,43 servidor para cada professor na área da OCDE. A educação pública de qualidade, único caminho para a erradicação da miséria, só é possível, entre outras medidas, com o pagamento condigno de educadores sérios. A inclusão social nada mais é do que o resultado da “distribuição” de conhecimento, não de políticas assistencialistas.


*João Roberto Andrade Neves é Advogado


Convite!

Clique na imagem para visualizar melhor o cartaz

segunda-feira, 2 de abril de 2012

A modernidade e a sensibilidade humana

Um homem sentou-se em uma estação de metro em Washington DC e começou a tocar violino; era uma fria manhã de Janeiro. Ele tocou 6 peças de Bach por aproximadamente 45 minutos. Durante esse tempo, considerando que era horário de pico, calcula-se que 1100 pessoas passaram pela estação, a maioria a caminho pro trabalho.

Três minutos se passaram, e um homem de meia-idade percebeu que um músico estava tocando. Ele diminuiu o passo, parou por alguns segundos, e então apressou-se a seus compromissos.

Um minuto depois, o violinista recebeu sua primeira gorjeta de 1 dólar: uma mulher arremessou o dinheiro na caixa e continou a andar.

Alguns minutos depois, alguém encostou-se na parede para ouvi-lo, mas o homem olhou para seu relógio e voltou a andar. Obviamente ele estava atrasado para o trabalho.

O qual prestou mais atenção foi um garoto de 3 anos de idade. Sua mãe que o trazia, o apressou, mas o garoto parou pra olhar o violinista. Por fim, a mãe o empurrou fortemente, e a criança continuou a andar, virando sua cabeça a toda hora. Essa ação se repetiu por muitas outras crianças. Todos os pais, sem exceções, os forçaram a seguir andando.

Nos 45 minutos que o músico tocou, apenas 6 pessoas pararam e ficaram lá por um tempo. Aproximadamente 20 o deram dinheiro, mas continuaram a andar normalmente. Ele recebeu $32. Quando ele acabou de tocar, ninguém percebeu. Ninguém aplaudiu, tampouco houve algum reconhecimento.


Ninguém sabia disso, mas o violinista era Joshua Bell, um dos mais talentosos músicos do mundo. Ele acabara de tocar umas das peças mais difíceis já compostas, em um violino que valia $3,5 milhões de dólares.


Dois dias antes dele tocar no metrô, Joshua bell esgotou os ingressos em um teatro de Boston onde cada poltrona era aproximadamente $100.

Esta é uma história real. Joshua Bell tocou incógnito na estação de metrô, que foi organizado pelo Washington Post como parte de um experimento social sobre percepção, gosto, e prioridade das pessoas.

O cabeçalho era: no ambiente comum em uma hora inapropriada, nós paramos para apreciá-la?

Uma das possíveis conclusões desse experimento poderia ser:

Se nós não temos tempo para parar e ouvir um dos melhores músicos tocando algumas das melhores músicas já compostas, quantas outras coisas mais, estamos perdendo?


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Assista ao vídeo!




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- Tradução: Sammy Damaxx

- Postagem original:

Frase do Dia



"O único patrimônio que ninguém tira do ser humano é o conhecimento."

(Lázaro Ramos)

domingo, 1 de abril de 2012

Hoje é Noite de Riso


Um Monumento para Apodi


"Morte do Padre Philipe Bourel", de autor desconhecido da Escola Portuguesa do Seculo XVIII,
é a primeira tela da mencionada Escola que registra uma paisagem do Brasi

Um povo que não olha para o seu passado não entenderá o hoje, pois rompeu com a sua história e se perderá no caminho do futuro por suprimir elos que deveriam liga-los, como um quebra-cabeça que lhe falta as peças para a sua armação. Uma cidade histórica que não tem monumento, marcos, bustos, estátuas, obeliscos, arcos, etc é uma borracha no seu passado. 

É voltando ás páginas amarelecidas, recapitulando, encaixando os acontecimentos mais longínquos dos primórdios imemoriais que só através dos alfarrábios conseguimos nos deparar com vultos e passagens louváveis do povoamento das terras de Apodi, que com certeza insofismável extrapola a nossa circunscrição municipal e, nos projeta no cenário estadual, até mesmo no nacional. Quem leu o livro do jornalista Laurentino Gomes (1822), um dos mais vendidos do Brasil em 2011, vê que o autor se detém reportando a Chapada do Apodi sobre a lenda mítica da Labatut. Essa é outra história que dará mais um monumento, vamos explorá-la futuramente. 

Um monumento para Apodi será um marco indelével como registro de quão importante é o seu passado, para isso se faz necessário resgatá-lo e historiar, não só aos seus filhos, mas para o campo fértil do turismo. Sim, ergam o monumento, por que já fazemos parte do conjunto das muitas cidades deste país com passado enriquecido ao longo das datas, porém rompido com o antes e o depois, por não termos sequer um monumento erguido em suas vias e logradouros. Para não olvidar e ser injusto há um acanhado busto do ex-chefe político, Francisco Pinto, chantado na pequeníssima praça de mesmo nome. 

O que ora aqui faço, nada mais é o eco do nosso historiador Walter de Brito Guerra, que nos denunciava a falta de monumentos e a não preservação desses, como o do Bicentenário da Paróquia, demolido antes de concluído como fora projetado. É revendo a história de Apodi que encontramos nos compêndios de Olavo de Medeiros Filho (Notas para a História do RN, 2001 e Ribeiras do Açu e Mossoró, 2003), o registro e ressurreição do episódio da morte do padre Felipe Bourel, a quem os apodienses devem justas homenagens. Tal fato se sobressai, ao da primeira tela pintada no Rio Grande do Norte, em 1709, em terras de Apodi, que retrata a morte do fundador da Missão de São João Batista da Ribeira de Apodi, por consequência de embate aguerrido entre índios Paiacus e Janduís. 

Por um monumento clamamos a ser erguido às margens da lagoa de Apodi, no trecho conhecido por Calçadão, doravante: complexo Turístico Lacustre – Padre Felipe Bourel e contendo a fixação, em grandes dimensões, da réplica do quadro original que se encontra no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e cópia no Instituto Histórico e Geográfico do RN. Estendemos os parabéns pelos os que estão engajados nessa luta, à Câmara Municipal de Apodi, principalmente ao edil Evangelista, por acatar esse ideal brilhante partido de cidadãos apodienses comuns. A idealização veio da iniciativa do senhor Railton Dantas que me pediu uma sugestão de nome de ente da nossa história para nomear aquele calçadão construído com verbas do governo federal. Nada mais correto, lógico e pertinente o nome do missionário Felipe Bourel por aldeiar os índios naquele espaço e, consequentemente, pela história que se desdobra. Agrupa ainda, com este ideal participando de reunião, os professores César Silva e Ozamir Souza, o advogado Pedro Martins, o técnico em eletrônica, Francisco Noronha e o pároco Maciel. Ainda, Adonias Sousa, Antônio Lopes, Roberto Hellinsk, Raimundo Marinho Pinto e tantos outros e entidades jurídicas que apoiam e incentivam a proposta. Os que omitimos seus nomes foi por falta de espaço neste escrito. 

Um monumento para Apodi dependerá, também, do poder executivo municipal sancionar o projeto aprovado pelo legislativo, emplacando-o e se fazer erguer o marco colosso imbatível as intempéries, de magnificência beleza arquitetônica, já que a história requer e está à altura, para que seja contemplado pelos olhos dos visitantes, unindo com a visão agradável da lagoa à arquitetura do monumento e, sem ficar para trás, a riqueza da nossa história. 

Então, parece-nos que nesta contextura a própria história do Apodi conspira a favor, coincidentemente, hoje, temos uma historiadora de formação acadêmica – prefeita – par unir o útil ao agradável. 

Registre-se! Ergam-no, perpetue à posteridade! 

Natal, 22 de março de 2012. 


Nuremberg Ferreira de Sousa
Licenciado em Geografia


(Artigo originalmente publicado n'O Jornal de Hoje, no dia 31.03.12)

Governo decreta ponto facultativo na quinta-feira santa

Por meio do Decreto Nº 22.621, de 30 de março de 2012, a Governadora do estado do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini , decretou ponto facultativo, nos Órgãos e Entidades da Administração Direta, Indireta, Autárquica e Fundacional, no dia 05 de abril, quinta-feira santa, excetuando-se aquelas atividades que sejam consideradas essenciais, como assistência médica e hospitalar na rede pública.


Fonte: www.rn.gov.br

A importância da Educação no Brasil: Quanto Vale um Professor?

Por: Manoel Messias Pereira*


Imagem extraída do site Alagoas em Tempo



Certamente chamou a atenção de alguns brasileiros de bom senso, a mobilização realizada pelos professores da rede pública de ensino, promovida no período de 14 a 16 de Março, que envolveu professores de mais de 20 Estados, cujos pontos em discussão, os motivos do movimento, se resumiam em: a) ampliação dos investimentos em educação, ou seja, aplicação de 10% (dez por cento) do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em educação, e pagamento do valor referente ao Piso Nacional do Magistério, ou seja, R$ 1.451,00 (um mil quatrocentos e cinqüenta e um reais), diga-se de passagem, para uma jornada de 40 horas semanais. Vale a pena repetir: o Piso Nacional do Magistério, do qual o governo federal parece se vangloriar, nos seus pronunciamentos, é, pasmem, R$ 1.451,00 (um mil, quatrocentos e cinqüenta e um reais), para o professor que trabalhe com jornada de 40 horas semanais. Num país de governantes sérios daria para sustentar um discurso de “valorização do Magistério”, com uma pouca vergonha desse tipo?

Este é o valor que o “nosso governo”, através do Ministério da Educação, juntamente com os “nossos representantes” no Congresso Nacional, atribui ao professor brasileiro, ou seja, considerando-se que a maioria dos professores prestam concurso público para uma jornada de 20 horas semanais, significa dizer que o Piso Salarial Nacional do Magistério é, na prática, de R$ 725,50 (setecentos e vinte e cinco reais e cinqüenta centavos). Logo, para os comandantes da política educacional no Brasil, esta “fortuna” representa quanto vale um Professor, no nosso querido país, pelo menos durante os três primeiros anos de trabalho na rede pública (período de estágio probatório).

E mais, talvez muita gente não saiba, mas é bom saber, esse é o salário de um professor que passou cinco anos na faculdade, concluiu uma licenciatura direcionada à sua atividade, e depois cursou uma pós-graduação em nível de especialização, tudo direcionado ao Magistério, para ganhar esse valor, repita-se, pelo menos nos três primeiros anos.

É relevante destacar que esse vergonhoso valor, em alguns casos, é acrescido de um pequeno percentual, quando muito 30% (trinta por cento), a título de atividade docente, de modo que o sujeito acaba ficando com um salário liquido em torno de R$ 800,00 (oitocentos reais) mensais. Só para lembrar, isso é pouco mais de um Salário Mínimo. Pois é! Isso mesmo! É quanto vale um professor, à luz da cínica avaliação da maioria dos políticos que elegemos e que, para a nossa desgraça, detém o condão de decidir as políticas públicas em todo o país, inclusive a educação.

Quem teve a oportunidade, ou o interesse, de acompanhar as reportagens durante os dias de paralisação viu que alguns governadores e muitos prefeitos entendem que esse valor representa muito para que se possa pagar a um professor da rede pública e, saliente-se, quando o Ministério da Educação anunciou, com base na Lei do Piso, o aumento de 22% (vinte e dois por cento), para que com isso se chegasse ao valor supramencionado (R$ 1.451,00), mais de 700 (setecentos) prefeitos foram a Brasília se manifestar contra o aumento do Piso Nacional do Magistério, e não podemos esquecer que alguns governadores defenderam a tese de que o aumento do Piso deveria ser somente de 6% (seis por centos). É lógico que a imprensa não divulgou esses detalhes, também quase sempre as coisas sérias não são de interesse da mídia, deixando a impressão ao grande público que “a greve dos professores” é um prejuízo para a educação, e pronto.

A temática suscita uma questão tão simples quanto relevante, qual seja, é possível fazer uma educação pública de qualidade sem que se leve a sério a efetiva valorização do professor?

Lamentavelmente, ainda há os que digam que a questão salarial do professor não está diretamente associada à possibilidade de melhores resultados. Com todo respeito a essa tese, não devemos esquecer que os empreendimentos contemporâneos têm levado em conta como um dos elementos de desenvolvimento das organizações, o investimento nas pessoas. É fato que o trabalhador melhor remunerado trabalha mais satisfeito, sabendo que o seu filho pode se alimentar melhor, que poderá cuidar melhor da saúde da sua família, que poderá custear um pouco de lazer e, como conseqüência, a sua satisfação resulta em mais produtividade e mais qualidade no seu trabalho. Ao contrário, baixos salários sempre implicam em desdobramento de jornada em vários lugares, na tentativa de sobreviver melhor, sem contar com o cotidiano de trabalhadores estressados, insatisfeitos, depressivos, e uma série de outros males, com cada vez menos qualidade de vida, dessa forma contribuindo, sem ser o único fator, é claro, com a má qualidade da educação, basta ver os resultados do IDEB pelo Brasil afora.

A história do Brasil nos dá conta dos tempos em que um pai de família tinha orgulho de dizer que a sua filha ou o seu filho acabava de ser diplomada (o) professora ou professor, isso talvez nos idos do final do século XIX. Lembro-me de ter lido uma curiosidade, ainda no meu tempo de ginásio, na biblioteca do colégio, sobre uma reportagem publicada no Jornal “O Dia”, do Rio de Janeiro, se não me falha a memória, em outubro de 1862, apresentando um ranking dos melhores salários do serviço público no Brasil, e o salário de professor com nível universitário figurava na lista. Pois é, os anos se passaram, o país saiu do subdesenvolvimento, ganhou prestígio no cenário internacional, a esquerda ascendeu ao poder, estamos entre as primeiras economias do planeta, e, hoje, o salário de um professor com nível universitário é, pasmem, o pior salário do país. É claro que a história nos dá conta, também, de que houve um aumento galopante, não só em Brasília, mas ali principalmente, daqueles que se aperfeiçoam, a cada dia, na arte de conduzir o dinheiro público para o seu próprio bolso, em detrimento do interesse público. E aí talvez esteja uma boa justificativa para que o país não possa ampliar os investimentos em educação, conforme deveria ser feito, e para que o professor não possa ser decentemente remunerado.

Um professor pós-graduado, em nível de especialização, depois de 25 (vinte e cinco) longos anos de trabalho, com jornada de 40 horas semanais, com uma carreira recheada de formação continuada, às portas da aposentadoria, talvez logre receber um salário na faixa de seus R$ 4.000,00 (quatro mil reais), diga-se de passagem, é o salário inicial de muitas categorias com formação em nível médio, no setor público, a exemplo de um Técnico do INSS, cujo salário inicial é um pouco maior do que isso, conforme publicado no edital do último concurso da citada autarquia.

Às vezes ouvimos referências ao valor do Piso Nacional do Magistério, feitas por autoridades, nos meios de comunicação, como se fosse grande coisa. Respeito e civismo à parte, é claro, mas se vivêssemos num país um pouco mais sério seria um desrespeito dizer que o salário de um professor, licenciado, trabalhando dois turnos por dia, ou seja, com jornada de 40 horas semanais, é de R$ 1.451,00 (um mil, quatrocentos e cinqüenta e um reais).

Os “nossos representantes”, lamentavelmente, temos que dizer “nossos representantes”, utilizam de um discurso repugnante, para argumentar que os cofres públicos, sobretudo as prefeituras e os governos estaduais, não têm com pagar um salário melhor ao professor. É claro que esse discurso não passa de uma mentira deslavada, daquelas que somente se conta em países de políticos como os nossos. E é claro que nas suas rodas de uma boa conversa, tomando um bom uísque, eles devem dar risadas da nossa cara. Assim como devem cair na risada do paradoxo absurdo vivido no país, ou seja, a venda de um discurso maravilhoso, que prega a educação como prioridade, da busca da qualidade em educação, e, na contramão do discurso cínico, a limitação para investir no setor (menos de 10% do PIB), associada ao pagamento de salários de miséria aos professores da rede pública.

A nós, principalmente a nós professores, resta uma esperança: quem sabe, um dia, essa falta de vergonha ainda force a nossa voz; ainda mude o nosso tom; e ainda acorde esse país.

Enquanto esse dia não chega, fica a pergunta: quanto vale um professor?



Manoel Messias Pereira, Professor, licenciado em História, bacharelando em Direito.

FONTE: Blog Recanto das Letras