domingo, 10 de julho de 2011

Romance de Domingo

Aventuras do Menino Danta e seu amigo Guerra



CAPÍTULO IX

         O assunto do sermão improvisado do padre Benedito se defendendo das insinuações, logo estava nos quatro cantos de toda a cidade. Voou nas asas do vento, direto na boca do povo.

         Em cada lar, cada esquina, cada ambiente se comentava o sucedido na igreja. A missa não teve importância, o importante foi a oratória do Vigário. As pessoas comentavam aumentando o que viram e o que não viram na igreja. Houve até quem dissesse que combateram braço a braço, às pancadas: as três beatas e o padre. O povo é pródigo em criar e, em casos assim com cabeça, tronco e membros a coisa avoluma-se, cresce, que, lá no final, já não se pensa numa defesa paroquial, mas numa grande intriga que pode render anos e chegar às barras dos Tribunais.

         Danta, que não tinha ido à missa, pois dormira até altas horas, já procurava o amigo para se inteirar do assunto. Ouviu seu pai, Manoel Dantas, o Sacristão narrar o acontecimento na perspectiva do Cura, seu amigo e patrão, elogiando às alturas a atitude corajosa do filho do tesoureiro Carrinho, o menino janota que colocou Tilde, Cotó e Adofina nos seus devidos lugares.

         - Guerra é cabra de sangue no olho!

         Exclamara Manoel Dantas, enquanto mastigava as gengivas. Sua mulher, Joana atiçava as brasas no fogão, pretendia estirar uns panos que lavara ontem, chamava o vento por intermédio de São Lourenço. Danta ouvira tudo e saiu correndo a procura de Guerra.

         A manhã já estava se acabando, daqui a pouco chegava à hora do apogeu, Danta encontrou o amigo em cima do pé de cajarana. Assoviva, tentando chamar uns canários que saltitavam por ali. Armara a alçapão. A gaiola ficou enganchada numa velha cerca lá nos fundos. Guerra colocou o dedo indicado no meio dos lábios:

         - Psiu... Vê se a gente pega aquele canário amarelinho. O bicho parece ser bom de briga, canta estralando...

         Danta obedeceu e, pé, ante-pé chegou-se na árvore amiga e subiu feito uma preguiça, só na pachorra.

         - Colocou o quê de isca...?

         - Melões-de-são-caetano.
        
         - Isca de primeira. Os passarinhos não podem sentir o cheiro... Descem e vão comer os melões. Boa ideia, Guerra...

         Comentou Danta. Ficaram imóveis, quase prendendo a respiração quando chega fazendo o maior barulho, Wilson. Ofegante. Veio como sempre, correndo, desejoso de contar logo aos amigos as últimas novidades. Isso mesmo, em Verdejante, pequena, pacata e sem muita vida, qualquer tombo, rusga, poeira levantando no eito, transforma-se em grande notícia ou novidade importante.

         - Vixe! Parece que vocês ainda não souberam!

         Guerra quase teve um treco, o alarma de Wilson afugentou os passarinhos que estavam quase a caírem na cilada armada com o alçapão.

         - Que é que há Wilson! Veja o que você fez, suas novidades espantaram os canários que luto para pegar! Está doido?

         O amigo recuou, sequer subiu na árvore. Ficou a olhar, atônito, para um lado e para o outro, como que procurando o local da gaiola que serviria de prisão a mais uma ave, pois Guerra já possuía algumas com graúna, cabeça vermelha, miúdo e casal de canário.

         - Perdão Guerra, não reparei logo, por isso gritei porque a novidade pega fogo lá nas tendas dos ciganos!

         Aí a coisa muda de figura. Danta e Guerra, automaticamente, pularam dos galhos onde estavam e chegam perto de Wilson:

         - Qual novidade, homem?

         Indagou Danta, todo ele curiosidade. Guerra também fez a sua pergunta:

         - Revelaram quem colocou rolamento em pescoço de caburé?

         - Ah... Se fosse só isso...

         A curiosidade dos amigos duplicou. Chegaram mais perto, um de cada lado da gazetilha, indagaram ameaçadoramente:

         - Desembucha! Que foi que aconteceu? Deixa de suspense senão eu faço um dos seus olhos dois limões!

         Wilson caminhou até o fundo do quintal, próximo à gaiola, respondeu pausadamente:

         - A cigana revelou o nome do sujeito que roubou o bode Merlim... Até o delegado, padre Benedito e o perfeito Lucas Pinto estão todos lá... Um qüiproquó dos diabos!

         Os garotos saíram apressados, rumo ao terreno de Júlio Marinho que ficava do outro lado da cidade. Guerra nem recolheu a gaiola e o alçapão que ficou armada e com os melões-de-são-caetano chamando os passarinhos para a prisão.

         Longe ainda avistaram a multidão empenhada e conseguir uma pista, saber qual o nome do matador do bode adivinho ou outra coisa interessante que confirme qualquer indício do misterioso sumiço de Merlim, que pertencia ao circo Maior de Todos.

         Ao chegarem bem perto, ouviram a voz sempre histriônica do delegado Luiz Marchante:

         - Bem que eu desconfiada daquele malfazejo! Tenho mais, eu assegurei que o ladrão não era de Verdejante, deveria ser um pé rapado vindo do oco do mundo só para nos fazer maldade! E aí está, eu estava certo.

         O prefeito, homem magro e magro até demais, sungava as calças que teimavam em descer, fungando e com gestos de comando dizia, com voz fanhosa, resultado de uma operação de sinusite que no passado quase o levou à cova:

         - Cadê os soldados para irem atrás do meliante? Onde é que o indivíduo mora? Prendam-no que ele tem que pagar pelo bode!
        
         Silêncio. Ninguém sabe onde mora o perverso que matou Merlim. Ou há alguma cumplicidade? Coisa esquisita, pois geralmente em cidade pequena é algo que todos se conhecem e sabem onde reside cada um, sem dificuldade. Mas o homem que deu fim ao bode do circo Maior de Todos, ninguém dava notícia. Assim fica bastante prejudicada a busca ao carrasco do bode. Não seria o caso de perguntar à cigana o paradeiro daquele, uma vez que ela revelara o nome, agora poderia, com facilidade, dizer onde o mesmo reside. Isso passou pela cabeça de padre Benedito:

         - Sugiro que peçamos à cartomante adivinha, que nos mostre onde encontrar o patife que surrupiou o bode que adivinhava?

         Sugestão aprovada por unanimidade. Aplauso. Mas restava um empecilho: o fazendeiro Chico Longo, que ouvira da cartomante o nome daquele que roubou o bode, não se encontrava mais por ali e, pelo que se comentava, somente ele poderia fazer essa pergunta à mulher, onde mora o réu?

         Novas sugestões. Nhem nhem nhem para cá e para acolá, um puxa encolhe sem fim, não se chegava a nenhum denominador, foi quando aconteceu o inesperado.

         Guerra, Danta e Wilson, com mais alguns meninos, misturados aos adultos, não perdiam nenhum detalhe. Apuravam os ouvidos e, atentos, gravavam cada minudência da conversação sobre a captura, daqui a pouco, do verdadeiro ladrão do bode artista do circo Maior de Todos que, bem longe se encontrava, ainda sofria da falta do seu maior astro.

         Abrindo caminho entre os que se encontravam em volta das principais figuras daquela assembléia, um homem atarracado, chapéu de couro no cocuruto careca, barba por fazer, roupa surrada, calçando umas botinas já cheias de furos, soltava impropérios os mais inaudíveis possíveis, caso alguma senhora estivesse presente, pois esse era o costume, até mesmo diante de crianças não se pronunciava aquilo. Aparentava ter mais de 30 anos.

         O delegado, adiantando-se, ordenou que o intrometido parasse e se retratasse, antes de lhe dá ordem de prisão.

         - Quem é você, forasteiro, que aparece feito visagem, se uma hora para outra num lugar onde não é chamado?

         O sujeito, que agora era a atração naquela roda, respondeu com voz tão histriônica ou até mais do que a voz do delegado, apesar de sua baixa estatura, dizendo:
        
        - Sou Vento Solto! Venho de longe, estou de passagem para longe! Os nomes feios que pronunciei foram por causa de uns sujeitos aí, que insistiam em barrar a minha passagem colocando a perna na minha frente. Como não sou homem de recuar por qualquer obstáculo sem importância, enfrentei vossas excelências para revelar um segredo!

         Wilson exclamou:

         - Vixe!

         Isto poderia significar várias coisas: cabra mentiroso; aí vem chumbo do grosso; o caldo entornou; quem é esse andarilho que parece chegar de onde o diabo perdeu as botas?

         Em cada semblante estava estampado o ponto de interrogação. Quem é esse homem? De onde apareceu tal figura? Quem lhe deu corda para se meter em questões que não lhe dizem respeito?

         Guerra já se impacientava. Até aquele momento não sabia o nome de quem roubara Merlim. Por isso não se podia opinar, muitas que se encontravam ali, onde mora o dito cujo. E agora mais essa: este tal de Vento Solto! Que nome mais parecido com nome de cangaceiro? Pensou Guerra.

         Os comentários, novamente. Reacenderam por toda parte, feito fogo em mato seco. A missa sem importância e o sermão de padre Benedito Basílio Alves; Guerra como testemunha do Vigário e a decepção das três beatas; chega agora, a notícia da revelação por parte da cigana de quem roubara o bode Merlim e, para entornar o caldo, aquele baixinho cheio de prosopopéia.

         O que falta acontecer em Verdejante?

         Danta igualmente perplexo pelo atropelo de tantos acontecimentos não planejados, comentava com os amigos:

         - Nossa cidade é do tamanho de um ovo. Mas parece uma cidade grande, a cada dia tem um movimento...

         Wilson que era o mais idoso entre os três, ponderou:

         - É uma fase. Daqui a algum tempo ninguém se lembra mais dessas coisas e Verdejante voltará a ser uma bela adormecida.

         Guerra, mão no queixo, fechando um pouco os olhos como para enxergar bem longe, disse:

         - Sei não. Tudo tem uma explicação, mas esse entojado que acaba de aparecer... Isso não me cheira bem...
        
        O delegado Luiz Marchante, segurou o braço do recém-chegado, enquanto na outra mão sustentava o chapéu do panamá, argüiu:

         - Sabe sujeito. Seja lá quem for você, vá logo vomitando o que tem aí dentro, vende logo o seu peixe e chispa da nossa cidade!

         Até os ciganos, que interromperam todos os seus afazeres para observar tão custosa reunião, ficaram de ouvidos bem abertos para ouvirem o interpelado daquele momento.

         Foi a vez de o prefeito ordenar:

         - Isso! O delegado disse muito bem: fala! Nós estamos aqui no meio de uma conversa comunitária para deliberar sobre assunto de alto grau de periculosidade, vem você interromper! Fala e arriba, e rápido!

         O andarilho retirou o chapéu de couro, pegou fumo já picado embrulhado em um pedaço de papel muito sebento, arquitetou, com agilidade invejável, um cigarro. Pegou de um pau de fósforo e o deslizou no solado das velhas botas acendendo-o. Isso causou sensação no meio da turba. Wilson exclamou:
          
         - Vixe, o homem é mágico!

         Aquele, fazendo com o chapéu uma espécie cobertura para que o vento não apagasse a chama do fósforo, acendeu com destreza o cigarro e, chupando-o com força, soltou um tufo de fumaça para cima que mais parecia chaminé de trem. Ficando no centro da roda de pessoas, alvo da atenção geral, assegurou que iria falar.

         Todos os presentes, sem exceção, esticavam os respectivos pescoços, não pretendiam perder nenhuma cena de todos os atos daquele drama sem final.

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RESUMO: Agora sim, Verdejante tem assuntos para muitos dias. Mistérios por cima de mistérios. Que terá para dizer um homem desses? Vamos saber nos próximos capítulos. Por enquanto ficam os curiosos da história que está sendo contada e nós, aqui, leitores ávidos em saber as fofocas sobre os outros, nunca as nossas próprias fofocas. Mas o bom é isso: todos são felizes e, ao final, salvam-se todos. Aguardemos os capítulos vindouros.



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 * William Lopes Guerra é advogado, pesquisador e escritor em Apodi, herdeiro dos direitos 

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Minha Crônica de Sexta




"Meu Pequeno Príncipe" é a minha crônica de hoje no Aspirinas & Urubus.

O tapete mágico da Tia Aninha

Por Galeno Amorim



Em Cruz das Posses, pequeno distrito rural rodeado por um mar de canaviais entre Sertãozinho e Jardinópolis, no Nordeste de São Paulo, havia um lugar para os livros. Mas era um lugar bem pequeno. Mesmo porque quase ninguém no povoado - que nos meses de colheita da cana é tomado por migrantes do Vale do Jequitinhonha e do Nordeste, muitos dos quais semianalfabetos - costumava aparecer por lá.

A pequena biblioteca, portanto, vivia literalmente às moscas. Ninguém dava bola para os livros. Nem para suas histórias e personagens mirabolantes que, de certo modo, continuavam sem licença para ali aportar. Mas essa história começou a mudar no dia em que chegou ao local aquela professorinha.

Então, começaram a cair por terra, um a um, todos os mitos, conhecidos e repetidos à exaustão: pessoas simples que, para sobreviver, precisam dar duro de sol a sol no trabalho árduo do campo não têm tempo para essas coisas; ou: nem dão importância aos livros, não gostam de ler e, provavelmente, jamais farão isso algum dia... Essas e outras bobagens que, após um conveniente banho de loja acadêmico, costuma-se repetir por aí.

Mas logo Ana Lúcia descobriria que não é bem assim. Ou melhor: que não precisa ser necessariamente assim. Mas que, ao contrário, se apresentar livros a leitores, e vice-versa, ajudar as pessoas a descobrir os encantos que existem por trás de cada história e até ensinar, se preciso for, a leitura a elas, pequenos milagres acontecem, sim. Todos os dias!

Enquanto viajava de ônibus, diariamente, entre a cidade e o povoado de 7 mil almas, a cabeça de Ana Lúcia ia fervilhando. Eram ideias simples. Certamente já materializadas por alguém em algum canto do planeta. Mas não custava experimentar ali, ela pensava.

A moça começou com uma pequena roda de leitura. Ela lia, interpretava, ouvia o que as pessoas tinham pra dizer. E todo mundo sempre tem algo a dizer. Quer ser ouvido. Primeiro, claro, elas estranhavam um pouco. Mas logo tomavam gosto pela coisa. E aprovavam cada uma das maluquices inventadas por aquela professora-quase-bibliotecária-mediadora-de-leitura tão apaixonada por livros e histórias.

O clube de leitura crescia como pão-de-ló.

Assim como faz o bom livro com seu leitor, Ana Lúcia nunca deixou de surpreender. Um dos grupos que se reúne na Biblioteca Pública de Cruz das Posses, uma vez a cada duas semanas, é o dos moradores mais velhos do antigo vilarejo. No dia em que ela lê com eles, por exemplo, o livro Quase Memória, de Carlos Heitor Cony, simplesmente se veste como uma dama das antigas. É sempre assim. E seus leitores e ouvintes também gostam disso.

Muitas daquelas pessoas que vão ali atrás de momentos de descontração e uma certa magia nem sabem ler. Mas a cada roda de leitura saem de lá com a sensação de que esse tal de livro é divertido e interessante, já que estão sempre aprendendo algo novo. É por isso mesmo que insistem em levar os sobrinhos e os netos, para que eles façam suas próprias descobertas.

Também por isso é que fazem questão de exibir, aonde vão, e com um sorriso de orgulho no rosto, suas carteirinhas de sócios da biblioteca, que está completando 15 anos de funcionamento. Já as crianças têm um lugar todo especial: o carpete que Ana Lúcia estende no chão para elas ouvirem histórias e folhearem os livros. Fica apinhado delas, leitores de agora e, quem sabe, de todo o sempre...

Mas talvez a prova mais contundente do valor que a biblioteca tem no imaginário coletivo local seja outro. Qualquer transeunte sabe informar ao visitante onde fica a biblioteca. Em Cruz das Posses, as pessoas não só sabem que existe uma biblioteca, mas para que ela serve e por que é tão bom ir até lá. Melhor: muitas delas inclusive vão até lá!

Talvez seja este mais um dos milagres do tapete mágico da Tia Aninha...





Fonte: Brasil que lê - Revista do Observatório do Livro e da Leitura


Sinte não aceita acordo com o Governo e greve continua


Na audiência de conciliação ocorrida nesta quinta-feira (07), entre o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do RN (Sinte/RN) e o Governo do Estado, o resultado foi mais uma recusa dos representantes da educação diante das propostas do governo.

Mesmo após diversas apresentações de relatórios acerca da situação financeira do Rio Grande do Norte, demonstrando a impossibilidade de pagamento imediato de PCCS de diversas categorias, o Sinte insiste na implantação dos 34% de aumento entre os meses de julho e setembro, apesar do orçamento do estado somente permitir o comprometimento financeiro com um parcelamento entre os meses de setembro a dezembro.

Devido ao impasse, o desembargador Virgílio Macêdo Júnior, que presidiu a audiência, determinou que o processo que pede a suspensão e ilegalidade da greve dos professores fosse encaminhado para que o Ministério Público se pronuncie. O julgamento do pedido liminar será na próxima quarta-feira (13).



quarta-feira, 6 de julho de 2011

Apodi ganha seu primeiro grupo de chorinho




É com grande satisfação que compartilho com vocês, meus leitores, a informação de que Apodi possui um novo grupo cultural, o Quintal do Chorinho. O grupo foi criado no dia 6 de dezembro de 2010 e é composto por cinco integrantes: Toinho no cavaquinho, Marquinhos no violão, Ismael no contrabaixo, Paulo no clarinete e Romildo Júnior no pandeiro. O grupo de chorinho apodiense tem como objetivo divulgar a Música Popular Brasileira através de seu já rico repertorio, que inclui chorinhos que marcaram épocas.


Além do quinteto de músicos oficiais, atualmente o grupo conta também com a participação do Maestro Gildásio no clarinete . O nome Quintal do Chorinho surgiu em razão dos ensaios se realizarem na movelaria no quintal da casa de Toinho.

Os interessados em conhecer melhor ou contratar o Quintal do Chorinho, basta ligar para os telefones: (084)9114-0437 e (084)9631-7489 ou acessar  o blog do grupo: ghttp://www.quintaldochorinho.blogspot.com

Assistam o vídeo abaixo e vejam pequena amostra do potencial desse talentoso grupo musical apodiense.






terça-feira, 5 de julho de 2011

Frase do Dia




Imagem: Literatura Fascinante

Apodi realiza 3ª Conferência Municipal de Saúde








Foi realizada hoje (01/07) a Terceira Conferência Municipal de Saúde de Apodi. Com a coordenação de Dr. Genilson Gurgel, os trabalhos foram iniciados às 08 horas com o acolhimento de todos, formação da mesa solene com autoridades e execução dos Hinos Nacional e Municipal.



A Secretária Municipal de Saúde “Dra. Ítala Sena” foi a primeira a fazer uso da palavra e disse: “Precisamos defender o SUS. São momentos como esse, que tornam-se históricos na vida da gente”. A mesma teve de quebrar o protocolo com a surpresa da chegada do Secretário Estadual de Saúde, “Dr. Domício Arruda”.




Dra Ítala disse ainda: “o SUS nos orgulha muito, pois todos nós somos usuários e precisamos discutir as melhorias que o SUS pode nos oferecer”.




A Prefeita “Goreti Pinto”, também fez uso da palavra e agradeceu a presença do Secretário estadual de Saúde “Dr Domício Arruda” em seguida declarou aberta a Terceira Conferência Municipal de Saúde de Apodi.




Depois, foi a vez de Domício Arruda fazer uso da palavra e convidou os Apodienses a participarem da Conferência Estadual, que será realizada em setembro próximo.O Secretário Arruda também falou da falta de recursos na saúde do estado e divulgou alguns números percentuais para o público presente. Ele disse também, que mesmo diante das dificuldades, o governo quer atender aos municípios e que a prioridade é atender a saúde na rede de materno infantil.




Domício falou ainda da emenda 29, que está para ser aprovada e que não terá importância para os municípios. “Por isso, temos que melhorar a assistência médica, mas não melhoram os recursos e, precisamos de investimentos”, disse o Secretário. Dra. Salete Cunha também fez uso da palavra e disse estar orgulhosa de participar da Conferência, pois a mesma é filha de Apodi e agradeceu pelo convite.Dr Klínger, chefe de gabinete do município também falou da experiência vivida e convivência com o SUS, tanto com o ex ministro Temporão quanto com Padilha e comentou, que Temporão havia falado: “avançamos em quantidade, mas não em qualidade”. Com a qualidade avançando também, com certeza o povo passa a acreditar mais na saúde pública.A apresentação cultural ficou por conta do cordelista Janailson Cardoso, que apresentou versos falando da importância do SUS no Brasil.No horário matutino, ainda houve: Primeira Mesa Redonda, com o tema: Apodi usa SUS na Seguridade Social, conferencista – Dr Ivanildo Lima.Segunda Mesa Redonda, com o tema: SUS – Política Pública, Patrimônio do Povo Brasileiro, conferencista – Dra. Salete Cunha.No horário da tarde, grupos foram formados e discutiu-se vários assuntos relacionados às necessidades do povo, para se ter melhor qualidade de vida.


Houve as apresentações de várias propostas a serem encaminhadas e depois a eleição de escolha dos delegados para participarem da VII Conferência Estadual de Saúde.Os delegados escolhidos, foram: Rokatia Kleania, Gilberto de Oliveira, Nêmora Martins, Pedro Júnior, Mônica, Ribamar, Maiara, Damião, Bruno, Ítala Sena, Genilson e Jairo..


Fonte: Blog do Erivan Morais e Blog da Secretaria de Educação de Apodi

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Amanda Gurgel recusa prêmio



Nesta segunda,o Pensamento Nacional de Bases Empresariais (PNBE) estará realizando a entrega do prêmio "Brasileiros de Valor 2011". O júri  escolheu a professora potiguar Amanda Gurgel, mas a educadora de analisar  recusou o prêmio. O anúncio da recusa foi feita através de uma carta (abaixo reproduzida) enviada a organização do prêmio. 

Em seu blog, Amanda afirmou ter esperanças de que sua carta sirva para o debate sobre a privatização do ensino e o papel de organizações e campanhas que se dizem "amigas da escola".

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Natal, 02 de julho de 2011

Prezado júri do 19º Prêmio PNBE,

Recebi comunicado notificando que este júri decidiu conferir-me o prêmio de 2011 na categoria Educador de Valor, “pela relevante posição a favor da dignidade humana e o amor a educação”. A premiação é importante reconhecimento do movimento reivindicativo dos professores, de seu papel central no processo educativo e na vida de nosso país. A dramática situação na qual se encontra hoje a escola brasileira tem acarretado uma inédita desvalorização do trabalho docente. Os salários aviltantes, as péssimas condições de trabalho, as absurdas exigências por parte das secretarias e do Ministério da Educação fazem com que seja cada vez maior o número de professores talentosos que após um curto e angustiante período de exercício da docência exonera-se em busca de melhores condições de vida e trabalho.

Embora exista desde 1994 esta é a primeira vez que esse prêmio é destinado a uma professora comprometida com o movimento reivindicativo de sua categoria. Evidenciando suas prioridades, esse mesmo prêmio foi antes de mim destinado à Fundação Bradesco, à Fundação Victor Civita (editora Abril), ao Canal Futura (mantido pela Rede Globo) e a empresários da educação. Em categorias diferentes também foram agraciadas com ele corporações como Banco Itaú, Embraer, Natura Cosméticos, McDonald's, Brasil Telecon e Casas Bahia, bem como a políticos tradicionais como Fernando Henrique Cardoso, Pedro Simon, Gabriel Chalita e Marina Silva.

A minha luta é muito diferente dessas instituições, empresas e personalidades. Minha luta é igual a de milhares de professores da rede pública. É um combate pelo ensino público, gratuito e de qualidade, pela valorização do trabalho docente e para que 10% do Produto Interno Bruto seja destinado imediatamente para a educação. Os pressupostos dessa luta são diametralmente diferentes daqueles que norteiam o PNBE. Entidade empresarial fundada no final da década de 1980, esta manteve sempre seu compromisso com a economia de mercado. Assim como o movimento dos professores sou contrária à mercantilização do ensino e ao modelo empreendedorista defendido pelo PNBE. A educação não é uma mercadoria, mas um direito inalienável de todo ser humano. Ela não é uma atividade que possa ser gerenciada por meio de um modelo empresarial, mas um bem público que deve ser administrado de modo eficiente e sem perder de vista sua finalidade.

Oponho-me à privatização da educação, às parcerias empresa-escola e às chamadas “organizações da sociedade civil de interesse público” (Oscips), utilizadas para desobrigar o Estado de seu dever para com o ensino público. Defendo que 10% do PIB seja destinado exclusivamente para instituições educacionais estatais e gratuitas. Não quero que nenhum centavo seja dirigido para organizações que se autodenominam amigas ou parceiras da escola, mas que encaram estas apenas como uma oportunidade de marketing ou, simplesmente, de negócios e desoneração fiscal.

Por essa razão, não posso aceitar esse Prêmio. Aceitá-lo significaria renunciar a tudo por que tenho lutado desde 2001, quando ingressei em uma Universidade pública, que era gradativamente privatizada, muito embora somente dez anos depois, por força da internet, a minha voz tenha sido ouvida, ecoando a voz de milhões de trabalhadores e estudantes do Brasil inteiro que hoje compartilham comigo suas angústias históricas. Prefiro, então, recusá-lo e ficar com meus ideais, ao lado de meus companheiros e longe dos empresários da educação.

Saudações,

Professora Amanda Gurgel


Fonte: Blog da Amanda Gurgel

OFICINA DE TEATRO

O Grupo de Teatro O Pessoal do Tarará está com inscrições abertas para a Oficina de Teatro Físico. O curso será direcionado para mulheres, com idade a partir dos 16 anos, e será realizado em duas semanas, de 18 a 29 deste mês, das 14h às 16h, na sede do grupo. O curso cobrará apenas uma taxa de inscrição no valor de dez reais, para despesas com material utilizado na oficina. As vagas são limitadas, e as inscrições podem ser feitas na sede do próprio grupo, de segunda a sexta-feira, das 14h às 18h. 

Mais informações, pelo telefone 3314-9078.



Fonte: Assessoria de Comunicação d'O Pessoal do Tarará


domingo, 3 de julho de 2011

Movimento Menos Vereadores, Mais Professores

O outdoor colocado na rua Olívio Domingos Brugnago, no bairro Vila Nova, em Jaraguá, demonstra a indignação sobre a proposta de aumento do número de vereadores na Câmara.




Na Ilha da Figueira, bairro de Jaraguá do Sul, foi colocado o outdoor abaixo:





E finalmente...





Se concordar, repasse e entre no movimento “Menos Vereadores, Mais Professores”!




Fonte: Recebido por e-mail de James Coleman Alves

Costura da Vida

As dificuldades, muitas vezes, penso, surgem pra gente tomar tenência de uma vez e desenrolar a "costura da vida".



Romance de Domingo

Aventuras do Menino Danta e seu amigo Guerra



Capítulo VIII

            Domingo!
            O sino convida a todos os paroquianos para a missa das 08h00. São três chamadas com intervalos de meia em meia hora. A comunidade fica toda ouriçada, o dia de descanso, próprio para rezar, visitar amigos e conversas jogadas fora.
            Vestem-se, os verdejantenses, suas melhores roupas; calçam os melhores calçados. Alguns homens possuem um chapéu para a diária, outro para acontecimentos importantes e, especialmente, para a missa de domingo. As mulheres trazem o catecismo, o terço e a mantilha; outras conduzem um colorido leque para se abanarem. E as crianças também vão à missa, acompanhando os pais, com a roupinha de brim, ou aquela guardada com destaque: "roupa de marinheiro", o sonho de toda criança é um dia vestir uma roupa de marinheiro.
            Os fiéis, cristãos, devotos de Nossa Senhora da Conceição e são João Batista não perdem uma celebração aos domingo. Cada um leva o seu dízimo, espontâneo e sem se estipular quantia nenhuma. Até dos sítios mais próximos vêm os beatos e as beatas, dispostos a se confessarem e receberem o perdão de Deus. Pois já na igreja se encontravam Boboso, da Ponta; Tatão e Antonio Flor, de Melancias; Seutônio Barbosa, de Água Fria; Zé Bruaca, da Soledade. Todos acompanhados de esposas e filhos. Vinham em carroças ou a cavalo.
            A igreja já repleta de fieis. Quase não cabia mais ninguém, quando padre Benedito Basílio Alves penetrou na Sacristia, aprontar-se com os paramentos para a celebração da missa. Naquele templo religioso, havia cadeiras cativas com assentos removíveis e, em baixo, um aparato de tábua forrado com almofada que servia para se ajoelhar sobre o mesmo. Somente as pessoas mais destacadas da cidade tinham esse privilégio: o Coronel Chico Pinto; o empresário João de Brito; o fazendeiro Chico Canuto e um ou outro que se dispusessem a pagar pelo luxo. Os demais fieis que se virasse para se ajoelharem em tábua limpa e dura, assim pagariam os pecados mais rapidamente.
            Ouviu-se o som mavioso do Órgão, tocado por Mundinha Dantas. Um coro de moças que se abanavam constantemente entoava músicas sacras em latim. As pessoas aprendiam, de tanto ouvirem aquelas músicas, e também entoavam o intróito.
            Entraram um garoto, acólito, vestido batina vermelha e branca, coroinha que ajudava ao celebrante na hora da consagração e noutros instantes da liturgia; depois o Vigário e, atrás deste, Manoel Dantas, invariavelmente mastigando as gengivas há muito recolhidas às suas insignificâncias.
            Depois dos atos iniciais, o celebrante subiu no púlpito para a homilia. Não usou o evangelho daquele domingo para falar aos às suas ovelhas, mas um assunto que estava na boca do povo de Verdejante: os ciganos adivinhos e ciganas cartomantes.
            - Estimados paroquianos.
            Era sempre com essa saudação que começava seus célebres sermões. Não era nenhum Padre Antonio Vieira, mas sua fama corria mundo pela oratória sacra. Do alto daquele palco tradicional nas igrejas, costumava derrubar arrogantes poderosos; demolia ---fetiches, preconceitos e combatia os incautos.
            Começou a oratória, em nome de Deus:
            - Meus queridos amigos, amados em nome de Deus - aquele que tudo pode! - convoco-os, para, neste instante, ouvirem o que este Vigário, que mesmo tendo vindo de tão longe, das terras do sul, considera-se um verdejantense da gema!
            Os mais espertos, apuraram o ouvido, tentaram chegar mais para perto para ouvir o Padre, enquanto as beatas mais famosas do lugar se ajeitavam em seus assentos, juntas, entreolhando-se, como que já estivessem esperando o assunto a ser tratado pelo Cura, naquela ocasião, tão melindroso para ele e para a igreja.
            - Sabemos todos, há um punhado de ciganos arranchados em nossa cidade. Mais precisamente no terreno de Júlio Marinho, ali próximo à Cruz das Almas.
            Uma das beatas, Tilde que se encontrava exatamente entre as outras duas, Cotó e Adofina, cochicham com as colegas:
            - Bem que suspeitei que ele viesse defender a ciganada...
            Continuou o Padre, retirando um lenço do bolso da batina e enxugando o rosto:
            - A curiosidade é própria do ser humano, assim como a vontade de viajar e conhecer outras terras, outros povos. E, também, assim como qualquer homem, pois sou um deles, tive a ousadia de adentrar a tenda da Cigana que lê mãos e desvenda os mistérios com as cartas de um baralho.
            Um silêncio sepulcral pairava no ar. O adro da igreja, completamente repleto de fieis, era tão sem perturbação, que dava para ouvir a batida de corações mais ansioso, empenhados em saber o que tinha para dizer Padre Benedito Basílio Alves sobre cartomantes e ciganas.
            - Por Deus, eu vos digo: a mulher não disse nada sobre minha vida que não fosse verdade e o que eu não soubesse.
            Um gaiato, que se encontrava de pé, perto da porta principal, pilheriou:
-         Será que ela revelou o nome da dita cuja?
            Os presentes, como uma mola movendo-se automaticamente, volveram a cabeça, cada um, em direção ao homem que, cabelos desalinhados, mãos nos bolsos, roupa amarrotada, ficou encarando a todos com olhos de peixe morto. Somente Padre Benedito Basílio Alves riu, um riso irônico e fez a seguinte observação:
-         É o Lino de Maria Dasgraças... Um páx-vóbis...
            Houve espécie de zum zum zum em todo o ambiente sagrado, cada um dizendo alguma coisa, parecia os inaudíveis palradores da babel.
            Retoma o fio da meada o pregador:
            - Mas na cabeça de algumas figuras impolutas de nossa cidade, algo de muito grave aconteceu no mundo: Padre Benedito virou a cabeça, ficou louco e sai por aí entrando em ambientes proibidos, conversa com mulheres de vida fácil e está construindo um alambique para fabricar cachaça.
            Adofina, uma das mais duras acusadora das atitudes do Padre, levantou o braço, depois ficou de pé, requereu uma fala para defender as companheiras e aqueles que comungassem com o que teorizavam.
-         Pois pode falar, senhora Adofina.
           Disse o Vigário, cruzando os braços e esperando o que a mais assídua católica verdejante tinha a relatar.
            - Bom, vamos fazer de conta que o senhor fala a verdade, que nada demais fez romper os vossos votos para com a Igreja, mas não há uma testemunha para aprovar as palavras que o senhor está soltando no ar...    
            - Dona Adofina, tenha a sua alma para Deus! Como é possível alguém naquela tenda que só é permitido entrar uma pessoa de cada vez? E vos reclamo em proferir, diante de todos aqui, salientar o porquê da suspeita sobre a minha palavra?
            - Só retiro a suspeição, aliás, nós só retiramos a suspeição se o senhor mostrar uma testemunha. Do contrário, nada feito.
            Tudo indicava tratar-se de uma posição arquitetada, bem planejada, com a orientação de gente entendida no assunto, uma vez que colocavam, com essa situação, o padre na defensiva, quase certas que não teria como provar por testemunhas o que aconteceu entre cigana e ele, o acusado.
            Padre Benedito passou novamente o lenço pela testa molhada de suor. Passou os dedos pela basta cabeleira, pensou e argumentou:
            - Prezados paroquianos, fica a minha palavra contra a de dona Adofina. O julgamento está dentro da consciência de cada um de vocês. Não tenho nenhuma testemunha, exceto a própria cigana que, naturalmente, não pode funcionar como testemunhas nesse caso.
            Ouviu-se um grito de menino:
            - EU!
            Saindo de dentro de alguns homens que se encontravam no lado esquerdo do púlpito, Guerra vinha sereno, desconfiado e temeroso de que o seu padrinho o repreendesse e, certamente, isso aconteceria, mas resoluto tinha que se apresentar e testemunhar em favor do seu amigo e protetor.
-         Eu o quê, Guerra?
             Perguntou-lhe padre Benedito Basílio Alves, intrigado com aquela repentina aparição.
            Carrinho, pai de Guerra, apressou o passo, igualmente vindo do meio dos presentes naquele lado esquerdo da igreja, chegando perto do filho:
            - Que vai fazer desta vez, menino! Já não bastam suas diabruras pelas ruas? Agora vem interromper a fala do padre, gritando e chamando a atenção de todos?
           O pregador, do alto de sua importância, também gritou, parecia irritado:
           - Deixa o garoto! Meu afilhado tem algo a dizer! Vem, fica aí diante de todos e desembucha o que tem para nos dizer?
            Guerra, mais aliviado, lançou um olhar de desdém para a s três mulheres que denegriam a imagem do seu padrinho e em seguida ficou assim como se não estivesse enxergando ninguém, sua vista contemplava o vazio. Para ele naquele momento não havia uma só pessoa na igreja, só ele, falando para o mundo inteiro:
             - Eu! Eu sou testemunha do padre Benedito! Desta vez, suas três idiotas, caíram do cavalo, porque eu estava debaixo da mesa onde a cigana bota as cartas e lê a mão. Bem no momento que o meu padrinho entrou, eu fiquei encolhido, sem respirar e ouvi tudo.
             O templo, a morada de Deus quase veio abaixo.
            - Oh!
            Todos num mesmo tom de admiração e curiosidade pronunciaram “oh!” tão alto que se deve ter despertado os habitantes do outro lado da lagoa. Tilde, Cotó e Adofina apenas arregalavam os olhos desbotados pelo tempo e pela mania de olharem com sentimento de culpa para qualquer coisa ou pessoa. Nem a igreja, que frequentavam mais de duas vezes todos os dias para rezarem, podia-lhes devolver um pouquinho de brilho sequer naquelas vistas turvas e decepcionantes.
            O padre também estava pasmo:
           
-         Guerra! Por favor, explique-se!

            - Entrei na tenda sem ser notado. Nem sabia que o senhor estava por lá. Danta e Wilson sabem como tudo aconteceu. Ouvi tudo. Não perdi uma só palavra daquela cigana bonita. Depois saí, já com minhas pernas dormentes de passar mais uma hora naquela posição de escondido, e ninguém me viu saindo.

            Carrinho quis rir com a narração do filho, conteve-se e fez menção de agarrar a orelha do Guerra, foi contido por uma mão branca, mas forte, era Adrião Bezerra, com seu chapéu de massa na outra mão que também segurava sua inseparável bengala.

           - Desta vez o meu neto praticou uma boa ação! Deixem-no. Prossiga filho, se ainda tiveres algo a acrescentar.

Guerra ainda assegurou, com convicção:

            - A cigana disse que meu padrinho é um homem bom e um líder espiritual, e que sua missão é fazer o bem. Só isso.

            O burburinho formado, padre Benedito Basílio Alves pediu silêncio e que todos voltassem para os seus lugares.

             - Eu não tenho mais nada a dizer. Apenas que os nossos atos são caracterizados por nosso caráter. A maldade, às vezes, está no juízo que os outros fazem de nós. A maldade está muitas vezes no próprio coração de quem emite sua opinião. O meu afilhado não praticou um ato nobre, mas foi prudente em revelar-nos a sua ação de penetrar num recinto suspeitoso para alguns, mas que é igual a qualquer outro. Há muitos lugares que, pensamos ser puros, mas que desonram mais do que a tenda da cartomante. Obrigado.

            - Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Todos responderam:

- Amém.

           Os fieis ficaram pensativos. As três mulheres passaram a ser alvo de fofocas por parte da população. Enganaram-se na avaliação que fizeram, tinham que pedir desculpas ao Vigário e perdão a Deus pelos pensamentos pecaminosos. Enquanto isso, na Sacristia, Manoel Dantas estava possesso com Adofina que levantara suspeita do santo padre na frente de toda Verdejante:

-         Esta não pode ter perdão! Deus vai castigá-la, ora se não vai!
                                                                                                                                    
           Rodopiavam as chaves com tanta força que de longe se ouvia o seu barulho característico. Os mais ativos adivinhavam com facilidade aonde encontrar o honesto Sacristão. O padre já havia consagrado à hóstia; os fieis que se confessaram. Chega a hora final do ato mais solene do catolicismo:

-         Que Deus os acompanhe.

           Estas foram as derradeiras palavras do celebrante, as pessoas foram saindo, devagar e sempre e cochichando entre elas sobre o ocorrido. Que missa esquisita, pensavam alguns...


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RESUMO: O que será que vai acontecer no próximo capítulo? Apareceu o criminoso que fez desaparecer o bode Merlim? Ou mais  algum acontecimento inesperado para manter Verdejante bem cheia de novidades? Só aguardando os próximos capítulos que prometem...


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 * William Lopes Guerra é advogado, pesquisador e escritor em Apodi, herdeiro dos direitos da obra de seu pai, Walter de Brito Guerra.