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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

História de estudante potiguar emociona em programa da Rede Globo



O orgulho do Rio Grande do Norte que o Rio Grande do Norte ainda desconhece.


Emocionante a participação do estudante Danilo Bezerra, que criou a Biblioteca JK, num sítio do município de Almino Afonso, Oeste do Rio Grande do Norte, no programa “Encontro com Fátima Bernardes”, da Rede Globo.

A história de Danilo foi levada ao programa a partir de um e-mail que o rapaz passou para a produção, antes da estreia, com um recadinho curto: “Vocês precisam conhecer minha história”.

E a partir daí a produção foi a Almino Afonso, gravou na casa dele com a família, na escola com os colegas e com os professores, e mostrou a biblioteca instalada na pequena casa pobre que vive o menino com seus pais.

O pai não pode trabalhar desde que sofreu um cidente de moto, e a mãe, Dona Mara, mostrando o orgulho que tem do filho e do seu espírito de compartilhar a educação.

Dona Mara e a professora de português de Danilo, Solange Maria da Conceição, também foram ao estúdio no Projac.

Danilo no estúdio com Fátima. (Foto: Thaisa Galvão)

E durante a participação de Danilo, emoção não faltou. Lágrimas que saíram dos olhos da mãe e das convidadas do programa, a atriz Alexandra Richter e da escritora Thalita Rebouças, que presenteou Danilo com seus livros.


Danilo é natural de Almino Afonso, no Médio Oeste Potiguar, onde criou e instalou a Biblioteca Juscelino Kubischek. Ele já foi premiado pela Presidência da República e tornou-se conhecido em todo o País.

Recentemente o jovem Danilo Bezerra representou o Rio Grande do Norte na 9ª Conferência Nacional dos Direitos das Crianças e Adolescentes, promovido pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.  Aprovado no vestibular de Jornalismo, o filho de Almino Afonso foi selecionado para divulgar a conferência em Brasília. 


Confira no link do blog Potiguarte a reportagem "UMA BIBLIOTECA NO MEIO DO SERTÃO" e se emocione. A postagem é de novembro/2011. (http://potiguarte.blogspot.com.br/2011/11/uma-biblioteca-no-meio-do-sertao.html




quinta-feira, 10 de maio de 2012

Cabine telefônica vira pequena biblioteca

Os moradores da cidade de Cunning, na Grã-Bretanha descobriram uma nova maneira de lidar com a escassez de bibliotecas em sua área, transformando um telefone antigo caixa vermelha em uma troca de livros.
Livro caixa: Os moradores da vila de Somerset Westbury-sub-Mendip esperam na fila para usar a menor biblioteca do país, que foi convertido de uma caixa de telefone antigo vermelho

O telefone do quiosque ex-BT foi transformado a partir de uma central telefônica para a menor biblioteca da Grã-Bretanha por residentes na cidade e agora a pequena biblioteca possui em torno de 100 títulos.

Boa leitura: A caixa de telefone agora abriga títulos de livros de culinária para os clássicos e sucessos de livros infantis

Os moradores se uniram para criar a caixa de livro depois de seu serviço de biblioteca móvel foi cancelada.

A junta de freguesia adquiriu a caixa, um projeto Giles Gilbert Scott K6, em R $ 1, e residentes na vila de Somerset Westbury-sub-Mendip colocaram prateleiras de madeira dentro e doaram seus próprios livros.



A biblioteca de caixa de telefone está aberto todos os dias durante 24 horas e é iluminada à noite. Existe um controle regular sobre ele para ver se alguns títulos não estão se movendo. Estes são, então, enviados a uma loja de caridade para manter a coleção da caixa de telefone novo.



BT recebeu 770 pedidos de comunidades para adotar um quiosque e até 350 caixas telefônicas antigas foram entregues aos conselhos paroquiais.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Que tal um PPP em nossa cidade?

Através da companheira de luta por essa tão relevante causa, Sirlia Lira, tomei conhecimento desta ideia simples, que pode ser adotada em qualquer lugar onde haja gestores verdadeiramente preocupados com a formação de leitores e cidadãos críticos. 



Parada Para leitura nos Parques 


Este suporte (na foto acima) faz parte da “Parada Para leitura nos Parques” (PPP), um programa criado, há 10 anos, pelo governo da Colômbia com o intuito de ajudar a promover a alfabetização em todo o país. O programa faz parte da FUNDALECTURA em associação com os parques da cidade.



Atualmente, existem 47 PPP em vários bairros de Bogotá, e um total de 100 em todo o país. Cada “stand” funciona por cerca de 12 horas por semana, sob a responsabilidade de um voluntário (na verdade, eles recebem uma pequena bolsa, mas não é muito).


As PPP's abrem frequentemente durante os fins de semana, e quando em atividade, oferecem serviços de uma biblioteca regulares. O pessoal da PPP organiza algumas atividades (principalmente direcionado as crianças), onde os usuários além de ler e pesquisar, tiram também as dúvidas dos deveres de casa.


Ao ver a foto acima, logo imaginei um... um não... Imaginei vários "stands" desse espalhados por vários pontos da minha Apodi: Praça da Bíblia, Bico Torto, Bacurau I e II, Conjunto IPE, Posto Brasília, Calçadão da Lagoa... Alguns dirão que ando sonhando demais. Talvez sim, já que os nossos gestores dedicam-se tão somente a construir em nossa cidade praças e espaços recheados de bares. E depois ainda nos questionamos porque nossos jovens se envolvem tanto com droga e violência. E eu respondo com outra pergunta: o que andamos oferecendo a eles?

De qualquer forma, fica a sugestão para os candidatos nas próximas eleições. Quem sabe, no futuro, algum deles abrace a ideia de fomentarmos a leitura em nosso povo e torne minha utópica ideia em uma feliz realidade.


"Um país se faz com homens e livros." 
(Monteiro Lobato)



Fonte do vídeo: ►. http://www.citytv.com.co/videos/4744/detengase-en-un-paradero-para-libros-para-parques-ppp-este-dia-del-idioma


Mais informações: ► http://www.bilinguallibrarian.com/2010/02/21/paradero-para-libros-para-parques

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Muito cuidado ao tomar livro emprestado




Que aquele que rouba livros ou não devolve livros emprestados tenha o livro em sua mão transformado numa serpente voraz. Que ele sofra um ataque apoplético que paralise todos os seus membros. Que, aos gritos e gemidos, implore por piedade, e seu tormento não seja mitigado até que entre em estado de putrefação. Que as traças corroam suas entranhas como o verme que nunca morre. E que no dia do juízo final seja condenado a arder para sempre no fogo do inferno”
(Inscrição na Biblioteca do Mosteiro de São Pedro em Barcelona - In livro "Coração de Tinta" de Cornelia Funke)

Bibliotecas e bibliotecárias


O bibliotecário de Arcimboldo

Adaptação da pintura de 1556 por Giuseppe Arcimbold

Em meus mergulhos literários, eis que me deparo com estas belas definições que o Ignácio de Loyola Brandão dá para "biblioteca" e "bibliotecária". Decerto tal assertiva muito há de povoar minha mente no decorrer dos próximos dois anos, durante elaboração de minha dissertação de mestrado, cujo objeto de pesquisa serão as bibliotecas escolares.

"Bibliotecas têm um cheiro especial, atmosfera própria, uma luz particular. Quanto às bibliotecárias, identifico-as pelo olhar. Olhem nos olhos delas, logo verão se gostam do que fazem. Elas têm viço, como se dizia. Levam uma chama nos olhos quando estão entre livros. Circulam pelos corredores entre estantes de modo desenvolto, em passos leves de dança. Por menor que seja a biblioteca pública, elas têm orgulho do que fazem, conhecem o papel que desempenham”.






segunda-feira, 11 de julho de 2011

Projeto oferece capacitação em leitura e artes



O Projeto de Extensão Biblioteca Ambulante e Literatura nas Escolas - BALE, do Departamento de Educação do Campus Avançado "Profa. Maria Elisa de Albuquerque Maia" (CAMEAM), da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), em Pau dos Ferros, está oferecendo capacitação na área de Leitura e Artes, com cursos e oficinas direcionados à formação de leitores e de repertório de leitura. Os cursos são destinados à formação de profissionais que atuam nas redes públicas de ensino estadual e municipais da Educação Básica, bem como em espaços não-escolares, bibliotecários, instituições superiores e demais entidades que desejem melhorar o desempenho na mediação da leitura. O período destinado à capacitação é entre os meses de junho a outubro de 2011, sendo que os cursos e oficinas ocorrerão nos próprios locais de destino, em dias acordados entre os interessados.

O "BALE-Capacitação", como é conhecido essa atividade, é uma iniciativa do Projeto de Extensão Biblioteca Ambulante e Literatura nas Escolas e tem por objetivo geral capacitar mediadores de leitura nas cidades do Alto Oeste Potiguar ou outros municípios, incentivar o gosto pela leitura e oferecer estratégias para trabalhar a leitura de maneira dinâmica em sala de aula, utilizando recursos simples e práticos. Essa iniciativa se justifica pela necessidade de alguns alunos de graduação e de pós-graduação, membros do BALE, em angariar recursos financeiros para garantir a participação da equipe no IV Fórum Internacional de Pedagogia - FIPED, que acontecerá na Cidade do México, no período de 07 a 11 de novembro de 2011.


Os contatos e contratos com o BALE-Capacitação podem ser feitos por meio de Prefeituras, Secretarias Municipais de Educação e Cultura, Escolas públicas e privadas, Bibliotecas e demais instituições ou pessoas interessadas no desenvolvimento da leitura e das artes literárias.




Outras informações podem ser obtidas com a professora Diana Saldanha (DE/CAMEAM/UERN), nos seguintes contatos:
Email: projetobale@yahoo.com.br
Blog: http//:projetobaleuern.blogspot.com
Twitter: @projetobale
Orkut: projetoBALE
Tel.: CAMEAM/UERN: (84) 3351 2560, (84) 3351 3909,
Coordenação: (84) 99879621/9625 2076

sexta-feira, 8 de julho de 2011

O tapete mágico da Tia Aninha

Por Galeno Amorim



Em Cruz das Posses, pequeno distrito rural rodeado por um mar de canaviais entre Sertãozinho e Jardinópolis, no Nordeste de São Paulo, havia um lugar para os livros. Mas era um lugar bem pequeno. Mesmo porque quase ninguém no povoado - que nos meses de colheita da cana é tomado por migrantes do Vale do Jequitinhonha e do Nordeste, muitos dos quais semianalfabetos - costumava aparecer por lá.

A pequena biblioteca, portanto, vivia literalmente às moscas. Ninguém dava bola para os livros. Nem para suas histórias e personagens mirabolantes que, de certo modo, continuavam sem licença para ali aportar. Mas essa história começou a mudar no dia em que chegou ao local aquela professorinha.

Então, começaram a cair por terra, um a um, todos os mitos, conhecidos e repetidos à exaustão: pessoas simples que, para sobreviver, precisam dar duro de sol a sol no trabalho árduo do campo não têm tempo para essas coisas; ou: nem dão importância aos livros, não gostam de ler e, provavelmente, jamais farão isso algum dia... Essas e outras bobagens que, após um conveniente banho de loja acadêmico, costuma-se repetir por aí.

Mas logo Ana Lúcia descobriria que não é bem assim. Ou melhor: que não precisa ser necessariamente assim. Mas que, ao contrário, se apresentar livros a leitores, e vice-versa, ajudar as pessoas a descobrir os encantos que existem por trás de cada história e até ensinar, se preciso for, a leitura a elas, pequenos milagres acontecem, sim. Todos os dias!

Enquanto viajava de ônibus, diariamente, entre a cidade e o povoado de 7 mil almas, a cabeça de Ana Lúcia ia fervilhando. Eram ideias simples. Certamente já materializadas por alguém em algum canto do planeta. Mas não custava experimentar ali, ela pensava.

A moça começou com uma pequena roda de leitura. Ela lia, interpretava, ouvia o que as pessoas tinham pra dizer. E todo mundo sempre tem algo a dizer. Quer ser ouvido. Primeiro, claro, elas estranhavam um pouco. Mas logo tomavam gosto pela coisa. E aprovavam cada uma das maluquices inventadas por aquela professora-quase-bibliotecária-mediadora-de-leitura tão apaixonada por livros e histórias.

O clube de leitura crescia como pão-de-ló.

Assim como faz o bom livro com seu leitor, Ana Lúcia nunca deixou de surpreender. Um dos grupos que se reúne na Biblioteca Pública de Cruz das Posses, uma vez a cada duas semanas, é o dos moradores mais velhos do antigo vilarejo. No dia em que ela lê com eles, por exemplo, o livro Quase Memória, de Carlos Heitor Cony, simplesmente se veste como uma dama das antigas. É sempre assim. E seus leitores e ouvintes também gostam disso.

Muitas daquelas pessoas que vão ali atrás de momentos de descontração e uma certa magia nem sabem ler. Mas a cada roda de leitura saem de lá com a sensação de que esse tal de livro é divertido e interessante, já que estão sempre aprendendo algo novo. É por isso mesmo que insistem em levar os sobrinhos e os netos, para que eles façam suas próprias descobertas.

Também por isso é que fazem questão de exibir, aonde vão, e com um sorriso de orgulho no rosto, suas carteirinhas de sócios da biblioteca, que está completando 15 anos de funcionamento. Já as crianças têm um lugar todo especial: o carpete que Ana Lúcia estende no chão para elas ouvirem histórias e folhearem os livros. Fica apinhado delas, leitores de agora e, quem sabe, de todo o sempre...

Mas talvez a prova mais contundente do valor que a biblioteca tem no imaginário coletivo local seja outro. Qualquer transeunte sabe informar ao visitante onde fica a biblioteca. Em Cruz das Posses, as pessoas não só sabem que existe uma biblioteca, mas para que ela serve e por que é tão bom ir até lá. Melhor: muitas delas inclusive vão até lá!

Talvez seja este mais um dos milagres do tapete mágico da Tia Aninha...





Fonte: Brasil que lê - Revista do Observatório do Livro e da Leitura


domingo, 27 de fevereiro de 2011

Jovens imortais podem acabar por falta de apoio

Academia Estudantil de Letras Poeta Antônio Francisco - primeira e única do Nordeste

Em meu último artigo, intitulado "Povo leitor, país desenvolvido", abordei a questão da falta de compromisso de nossos gestores com a promoção de acesso à leitura, fato que se evidencia, sobretudo, na escassês de bibliotecas públicas. As poucas existentes se encontram, em sua maioria, com infraestrutura precária e entregue nas mãos de profissionais despreparados, o que compromete de forma significativa a formação de leitores, prejudicando, especialmente aqueles que vêm das classes menos favorecidas, onde o acesso ao livro muitas vezes só se realiza em bibliotecas públicas ou na escola. Para mudar esse quadro, é preciso investir na construção de novas bibliotecas e na aperfeiçoamento das já existentes, através da ampliação de seus acervos e seleção de profissionais comprometidos e capacitados  para desenvolver ações que fortaleçam ou influenciem o gosto pela leitura. Se o profissional não apresenta essas caracterísiticas, jamais deverá assumir o trabalho em um espaço tão importante como é a biblioteca.

Mas no cotidiano escolar, os critérios acima elencados não tem qualquer relevância e isso posso afirmar de cátedra, haja vista que já tive a oportunidade de ser professora da Sala de Leitura da Escola Municipal Professora Lourdes Mota, em Apodi. Durante o período em que fiquei lotada nesse espaço (2008 e 2009), elaborei, a cada ano letivo, um plano de trabalho (com objetivos, justificativa, metodologia, cronograma, avaliação, etc.) a ser executado naquela biblioteca, durante o ano, coisa que honestamente nunca vi outro professor de uma sala de leitura fazer, pelo menos não nas instituições em que trabalhei. O fiz porque acredito que não é apenas o professor de sala de aula, que tem o dever de planejar suas ações. Defendo que todos os funcionários de uma escola (diretor, supervisor, coordenador, etc.) devem, a cada ano, fazer um planejamento do trabalho que pretendem desenvolver, no exercício de sua função, durante aquele ano letivo. Afinal de contas o planejamento é imprescindível ao educador a medida que esse se preocupa em ter qualidade no que faz. Como qualidade sempre foi o objetivo dominante em tudo que me proponho a fazer, planejar foi minha primeira atitude.

Em meu plano, busquei propor ações que privilegiassem um melhor uso daquele espaço. Dentre as atividades propostas e realizadas, se encontrava uma que já algum tempo pretendia desenvolver, mas não tinha condições devido a excessiva carga horária em sala de aula. Tratava-se da criação de uma Academia Estudantil de Letras (AEL), um grupo de jovens estudantes que semanalmente se reúne para realização de rodas de leituras, contação de histórias e estudos literários. A AEL segue, com as devidas adaptações, o modelo de uma autêntica Academia de Letras, ou seja, os estudantes escolhem patronos e ocupam cadeiras literárias em ato solene de posse. Mas para fazer parte da AEL Poeta Antônio Francisco (nome escolhido pelos próprios acadêmicos) não há qualquer exigência. Aliás, apenas uma: ser aluno da Escola Lourdes Mota. 

O grupo começou pequeno, cerca de meia dúzia de alunos que convidei, com a ajuda de alguns colegas professores.  Aos poucos, de forma espontânea, foram chegando outros estudantes. Na solenidade de fundação já éramos 17. A partir daí, o grupo só cresceu. Hoje, temos aproximadamente 40 acadêmicos, entre titulares, correspondentes e simpatizantes, que são aqueles que ainda não realizaram juramento de posse, mas já participam das atividades acadêmicas.
 
Apesar de não contarmos com recursos financeiros, com a ajuda de alguns amigos parceiros, além das rodas de leitura e contação de histórias, realizamos também seminários sobre os patronos, encontros com escritores, oficinas de poesia e de teatro e passeios à bibliotecas,  museus e teatros; fizemos apresentações culturais em eventos  dentro e fora da escola e, ainda, participamos da Feira do Livro em Mossoró, com direito a exposição de textos literários produzidos pelos próprios acadêmicos.

A realização de tantas atividades acabou levando a AEL a ganhar destaque na imprensa de todo estado: blogs, jornais,  revistas, rádios e até  um canal de TV a cabo. Isso sem falar nas reportagens em veículos de abrangência nacional, como nas revistas "Língua Portuguesa", "Agitação" e no site da "UOL". Devido a essa notoriedade, fui conivdada por algumas instituições para proferir palestras em eventos;
recebi de entidades locais comendas de reconhecimento pelos serviços culturais e educativos realizados, através da Academia Estudantil. E, com muita alegria, em 2009, recebi a indicação ao Prêmio Darcy Ribeiro de Educação e Cultura, concedido anualmente como reconhecimento aos trabalhos ou ações que se destacaram na defesa e na promoção da educação, especialmente as iniciativas relacionadas à educação popular. Inegavelmente, isso tudo me serviu de combustível para continuar esse trabalho, buscando, a cada dia, ampliar e melhorar ainda mais as nossas ações.

Se para outras instituições, nosso trabalho era considerado importante, para os gestores municipais de educação de Apodi, ele nada significou. Pelo menos é o que parece, haja vista que mesmo diante de tudo que conseguimos realizar, fui afastada da biblioteca da escola abruptamente, sem qualquer preocupação com a interrupção do trabalho até então desenvolvido. A alegação era de que lugar de professor de Língua Portuguesa é na sala de aula e como tal deveria dar minhas aulas. Nunca questionei. Aliás, nunca pedi para sair de sala de aula. E quando fora dela, nunca deixei de ser uma legítima professora.

Eles parecem esquecer de que durante todo o período em que estive à frente da biblioteca, continuei atuando como uma verdadeira professora, quer nas atividades da AEL, quer no projeto Prazer em Saber, em que ministrava aulas de reforço aplicadas em forma de oficinas, quer no atendimento aos alunos que visitavam aquele espaço, orientando-os em suas pesquisas, estudos ou simples leituras.

Quero ressaltar, entretanto, que em nenhum momento contestei o fato de voltar a atuar em sala de aula, como professora de Língua Portuguesa, pois amo, repito, amo lecionar. O que esperava, pelo menos, é que me fossem concedidas algumas horas aulas para que eu pudesse continuar me dedicando a Academia Estudantil. Mas não. Isso não pode. A carga horária deve ser cumprida completamente em sala de aula. Até aí tudo bem.  Há uma certa lógica nesse pensamento. Ou não?

Contudo, me nego a aceitar que seja correto interromper um trabalho que vinha dando tão certo, que vinha gerando frutos, como o visível  hábito leitor adquirido pelos alunos da academia ou a possível futura publicação de um livro  composto por obras  já escritas por alguns deles. Mas nada disso importava! Voltei para sala de aula.

Havia em mim ainda uma esperança. A pessoa a me substituir  na biblioteca poderia continuar o trabalho junto à AEL. Não me negaria de forma nenhuma a ajudar. Mas se achasse que era muita responsabilidade (E é mesmo!), se  ela preferisse,  poderia pelo menos me auxiliar nas reuniões e demais atividades acadêmicas.  O sonho não acabou - dizia eu para mim mesma!

Início do ano letivo de 2010. Na primeira oportunidade, corri para conhecer o novo professor responsável pela biblioteca da escola. Mas eis que sou surpreendida ao constatar que a pessoa escalada para a função não possuia licenciatura, não era sequer graduada e, principalmente, não possuía qualquer afinidade com a leitura, características que, acredito, são indispensáveis para exercer essa função. Provavelmente por não ter as habilidades didático-pedagógicas necessárias ou proximidade com a literatura, a colega se mostrou indiferente a ideia de dar prosseguimento a Academia Estudantil de Letras. Não a culpo por isso. Ela não é qualificada para o cargo e àqueles que lá a colocaram sabiam bem disso. Se o fizeram, foi tão somente por acharem insignificante o papel de uma biblioteca no âmbito escolar e não encontarem mérito no trabalho ali desenvolvido nos dois últimos anos.

Apesar disso, resolvi seguir em frente com a academia. Com uma carga horária de 50 aulas semanais, distribuídas entres os turnos matutino e vespertino, só me restaram as noites para planejar minhas aulas, preparar diários, elaborar e corrigir trabalhos escolares, organizar  e realizar as atividades da academia. E isso, caros leitores, não foi fácil. Principalmente por ter que fazer tudo isso sozinha, sem a ajuda da direção, coordenação ou de qualquer outro colega da escola. Nunca ninguém me procurou para oferecer qualquer ajuda, nem sequer para saber como estava a academia. Era como se ela jamais tivesse existido.


Mesmo sozinha e com imensuráveis dificuldades, continuei coordenando o grupo de acadêmicos. É claro que, diante dessa realidade, a qualidade do nosso trabalhou diminuiu significativamente. E muitas das atividades planejadas para 2010 ficaram impossíveis de serem executadas.

Concluí o ano, extremamente cansada  e com grande desânimo. Diagnóstico? Alto nível de estresse, adquirido devido à excessiva carga de trabalho.

2011. Um novo ano se inicia. Mais uma vez ninguém desmonstra qualquer preocupação ou interesse pela Academia Estudantil de Letras, a  primeira e única do Nordeste. Mais uma vez estou aqui, sozinha, tentando remar contra a maré da falta de apoio e de recursos. Até onde iremos? Não sei. Mas temo que a AEL esteja com os  seus dias contados. Sem recursos, sem apoio e sem tempo, as atividades tendem a ficar menos frequentes e, principalmente, menos atraentes. E isso é  muito grave para um projeto que se propõe a criar um ambiente saudável e prazeroso para a prática da leitura. 

A iminência do fim da AEL  dói intensamente em mim, mas dói mais ainda nos jovens acadêmicos. Afinal ninguém mais do que eles sabem o quanto a AEL significa em suas vidas. Ninguém melhor do que um acadêmico para sentir os benefícios que um projeto dessa natureza provocam na sua vida escolar, familiar e, sobretudo, na sua vida em sociedade.

Enquanto isso, continuamos a assistir a divulgação dos baixos
indicadores educacionais do nosso município. Nas escolas, a cada início de ano letivo, os gestores fazem sempre questão de atribuir ao professor a responsabilidade por esse fracasso. Mas esquecem de aplaudir aqueles que protagonizam iniciativas que contribuem para que esses resultados não sejam ainda piores.


Convém, portanto, refletirmos sobre as reais razões para tanta evasão e repetência em nossas escolas. Pensemos maduramente sobre o que leva nossos jovens a concluírem o ensino básico com um nível tão baixo de aprendizagem. É sempre muito fácil  culpar o  professor pelos fracassos educacionais. Mas será que temos cuidado bem da infraestrutura de nossos estabelecimentos de ensino? Temos estimulado  e apoiado às boas práticas pedagógicas? Temos valorizamos os bons professores? Enfim, temos criado políticas públicas que promovam o ensino de qualidade?

Somente quando formos capazes de responder com  maturidade a essas questões e nos debruçarmos sobre novas práticas administrativas e pedagógicas é que poderemos  exigir e esperar melhores resultados educacionais em nosso município, em nosso estado e em nosso país.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Povo leitor, país desenvolvido

O jornal Diário de Natal traz em sua edição de hoje (25/02) o artigo "Biblioteca não é luxo", da educadora Cláudia Santa Rosa¹. Em seu artigo, cuja leitura recomendo, Cláudia relata a significativa experiência vivenciada durante um intercâmbio cultural, na Colômbia, onde teve a oportunidade de, entre outras coisas, visitar bibliotecas, que ela classificou como esplendorosas, em Bogotá, considerada a Capital Mundial das Bibliotecas. Essa experiência, segundo a professora, veio ratificar sua convicção de que biblioteca não é luxo, mas um equipamento de fundamental importância para garantirmos o direito de toda população ao acesso à cultura escrita. Diante da constatação, Cláudia questiona então o fato de termos um número ínfimo de bibliotecas públicas em nosso país e, pior, de cuidarmos tão mal das poucas que temos.

O questionamento da colega é justo. Leitura em nosso país, assim como educação e cultura, não é, como deveria ser, uma prioridade. E não é preciso ir muito longe para comprovar isso. Basta observarmos ao nosso redor. Em Apodi, por exemplo, há apenas uma única biblioteca pública e não se tem conhecimento de qualquer projeto ou intenção de melhoria de sua limitada infraestrutura e funcionamento, nem de ampliação de seu acervo. Muito menos se conhece algum plano de construção de novas bibliotecas. O que me deixa mais indignada é que não parece se tratar de falta de recursos, afinal volta e meia são construídas praças em nossa cidade. Então, pergunto: por que não incluir nessas praças uma biblioteca, museu ou espaço cultural? Ao invés disso, são erguidos bares, incentivando ainda mais o já elevado consumo de álcool entre os jovens. Sem opções de um entretimento mais cultural, só resta a nossos jovens fazer o que manda uma certa música: "beber, cair e levantar".

Até em nossas escolas, onde a leitura deveria ser o ponto central, a biblioteca é largada em segundo ou terceiro plano. Em muitas, só encontramos poeira e livros velhos. Em outras, até existe um bom acervo, contudo, os livros se encontram abandonados, mesmo quando bem arrumados em suas prateleiras, pois não há qualquer trabalho de incentivo ou promoção à leitura. Isso provavelmente se deve ao fato de que boa parte das bibliotecas públicas ou escolares se encontram coordenadas por pessoas sem qualquer afinidade ou compromisso com o mundo literário.

Na maioria das escolas da rede estadual de ensino do Rio Grande do Norte, por exemplo, os critérios para trabalhar nesse espaço é ter um padrinho político para dar aquele "jeitinho" ou a chamada readaptação de função, que ocorre quando o professor se encontra acometido de alguma doença e por isso impossibilitado de realizar o exercício do magistério. A maioria desses profissionais, já desgastados devido a suas doenças, realizam na biblioteca um trabalho apático, tornando-se, muitas vezes, um mero guardador de livros. Mas não se pode também negar que há professores que assim agem tão somente por não terem qualquer comprometimento com a educação.

Porém não se pode culpar exclusivamente o professor. A questão aí é de gerenciamento, afinal são nossos gestores educacionais que estabelecem esses critérios. Se a leitura fosse vista como elemento fundamental no meio escolar, certamente os princípios básicos para coordenar uma biblioteca seriam: compromisso e afinidade com a literatura, experiência na promoção à leitura (dentro ou fora de sala de aula) e um plano de trabalho direcionado ao estímulo do gosto pela leitura.


Se assim fosse,  com certeza, teríamos escolas verdadeiramente formadoras de leitores e não essas que, com suas práticas retrógradas, mal planejadas e incoerentes, só afastam cada dia mais os alunos do mundo literário. Como afirma Daniel Pennac, “o verbo ler não suporta o imperativo”. Quando transformada em obrigação, a leitura se resume a simples enfado. É preciso, então, favorecer à prática de leitura por prazer, no ambiente escolar ou fora dele. Embora essa não seja uma missão das mais fáceis, experiências, como as do Programa Prazer em Ler, mostram que é possível.

Diante do cenário acima desenhado, conclui-se que, se o Brasil quer mudar seus índices educacionais e continuar seu desenvolvimento econômico, precisa urgentemente imprimir uma nova mentalidade em seus gestores (em todas as esferas). É  fundamental que se reveja a forma como a prática de incentivo à cultura  literária é desenvolvida em nossas escolas e bibliotecas. Precisamos ampliar e melhorar esses espaços e promover ações de incentivo não apenas ao hábito, mas especialmente ao gosto pela leitura, prática indispensável nos dias de hoje.  Só assim, com uma completa transformação de postura e atitude, nosso país terá um povo mais culto e, sobretudo, mais crítico e desenvolvido.

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[1] Cláudia Santa Rosa é Doutora e Mestre em Educação, Especialista em Psicopedagogia e Pedagoga. Desde 2006, através do IDE, uma ONG que ajudou a fundar, coordena as ações ligadas ao Programa Prazer em Ler (programa nacional do Instituto C&A), implementadas no Rio Grande do Norte.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Cadê a Biblioteca do Professor?

Visitando o blog da Escola de Leitores, projeto do qual sou grande admiradora, que visa incentivar a leitura entre os alunos das escolas públicas do Estado do Rio Grande do Norte tomei conhecimento de um interessante programa do governo federal, chamado Biblioteca do Professor. O programa consiste num acervo bibliográfico criado pelo Ministério da Educação com o intuito de instrumentalizar de forma teórico-metodológica o docente em sua prática pedagógica. 

O acervo, segundo o blog, é composto por 154 obras, distribuídas da seguinte forma:
- 53 títulos para os anos iniciais do ensino fundamental;
- 39 para os anos finais do ensino fundamental
;
- 45 para o ensino médio e educação de jovens e adultos; e

- 17 para os anos iniciais e finais do ensino fundamental da educação de jovens e adultos.

Na expectativa de adquirir mais detalhes sobre o assunto, busquei mais informações acerca do programa no site do MEC (www.mec.gov.br) e, para minha surpresa, deparei-me com a notícia de que sua distribuição já ocorrera (ou deveria ocorrer) no ano passado. Contudo é do meu desconhecimento que tais obras tenham chegado às escolas nas quais leciono. Das duas uma. Ou os livros  ainda não chegaram às escolas apodienses por atraso nos Correios ou problema de distribuição do MEC. Ou chegaram às escolas e estão trancafiados sob sete chaves, como muitas vezes ocorrem quando livros são enviados à bibliotecas das escolas, sob a desculpa de que lá serão mal usados ou usurpados das prateleiras. Resultado: os livros ficam em ótimo estado de conservação, mas sem qualquer utilidade. Afinal o livro é para ser lido, não guardado. 

Espero que o acervo chegue, enfim, às mãos dos professores, pois se lugar de criança é na escola, lugar de livro é nas mãos dos leitores.