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domingo, 1 de abril de 2012

A importância da Educação no Brasil: Quanto Vale um Professor?

Por: Manoel Messias Pereira*


Imagem extraída do site Alagoas em Tempo



Certamente chamou a atenção de alguns brasileiros de bom senso, a mobilização realizada pelos professores da rede pública de ensino, promovida no período de 14 a 16 de Março, que envolveu professores de mais de 20 Estados, cujos pontos em discussão, os motivos do movimento, se resumiam em: a) ampliação dos investimentos em educação, ou seja, aplicação de 10% (dez por cento) do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em educação, e pagamento do valor referente ao Piso Nacional do Magistério, ou seja, R$ 1.451,00 (um mil quatrocentos e cinqüenta e um reais), diga-se de passagem, para uma jornada de 40 horas semanais. Vale a pena repetir: o Piso Nacional do Magistério, do qual o governo federal parece se vangloriar, nos seus pronunciamentos, é, pasmem, R$ 1.451,00 (um mil, quatrocentos e cinqüenta e um reais), para o professor que trabalhe com jornada de 40 horas semanais. Num país de governantes sérios daria para sustentar um discurso de “valorização do Magistério”, com uma pouca vergonha desse tipo?

Este é o valor que o “nosso governo”, através do Ministério da Educação, juntamente com os “nossos representantes” no Congresso Nacional, atribui ao professor brasileiro, ou seja, considerando-se que a maioria dos professores prestam concurso público para uma jornada de 20 horas semanais, significa dizer que o Piso Salarial Nacional do Magistério é, na prática, de R$ 725,50 (setecentos e vinte e cinco reais e cinqüenta centavos). Logo, para os comandantes da política educacional no Brasil, esta “fortuna” representa quanto vale um Professor, no nosso querido país, pelo menos durante os três primeiros anos de trabalho na rede pública (período de estágio probatório).

E mais, talvez muita gente não saiba, mas é bom saber, esse é o salário de um professor que passou cinco anos na faculdade, concluiu uma licenciatura direcionada à sua atividade, e depois cursou uma pós-graduação em nível de especialização, tudo direcionado ao Magistério, para ganhar esse valor, repita-se, pelo menos nos três primeiros anos.

É relevante destacar que esse vergonhoso valor, em alguns casos, é acrescido de um pequeno percentual, quando muito 30% (trinta por cento), a título de atividade docente, de modo que o sujeito acaba ficando com um salário liquido em torno de R$ 800,00 (oitocentos reais) mensais. Só para lembrar, isso é pouco mais de um Salário Mínimo. Pois é! Isso mesmo! É quanto vale um professor, à luz da cínica avaliação da maioria dos políticos que elegemos e que, para a nossa desgraça, detém o condão de decidir as políticas públicas em todo o país, inclusive a educação.

Quem teve a oportunidade, ou o interesse, de acompanhar as reportagens durante os dias de paralisação viu que alguns governadores e muitos prefeitos entendem que esse valor representa muito para que se possa pagar a um professor da rede pública e, saliente-se, quando o Ministério da Educação anunciou, com base na Lei do Piso, o aumento de 22% (vinte e dois por cento), para que com isso se chegasse ao valor supramencionado (R$ 1.451,00), mais de 700 (setecentos) prefeitos foram a Brasília se manifestar contra o aumento do Piso Nacional do Magistério, e não podemos esquecer que alguns governadores defenderam a tese de que o aumento do Piso deveria ser somente de 6% (seis por centos). É lógico que a imprensa não divulgou esses detalhes, também quase sempre as coisas sérias não são de interesse da mídia, deixando a impressão ao grande público que “a greve dos professores” é um prejuízo para a educação, e pronto.

A temática suscita uma questão tão simples quanto relevante, qual seja, é possível fazer uma educação pública de qualidade sem que se leve a sério a efetiva valorização do professor?

Lamentavelmente, ainda há os que digam que a questão salarial do professor não está diretamente associada à possibilidade de melhores resultados. Com todo respeito a essa tese, não devemos esquecer que os empreendimentos contemporâneos têm levado em conta como um dos elementos de desenvolvimento das organizações, o investimento nas pessoas. É fato que o trabalhador melhor remunerado trabalha mais satisfeito, sabendo que o seu filho pode se alimentar melhor, que poderá cuidar melhor da saúde da sua família, que poderá custear um pouco de lazer e, como conseqüência, a sua satisfação resulta em mais produtividade e mais qualidade no seu trabalho. Ao contrário, baixos salários sempre implicam em desdobramento de jornada em vários lugares, na tentativa de sobreviver melhor, sem contar com o cotidiano de trabalhadores estressados, insatisfeitos, depressivos, e uma série de outros males, com cada vez menos qualidade de vida, dessa forma contribuindo, sem ser o único fator, é claro, com a má qualidade da educação, basta ver os resultados do IDEB pelo Brasil afora.

A história do Brasil nos dá conta dos tempos em que um pai de família tinha orgulho de dizer que a sua filha ou o seu filho acabava de ser diplomada (o) professora ou professor, isso talvez nos idos do final do século XIX. Lembro-me de ter lido uma curiosidade, ainda no meu tempo de ginásio, na biblioteca do colégio, sobre uma reportagem publicada no Jornal “O Dia”, do Rio de Janeiro, se não me falha a memória, em outubro de 1862, apresentando um ranking dos melhores salários do serviço público no Brasil, e o salário de professor com nível universitário figurava na lista. Pois é, os anos se passaram, o país saiu do subdesenvolvimento, ganhou prestígio no cenário internacional, a esquerda ascendeu ao poder, estamos entre as primeiras economias do planeta, e, hoje, o salário de um professor com nível universitário é, pasmem, o pior salário do país. É claro que a história nos dá conta, também, de que houve um aumento galopante, não só em Brasília, mas ali principalmente, daqueles que se aperfeiçoam, a cada dia, na arte de conduzir o dinheiro público para o seu próprio bolso, em detrimento do interesse público. E aí talvez esteja uma boa justificativa para que o país não possa ampliar os investimentos em educação, conforme deveria ser feito, e para que o professor não possa ser decentemente remunerado.

Um professor pós-graduado, em nível de especialização, depois de 25 (vinte e cinco) longos anos de trabalho, com jornada de 40 horas semanais, com uma carreira recheada de formação continuada, às portas da aposentadoria, talvez logre receber um salário na faixa de seus R$ 4.000,00 (quatro mil reais), diga-se de passagem, é o salário inicial de muitas categorias com formação em nível médio, no setor público, a exemplo de um Técnico do INSS, cujo salário inicial é um pouco maior do que isso, conforme publicado no edital do último concurso da citada autarquia.

Às vezes ouvimos referências ao valor do Piso Nacional do Magistério, feitas por autoridades, nos meios de comunicação, como se fosse grande coisa. Respeito e civismo à parte, é claro, mas se vivêssemos num país um pouco mais sério seria um desrespeito dizer que o salário de um professor, licenciado, trabalhando dois turnos por dia, ou seja, com jornada de 40 horas semanais, é de R$ 1.451,00 (um mil, quatrocentos e cinqüenta e um reais).

Os “nossos representantes”, lamentavelmente, temos que dizer “nossos representantes”, utilizam de um discurso repugnante, para argumentar que os cofres públicos, sobretudo as prefeituras e os governos estaduais, não têm com pagar um salário melhor ao professor. É claro que esse discurso não passa de uma mentira deslavada, daquelas que somente se conta em países de políticos como os nossos. E é claro que nas suas rodas de uma boa conversa, tomando um bom uísque, eles devem dar risadas da nossa cara. Assim como devem cair na risada do paradoxo absurdo vivido no país, ou seja, a venda de um discurso maravilhoso, que prega a educação como prioridade, da busca da qualidade em educação, e, na contramão do discurso cínico, a limitação para investir no setor (menos de 10% do PIB), associada ao pagamento de salários de miséria aos professores da rede pública.

A nós, principalmente a nós professores, resta uma esperança: quem sabe, um dia, essa falta de vergonha ainda force a nossa voz; ainda mude o nosso tom; e ainda acorde esse país.

Enquanto esse dia não chega, fica a pergunta: quanto vale um professor?



Manoel Messias Pereira, Professor, licenciado em História, bacharelando em Direito.

FONTE: Blog Recanto das Letras

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Greve da UERN chega ao fim

Os professores da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) se reuniram em assembleia na manhã de hoje, 14, na sede da Associação dos Docentes da Uern (ADUERN), e decidiram pôr fim à greve que já durava 106 dias, a maior na história da instituição. As aulas da Uern serão retomadas amanhã, 15.

A decisão foi tomada depois que a Reitoria, em nome do Governo do Estado, apresentou um documento constando o atendimento da pauta de reivindicação da categoria. Mesmo considerando que o atendimento foi somente parcial, os docentes avaliaram como positivo o movimento, tendo em vista a intransigência da administração estadual em negociar. O Governo só chegou a apresentar uma proposta concreta depois de 70 dias de greve, mesmo assim, depois da pressão da categoria com as mobilizações de rua.



Dessa forma, o Governo esticou o movimento paredista se negando a negociar para poder pedir a abusividade e ilegalidade da greve na justiça. Por várias vezes, a Aduern flexibilizou suas propostas para pôr fim ao movimento paredista, mas a administração estadual parecia não se importar com os prejuízos da greve.

A categoria considera a greve vitoriosa, pois demonstrou a força de organização dos docentes da Uern. Para Flaubert Torquato, presidente da Aduern, a unidade com os estudantes e técnicos foi  fundamental para fazer o governo negociar com a categoria, sem desconsiderar o apoio que o movimento teve da sociedade norteriograndense.

“Apesar do fim da greve, o movimento em Defesa da Uern não acabou. A greve demonstrou a força de organização dos professores da Universidade. Continuaremos vigilantes, pois a Aduern sai fortalecida e a categoria docente preparada a continuar a luta em defesa da única universidade presente em praticamente todo o território potiguar”, explica. 


ADUERN



terça-feira, 13 de setembro de 2011

Greve da UERN pode terminar nesta semana


Estudantes dos cursos de graduação e aprovados no último vestibular da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) aguardam há mais de cem dias o anúncio do fim da greve dos professores da instituição. A expectativa agora está na decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJ-RN), que deve se posicionar, hoje ou amanhã, sobre a ilegalidade da greve dos docentes.

Mas entre os próprios professores a crença é de que a paralisação não passe desta semana. Pelo menos é o que acredita o presidente da Associação dos Docentes da Uern (ADUERN), professor Flaubert Torquato. "Duvido muito que passe desta semana. Estamos na expectativa sobre o parecer do Tribunal. Em caso de parecer contrário, a volta tem de ser imediata", comentou

Mesmo após o fim da greve, estudantes de alguns cursos de graduação deverão ter problemas por mais uma ou duas semanas. O cancelamento do contrato de 163 professores temporários deve atrasar a retomada das aulas. "Mesmo que a universidade vá renovar os contratos, isso deve levar de uma semana a 15 dias. Se for realizar nova seleção para substitutos, aí a demora é maior", explicou.

FONTE: http://www.defato.com/mossoro.php

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Programa Frente a Frente entrevista Amanda Gurgel


No último dia 24, em Brasília, a professora potiguar Amanda Gurgel foi a entrevistada do programa Frente a Frente, da Rede Vida. Quem não assistiu, agora pode ver uma síntese da entrevista.



UERN



No Brasil é fácil reunir centenas e centenas de pessoas em uma caminhada a favor da maconha, milhares em uma comemoração futebolística, mas não se consegue juntar a sociedade em defesa da educação pública e de outras questões básicas do povo. A greve dos docentes da UERN e da rede estadual de ensino é uma prova disso. 


A sociedade norte-riograndense está apática, alheia, parece que não está ocorrendo nada, é como se a UERN não existisse ou não tivesse importância nenhuma para o Rio Grande do Norte, como se ela não fizesse falta.

A UERN, apesar de todas as dificuldades, é uma instituição de ensino superior que vem prestando bons serviços ao povo do nosso Estado, especialmente nas regiões que durante muito tempo ficaram sem oferecer aos seus filhos a oportunidade de cursar uma faculdade. Quem desejasse fazer um curso superior teria que se deslocar para Natal ou outra capital do Nordeste, tal como Fortaleza, João Pessoa ou Recife.


A criação da Universidade Regional do Rio Grande do Norte foi um passo importante na solução desse problema. A falta de uma Universidade que suprimisse as necessidades de profissionais de nível superior, principalmente para o magistério, na Região Oeste, no Vale do Assú e nos municípios fronteiriços da Paraíba e Ceará, foi sanada com a criação da URRN, hoje UERN. A nossa Universidade foi criada como uma Fundação Municipal, ela, mesmo funcionando com dificuldades, supria a necessidade de uma instituição de ensino superior nessas regiões.


Mesmo tendo sido criada pelo Município de Mossoró, no final da gestão de Raimundo Soares (1968), ela nunca foi bem vista pelos alcaides mossoroenses. Segundo eles, a universidade era um peso para o erário municipal, mesmo com a sua manutenção compartilhada com os alunos. Os prefeitos reclamavam dos repasses que faziam.


Nessa época os professores eram muito mais colaboradores do que profissionais da instituição, chegamos a ficar dez meses sem receber salários. Isso foi possível nos primeiros anos da instituição. Com o crescimento e a necessidade da profissionalização dos seus quadros docentes e do pessoal técnico-administrativo, foi necessário buscar uma solução definitiva. A FURRN não poderia continuar sendo uma instituição amadora no oferecimento de cursos de nível superior.


Foi a partir dessa constatação que um pequeno grupo de professores iniciou um movimento com o objetivo de criar uma entidade de classe que pudesse liderar a luta pela definição institucional da URRN. Com esse objetivo foi criada a Associação dos Docentes, a heróica ADFURRN, fato ocorrido no dia 10 de setembro de 1980.


Era o inicio de todo um processo de transformação da URRN, que culminou com a sua estadualização. Foi uma luta difícil, que contou com a mobilização de toda sociedade potiguar. Ocorreu uma grande pressão popular, conduzida pela liderança do reitor da época, Padre Sátiro, tendo como esteio principal e basilar a ADFURRN.


Após a estadualização, as dificuldades com o Poder Executivo continuaram, a partir de então com os gestores estaduais, com menos intensidade nos governos de Geraldo Melo e Wilma de Faria. Geraldo foi o governador da estadualização, ele deixou a universidade à vontade na elaboração do seu novo estatuto e no tipo de universidade que os diversos segmentos queriam criar. O outro governo, o da Professora Wilma de Faria, sempre teve um olhar de compromisso com a instituição, existia um bom relacionamento entre o governo e a UERN.


José Agripino e Garibaldi Alves, neoliberais por convicção, não olharam com bons olhos para a UERN. Diminuir a máquina estatal, com uma política de arrocho salarial, era o que interessava. Foi um momento de achatamento salarial.


No governo Rosalba, o neoliberalismo voltou com toda força, o enfrentamento com os servidores públicos, a diminuição da máquina estatal, a utilização da Lei de Responsabilidade Fiscal, do famigerado Limite Prudencial, como argumento para o arrocho salarial, voltou a ser prioridade. Não existe diálogo, o governo impõe a sua vontade, e pronto.


O pior é a apatia da população, a falta de interesse do povo pela escola pública. A UERN está em greve há mais de três meses, e grande parte da mídia, amordaçada pela força de um governo que sabe utilizar as armas do poder, não diz nada. Na Assembléia Legislativa, a oposição sem espaço para ecoar as suas denúncias fica neutralizada. O povo, sem informações corretas, se posiciona contra a greve. O que fazer então? Acho que o movimento grevista necessita de uma nova estratégia de luta, precisa sensibilizar a sociedade e trazê-la para o seu lado. O atual governo é neoliberal e privatista por ideologia. Portanto, o arrocho salarial faz parte do seu programa de governo, além de ser privatista ele é favorável a ideia do estado mínimo.




Fonte: Antonio Capistrano / Portal Vermelho





GREVE na UERN: NOTA DE ESCLARECIMENTO


NOTA DE ESCLARECIMENTO SOBRE A POSIÇÃO OFICIAL DO GOVERNO EM RELAÇÃO A GREVE DA UERN
Secretário vê motivação política para a manutenção de greve na UERN.
  


A manchete acima corresponde a matéria publicada sábado 27 de agosto de 2011 no Jornal de Fato (ver texto completo no link: 
http://www.defato.com/politica.php). Através dela, o porta voz oficial do governo do Estado, Secretário de Administração José Anselmo de Carvalho, provavelmente orientado pela Governadora Rosalba Ciarline, acusa a greve da UERN de está sendo conduzida por interesses político-partidários. Vejam na íntegra o que afirma o secretário: "O que surpreende é a questão da rejeição das propostas que o governo faz e, por isso, não descarto que (a greve) tenha influências partidárias (...)As suspeitas de ingerência partidária se devem ao fato da maioria dos militantes sindicais estarem ligados a partidos políticos que tendem a apresentar candidatos nas próximas eleições municipais. Como a UERN é sediada em Mossoró, o objetivo seria beneficiar nomes ligados ao PT e ao PSB”.



Antes que tudo, inicialmente fazemos os seguintes esclarecimentos:


1.  O Comando de Greve dos Professores é suprapartidário, ou seja, nele encontram-se professores filiados ao PT, PCdoB e PMDB. Não identificamos nenhum membro filiado ao PSB, pelos menos ninguém se manifestou enquanto tal; também não sondamos essa possibilidade e muito menos investigamos a vida política partidária de nenhum membro. É necessário reter que a maioria de seus membros não tem nenhuma filiação partidária. Alguns até já manifestaram ter votado em Rosalba Ciarline para o governo do Estado;


2.  A Assembléia Geral dos Professores é a instância que delibera o início e o fim da greve. Cada membro do Comando tem apenas um voto na Assembléia Geral.

3.  Sobre nossas reivindicações, esclarecemos que, o que estamos reivindicando do ponto de vista salarial (23,98%) é um direito que a categoria conquistou através de seu Plano de Cargos e Salário de 1989. Imbuído de nossa responsabilidade institucional, nossa pauta de reivindicações também inclui: descontingenciamento do orçamento da UERN; suplementação de verbas, autonomia financeira, entre outros;


4.  Em relação ao movimento paredista, o Governo só se manifestou oficialmente com aproximadamente 20 dias de greve, mesmo assim de forma vazia, tendo em vista que propôs que a greve fosse suspensa uma vez que só em setembro de 2011 o governo teria possibilidade de atender as reivindicações;

5.  Em seguida, com aproximadamente 50 dias de greve o governo propôs a possibilidade de aumento para 2011 de 3% “se o limite prudencial do Estado não for um elemento impeditivo”;


6.  Finalmente, com 70 dias de greve o governo do Estado propôs oficialmente o escalonamento dos 23,98% reivindicado até 2014;


7.  A ADUERN comandou diversas greves nos três últimos governos estaduais: Garibaldi Filho, Vilma de Faria e Rosalba Ciarline. Vale ressaltar que desses três governos foi a Governadora Vilma de Faria quem mais atendeu as reivindicações salariais dos professores, chegando em 07 anos de governo a aproximadamente 110% de aumento para a categoria. Vale acrescentar também, que mesmo assim foi no governo Vilma de Faria que mais aconteceram greves na UERN. Isto é uma prova inconteste que a greve não é partidária, mas move-se por interesses estritamente institucionais;


Dizer que a categoria sistematicamente recusou as propostas do governo não condiz com a verdade, afinal, pelo exposto só com 70 dias de greve foi que o executivo estadual fez uma proposta concreta e discutível. Diante desta, abrindo mão da pauta original, a categoria de professores aceitou os prazos e os índices propostos pelo executivo estadual na certeza e com a convicção de que estava contribuindo para resolver o impasse. Nossa resposta ao governo incorporava sua proposição e acrescentava aos índices sugeridos os percentuais correspondentes a variação da inflação acumulada no período como forma de não impor perdas salariais à categoria ao longo dos próximos anos. Ressalte-se que no início do processo de negociação, membros do governo já haviam sinalizado positivamente com a possibilidade de atender o percentual apresentado, corrigindo os índices sugeridos, assim como acrescentado dos resíduos inflacionários que porventura existissem. Neste aspecto, foi o governo quem recuou de sua proposta.


Ainda sobre a ampla pauta de reivindicações da greve, em diversas ocasiões o Governo Estadual se comprometeu em descontingenciar os recursos financeiros da UERN. Entretanto, até este momento a liberação dos recursos não foi efetivada. Quem se nega a negociar?


Na verdade, o Secretário Anselmo Carvalho na medida em que acusa o movimento paredista de partidarismo tenta rebaixar e desqualificar o debate. Porque ao invés de se deter e opinar sobre a pauta de reivindicações da categoria, que é a motivação maior da greve, faz ilações especulativas em torno de intenções que só existem em sua mente, porque os fatos reais não correspondem às suas supostas afirmações.


Também é preciso reter, que em diversas ocasiões a governadora Rosalba Ciarline acusou o movimento paredista de ser partidário, uma vez “que no governo de Vilma de Faria a categoria aceitou um escalonamento de três anos, mas no governo dela esta mesma categoria não se dispõe a aceitar o mesmo escalonamento”. Aqui cabe um esclarecimento crucial: em primeiro lugar no governo Vilma de Faria nós aceitamos uma escalonamento de três anos para o correspondente a 64% e não para 27% em três anos como propõe a governadora Rosalba Ciarline. Em segundo lugar, em 2007, ano do acordo com a Governadora Vilma de Faria, a inflação não chegava a 2% ao ano. Em 2011 a inflação pode chegar a um patamar de 6,5%, com projeções para 2012, 2013 e 2014 de 21% de inflação acumulada.


As insinuações provocativas do secretário têm como objetivo central escamotear as reais intenções do governo para com a UERN. Aqui cabe uma pergunta fundamental: Por que o governo contingenciou os recursos financeiros da instituição? Esta medida tem motivação política ou é de outra natureza? Por fim, diante de fatos tão incontestáveis, a conclusão isenta, ilibada e imparcial sobre o histórico deste movimento paredista, é que quem “esticou a corda da greve” foi o Governo Estadual.


Prof. Flaubert Fernandes Torquato Lopes
Presidente da ADUERN
Prof. Carlos Alberto Nascimento de Andrade
Membro do Comando de Greve dos Professores da

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Greve da UERN ganha destaque no Twitter.


Imagem: Thaisa Galvao
Hoje era um dos dias mais aguardados pela imprensa e pela população potiguar, visto que em São Paulo ocorria um importante leilão que determinaria o grupo que construirá o tão esperado Aeroporto de São Gonçalo, na região metropolitana de Natal. O grupo vencedor foi o Inframérica que deve investir, até a Copa do Mundo de 2014, cerca de R$ 370 milhões na construção do terminal. Esse valor chegará a R$ 650 milhões na segunda etapa da obra. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve financiar 70% desses valores.

Contudo o grande destaque nas redes sociais não foi o consórcio Inframérica, nem o aeroporto de São Gonçalo. Quem dominou durante todo o dia as discussões no Twitter e Facebook foi a greve da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), que já dura 83 dias.

Alunos, professores e demais servidores da instituição iniciaram, na manhã de hoje, um twittaço com a hastag #emdefesadaUern. O movimento foi um sucesso. Durante praticamente todo o dia a hastag #emdefesadaUern esteve entre os dez assuntos mais twittados no Brasil, chegando à tarde a assumir o primeiro lugar no Trending Topics Brasil. Além dos estudantes e servidores da UERN, participaram do movimento políticos, instituições e cidadãos potiguares.

Para quem não é adepto do microblog Twitter, vale esclarecer que o “Twittaço” ocorre quando um grupo de pessoas decide abordar sobre um mesmo assunto, ao mesmo tempo, pelo Twitter, transformando, com isso, o tema num dos mais comentados do Brasil na rede virtual.

O objetivo do movimento #emdefesadaUERN é pressionar o Governo do Estado a atender às reivindicações de estudantes e professores, que paralisados há aproximadamente três meses reclamam por reformas estruturais e o descontingenciamento da universidade estadual.


terça-feira, 16 de agosto de 2011

Amanda Gurgel: nada foi resolvido


Professora que virou “hit” na web volta ao trabalho e diz que nada  foi  resolvido

Amanda Gurgel retomou rotina de aulas após greve e criticou postura dos deputados


Renan Truffi, Do R7

professora Amanda Gurgel


Após depoimento na internet, professora Amanda Gurgel virou símbolo da luta pela educação
Quatro meses após virar hit na web por causa de um vídeo em que critica o descaso com a educação no Brasil, a professora Amanda Gurgel voltou à sala de aula, em escola no Rio Grande do Norte. O fim da greve dos professores no Estado, que durou pouco mais de 80 dias, colocou a docente novamente na rotina exaustante da profissão. Apesar de ter ficado famosa e falado em jornais e TVs sobre o problema, ela admite que ao fim da greve tudo “continua do mesmo jeito”.

Amanda Gurgel conversou com o R7 para contar como foi retornar à escola depois de ficar conhecida no país. Ela avaliou o período em que representou uma das áreas que mais sofrem com falta de investimento do governo.

- Pessoas do Brasil inteiro foram sensíveis o suficiente para compreender o caos em que a educação se encontra. Inclusive viram que o problema da educação tinha uma identidade que era eu. Elas estavam me reconhecendo dessa forma. Apesar disso, nada na educação do Rio Grande do Norte mudou. Fizemos uma greve de mais de 80 dias e saímos da paralisação com a mesma proposta que a gente recebeu no começo. A proposta foi mantida até o final, um aumento que não passa do piso nacional.

Assim como antes do início da paralisação e da explosão de visualizações do seu vídeo na internet, a professora acorda todos os dias às 5h da manhã e pega três ônibus antes de chegar à Escola Estadual Myriam Coeli, na capital Natal, onde é responsável pelas aulas de português de 250 alunos dos 2º e 3º anos do ensino médio. O trabalho só termina às 17h30 depois de cuidar de aproximadamente 400 alunos que passam pelo laboratório de informática da Escola Municipal Professor Amadeu Araújo, onde cumpre expediente no período da tarde.

- As pessoas com quem eu convivo, que são meus colegas de trabalho, estão orgulhosas pelo fato de ter uma colega deles falando sobre a rotina dos professores nacionalmente e sendo reconhecida e respeitada por isso. Já os alunos ficam vaidosos por terem uma professora famosa, como eles dizem. Tenho conversado com eles e trabalhado bastante para que não vejam desta forma.
Relembre o vídeo pelo qual Amanda ficou famosa na internet:






Apesar de seu esforço, ela ainda é vista como celebridade por boa parte de seus conterrâneos. A professora ainda precisa interromper a entrevista com a reportagem para tirar foto com “fãs” que a parabenizam pela sua atitude, característica que Amanda ainda exercita quando argumenta sobre a realidade nas escolas

- Na verdade, os problemas continuam iguais. Os meus alunos não tiveram professores de português no ano passado. Eles estão com conteúdo defasado na disciplina e por mais que eu queira, por mais que eu me esforce, não vou conseguir trabalhar a matéria de dois anos em apenas um [ano letivo]. Não tenho condições. Eles sabem de tudo isso. Tenho me empenhado, mas não está fácil. Eles estão super-indisciplinados no que se refere a ritmo de estudo e leitura, porque, como passaram um ano sem professor, perderam esse hábito. Tenho tentado manter a tranquilidade, principalmente por causa da concepção de que eu não sou responsável por este prejuízo.

Mas, em pelo menos um ponto, Amanda Gurgel acredita que a divulgação do seu vídeo ajudou. Após milhares de visualizações, a greve ganhou mais força e o governo de Rosalba Ciarlini (DEM) foi prejudicado.

- A governadora [Rosalba Ciarlini] sabe de tudo isso [falta de professor nas escolas]. Mas não toma providência porque o que importa é que os alunos estejam nas escolas. É um depósito de alunos. A avaliação que a gente faz é que, se não fosse o vídeo, as retaliações do governo [contra a greve] teriam vindo antes. E, por esta repercussão nacional, o governo de Rosalba acabou sofrendo um desgaste especial. A maior vitória da nossa greve é que o governo do Rio Grande do Norte está praticamente falido.

Política 
O sucesso do vídeo também proporcionou a Amanda uma visita ao Congresso Nacional. Ela tentou pedir a palavra em uma reunião da Comissão de Educação e Cultura, na qual estava presente o ministro da Educação, Fernando Haddad. Queria reivindicar o investimento de 10% do PIB (Produto Interno Bruto) na educação do país. Mas não conseguiu falar por questões regimentais.


- Tentei falar lá [na Câmara dos Deputados], mas não foi possível. Vi que os discursos eram pautados na questão da possibilidade, não no que é necessário. Achei um absurdo. Mas serviu para vermos aquilo que já sabemos. Os nossos deputados estão pouco se lixando para a educação. As impossibilidades e limitações são feitas por eles mesmos.

Apesar de ser filiada no PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados) há nove meses, portanto antes de ficar famosa, a professora diz estar em dúvida sobre a possibilidade de se candidatar a algum cargo público em 2012, quando haverá eleições para prefeito e vereador. Diariamente, pessoas que encontram com Amanda no trajeto até o trabalho pedem para que a professora se candidate.
- Eu também tenho pensando particularmente sobre essa questão porque não sei se é isso o que eu quero. Para mim, internamente, se for isso, eu vou encarar. As pessoas têm falado isso no ônibus, no ponto de ônibus, nas redes sociais. Elas falam de tudo: prefeita, senadora, presidenta, vereadora. O concreto é que teremos eleição para vereador e prefeito.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

SEGMENTOS REALIZAM “UERN EM DEBATE”


ADUERN 30 Anos

Com o objetivo de discutir o papel e a contribuição da UERN para o desenvolvimento do Rio Grande do Norte e articular apoios em defesa da Universidade como patrimônio do Estado, a ADUERN, SINTAUERN, DCE E COMEM realizam nesta quinta-feira (11), o evento “UERN em Debate”.
A mobilização, que integra as atividades de greve dos segmentos, acontece no Pátio da Reitoria da UERN, às 8h. Para participar do evento, foram convidados políticos, religiosos, movimentos sociais, sindicatos, ex-reitores e autoridades acadêmicas. Na ocasião, ainda haverá o lançamento de um manifesto e abaixo-assinado em defesa da UERN.
Segundo o professor Flaubert Torquato, presidente da ADUERN, o ato está inserido na luta em defesa da universidade pública. “Vamos discutir os problemas da UERN, as formas de combater a crise atual e a política de financiamento que vem sendo desenvolvida pelo governo estadual”, afirma.
PROFESSORES CONTRATADOS
A ADUERN considera a decisão do Reitor Milton Marques de romper o contrato dos professores substitutos uma retaliação à greve dos docentes da UERN. O Sindicato já havia alertado a Administração da UERN que não aceitaria tal medida por entender que a greve é um direito dos servidores. Assim, considera esse gesto como uma afronta ao direito constitucional de greve.
Por sua vez, a ADUERN entende que essa atitude representa uma quebra de compromisso do Reitor com a entidade, pois o mesmo já havia assegurado anteriormente que não iria efetuar essas rescisões.
 “É inadmissível que a Reitoria da UERN promova represálias, justamente no momento em que o próprio Governo do Estado recuou da vontade de pedir a ilegalidade do movimento”, afirma o professor Flaubert Torquato, presidente da ADUERN.
 Por estas e outras razões, a ADUERN comunica aos professores substitutos que não compareçam a PRORHAE para assinar a rescisão até um posicionamento oficial do sindicato. A questão já foi submetida à apreciação da Assessoria Jurídica que, em breve, se manifestará a respeito do assunto.

Jornalista
Talita Lucena (DRT 1551-RN)

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Estado comemora vitória contra os professores e o prejuízo dos 300 mil alunos do RN

Por Cezar Alves


De ontem para hoje tenho sido abordado freqüentemente na rua com a seguinte pergunta: Quem venceu a queda de braço entre governo e professores?


Explico a cada um deles e agora faço aqui. A pergunta está errada. Não é para perguntar se foi o governo ou os professores que venceu. Isto não tem pouco sentido ao cidadão.

A pergunta correta é: qual foi o tamanho do prejuízo dos 300 mil estudantes durante os 80 dias de greve e os 56 dias sem aula no Rio Grande do Norte?

Seguida da seguinte pergunta: O que o nobre amigo cidadão está fazendo para reverter este quadro calamitoso, desastroso, negro que a Educação está caminhando há anos?

Estas perguntas nos remetem a várias reflexões necessárias como cidadão, algo que pouco temos feito a respeito de questões tão graves quanto o tema Educação pública.

O descaso do Estado com educação em todos os sentidos é fato incontestável. Logo não existe o que se discutir sobre quem ganhou a queda de braço se o Estado ou professores.

A única coisa que merece um debate é o tamanho do prejuízo dos 300 mil alunos da rede estadual de ensino. Perderam 6 meses de estudos. O que eles fizeram nestes 6 meses?

Mas o professor grevista pode perguntar: “Mas estes estudantes estivessem nas escolas caindo aos pedaços, com professores carrancudos, despreparados, ganhando ruim, sem livros, sem merenda que preste, do que adiantaria?”

Ou seja, diante do atual quadro calamitoso da educação, defendo que o cidadão deveria está na rua cobrando melhores resultados de seus governos na Educação e não ficar olhando com o rabo do olho para o professor que está apenas brigando por seus direitos assegurados em lei.

Quer saber o nível de aprendizagem dos alunos nas escolas de segundo grau, vá a qualquer universidade e pergunte o nível de desempenho médio dos universitários.

Enfim, o prejuízo dos estudantes é de bem antes da greve e não é pequeno. É gigante. E a culpa é sua, é minha, é nossa. Somos os pais e o Estado e como tal temos a obrigação de providenciar o melhor para nossos filhos.

E quem tá no governo? Resposta: entendo que são apenas meus empregados desobedientes.

Ao #levantedoelefante!



Fonte: www.nominuto.com

O tal dano da greve.

Por PABLO CAPISTRANO*




Tem danos que vem com a ausência. Tem outros que chegam mesmo na presença. Lembro de ter ouvido uma história em Santa Cruz, sobre uma aluna recém concluinte do ensino médio que chorou diante de uma prova de vestibular da UFRN.

Quando ela abriu a prova de Física entrou em pânico. Nada daquele vasto universo de conceitos exóticos e intrincadas ideias, transmutáveis em fórmulas matemáticas, fazia sentido para ela. A garota havia passado todo o ensino médio regularmente matriculada na rede pública de ensino do estado do Rio Grande do Norte e havia estudado apenas um assunto da disciplina de Física.

Um único, inexpugnável, irredutível, tema. Uma única e absoluta problemática. Uma só grande questão desde que Galileu, Copernico, Newton e Heisenberg pisaram sobre a terra. Um mesmo tópico, alçado a tal categoria de abrangência, que parecia resumir tudo o que os físicos construíram em quase três mil anos de ciência ocidental. A garota havia passado o ensino médio estudando Movimento Retilíneo Uniforme e Movimento Uniformemente Variado, nada mais, nada menos.

Um ex-aluno, também recém formado no ensino médio, fazia as vezes de professor, ocupando um espaço vago na sala de aula, tentando, com seu esforço pessoal, suprir as carências daquela turma. Como o rapaz, sem perspectiva de uma graduação na área de Física, só dominava esse tema, só tinha condições de ensinar esse único tópico.

A despeito de ter ou não acontecido desta forma, essa surrealista história nos alerta para um dado muito evidente: o dano pedagógico não se cristaliza apenas quando a escola está fechada, com seus servidores mobilizados por uma greve.

O dano pedagógico também se processa quando as portas da escola estão abertas e se manifesta costumeiramente em uma carência, em uma ausência, em uma desconcertante ilusão: a ideia de que o fato de o aluno estar em sala de aula é razão necessária e suficiente para que a qualidade do ensino se manifeste.

Esse delírio ontológico nos faz pensar que só o fato do aluno estar diante de um professor já exime o Estado de suas responsabilidades em empreender políticas reais, efetivas de valorização da educação.

Faz tempo que o Estado potiguar se auto alforriou da obrigação de implementar uma política educacional de qualidade. Faz tempo que não há interesse, por parte do poder público em pôr em uma mesma sala de aula o filho do juiz e o filho da empregada doméstica. Faz muito tempo, que setores mais influentes da sociedade brasileira, se acostumaram a pensar que o espaço da escola pública é um espaço de uma educação pobre para o povo pobre.

Esse é um modo perverso de manter aquela velha ordem aristocrática de poder social, na qual filhos de famílias bem dotadas economicamente tem a concorrência por posições sociais diminuída em função do desnível, do descompasso, entre a educação que lhes é oferecida e a educação que se oferece para os filhos dos empregados de seus pais.

Não é a greve, amigo velho, que produz o verdadeiro dano ao aluno da escola pública potiguar. Não são os professores, cansados de serem tratados como cidadãos de segunda classe, lançados pela lógica da exclusão na base da cadeia alimentar das profissões, que criam o dano real aos alunos desse estado. É essa sede, amigo velho, essa carência de cuidado, que nasce da omissão de uma sociedade que parece não estar muito a fim de levar a sério a educação de seus filhos. Uma sociedade que elege a muitas décadas governos produtores de greves, sucateadores de sonhos, moedores das esperanças de gerações e gerações de alunos potiguares.

 
 
* Publicado no Blog Simplesmente Sirlia

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Trabalhadores em educação encerram greve mesmo sem acordo


Reunidos em assembleia no final da tarde desta quarta-feira (20) os trabalhadores em educação da rede estadual de ensino deliberaram pelo termino do movimento paredista.

A greve foi deliberada em assembleia estadual dos trabalhadores em educação no dia 28 de abril, tendo inicio em 02 de maio.

Essa foi à greve mais longa já realizada pelos trabalhadores em educação, foram 80 dias de greve, sendo 56 dias letivos.

Mesmo sem ter a pauta dos trabalhadores em educação sido atendida pelo governo os trabalhadores em educação deliberaram por maioria encerrar o movimento grevista.

Janeayre Souto, diretora de Organização do SINTE, lamenta a forma como o governo estadual impôs o encerramento da greve dos trabalhadores em educação. Com a nossa greve nós mostramos ao governo que os trabalhadores em educação não se curvam ao pé do poder judiciário.

Mostramos ao governo que nós estamos prontos para a luta.
Não esperávamos nunca que ao invés do dialogo politico o governo estadual impusesse uma derrota aos trabalhadores em educação através do poder judiciário. Terminamos a nossa greve após 80 dias corridos e 56 dias letivos, voltamos para as nossas escolas de cabeça baixa e desestimulada, sem o governo atender a nossa pauta de reivindicação. Agora perguntamos do que vai adiantar voltarmos para as nossas escolas dessa forma, a truculência do governo estadual e a judicialização da greve foi o que impuseram o encerramento do nosso movimento paredista, desabafa a dirigente do SINTE, Janeayre Souto.

Senhora Governadora e senhora Secretária de Educação, o governo impôs aos trabalhadores em educação com a sua truculência, com a seu autoritarismo e a judicialização da nossa greve o encerramento, derrotando o movimento paredista. Agora de uma coisa tenham certeza toda à população do Rio Grande do Norte conhece e sabe como o governo trata a educação do RN e com certeza jamais irão esquecer-se do autoritarismo e da truculência de vocês, essa é a hora do recuo mais com certeza iremos responder a tudo isso com a mesma intensidade com que vocês nos derrotaram.

Aproveitamos aqui esse espaço para parabenizar a todos os trabalhadores em educação do nosso estado que mais uma vez escreveram uma página no livro que conta a historia da classe trabalhadora do RN, vocês são heróis! Vocês são vencedores! Meus parabéns!


Publicado no www.janeayresouto.com.br