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quinta-feira, 9 de julho de 2015
quinta-feira, 18 de abril de 2013
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Chuva de letras
Chuva de letras
Reguei a mente
com a chuva que
caiu em páginas.
Germinou a semente
que enterrada estava.
Por Alexandre Reis
www.facebook.com/EscrevendoSemeando
* Imagem via Humor Inteligente (www.facebook.com/humorinteligente01)
sábado, 20 de outubro de 2012
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Poeta potiguar terá livro adotado em SP
![]() |
| Antonio Francisco terá livro adotado pelo município de SP |
A Secretaria de Educação do Município de São Paulo, um dos mais importantes do país, acaba de concluir um processo seletivo para livros paradidáticos a serem adotados nas escolas da rede municipal de ensino. E eis que a editora cearense Imeph, conseguiu ter aprovados nada menos que seis títulos na referida seleção. A mesma quantidade que a Editora Globo aprovou e a mesma meia dúzia aprovada pela também poderosa Editora Positivo, que domina as compras governamentais em muitos municípios potiguares. Entre os seis títulos, Os Animais têm Razão de Antonio Francisco, o poeta da Lagoa do Mato, vizinho do Alto do Xerém.
Antônio Francisco Teixeira de Melo (Mossoró, 21 de outubro de 1949) é um cordelista potiguar. Filho de Francisco Petronilo de Melo e Pêdra Teixeira de Melo. Graduado em História pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Poeta popular, cordelista, xilógrafo e compositor – ainda confecciona placas.Aos 46 anos, muito tardiamente, começou sua carreira literária, já que era dedicado ao esporte, fazia muitas viagens de bicicleta pelo Nordeste e não tinha tempo para outras atividades. Muitos de seus poemas já são alvo de estudo de vários compositores do Rio Grande do Norte e de outros estados brasileiros, interessados na grande musicalidade que possuem.Em 15 de Maio de 2006, tomou posse na Academia Brasileira de Literatura de Cordel, na cadeira de número 15, cujo patrono é o saudoso poeta cearense Patativa do Assaré. A partir daí, já vem sendo chamado de o “novo Patativa do Assaré”, devido à cadeira que ocupa e à qualidade de seus versos.
Pois é. O nosso querido Antonio Francisco vai ser lido e pedagogicamente trabalhado nas escolas da rede municipal de Sampa. Na verdade tal fato não é para nós surpresa alguma, uma vez que sabemos há muito, do imenso valor didático presentes nos textos do poeta Antonio Francisco.
Espero que, a partir de agora, esse grande poeta possa ser devidamente valorizado pelos donos da "casa" que fazem o poder público potiguar, em todas as esferas.
Parabéns a todos que fazem parte da editora Imeph e, em especial, ao meu amigo Antonio Francisco por mais um feito literário.
Para conhecer mais do Poeta Antônio Francisco, acesse: http://poetaantoniofrancisco.com.br.
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
terça-feira, 7 de agosto de 2012
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
terça-feira, 24 de julho de 2012
8ª Feira do Livro de Mossoró
Vem aí a 8ª edição da Feira do Livro de Mossoró!
Enquanto não chega o grande dia, que tal conhecer como será a estrutura e a programação do evento deste ano, que vai acontecer no Expocenter?
Clique aqui e confira!
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Cabine telefônica vira pequena biblioteca
Os moradores da cidade de Cunning, na Grã-Bretanha descobriram uma nova maneira de lidar com a escassez de bibliotecas em sua área, transformando um telefone antigo caixa vermelha em uma troca de livros.
O telefone do quiosque ex-BT foi transformado a partir de uma central telefônica para a menor biblioteca da Grã-Bretanha por residentes na cidade e agora a pequena biblioteca possui em torno de 100 títulos.
Os moradores se uniram para criar a caixa de livro depois de seu serviço de biblioteca móvel foi cancelada.
A biblioteca de caixa de telefone está aberto todos os dias durante 24 horas e é iluminada à noite. Existe um controle regular sobre ele para ver se alguns títulos não estão se movendo. Estes são, então, enviados a uma loja de caridade para manter a coleção da caixa de telefone novo.
BT recebeu 770 pedidos de comunidades para adotar um quiosque e até 350 caixas telefônicas antigas foram entregues aos conselhos paroquiais.
| Livro caixa: Os moradores da vila de Somerset Westbury-sub-Mendip esperam na fila para usar a menor biblioteca do país, que foi convertido de uma caixa de telefone antigo vermelho |
O telefone do quiosque ex-BT foi transformado a partir de uma central telefônica para a menor biblioteca da Grã-Bretanha por residentes na cidade e agora a pequena biblioteca possui em torno de 100 títulos.
| Boa leitura: A caixa de telefone agora abriga títulos de livros de culinária para os clássicos e sucessos de livros infantis |
Os moradores se uniram para criar a caixa de livro depois de seu serviço de biblioteca móvel foi cancelada.
A junta de freguesia adquiriu a caixa, um projeto Giles Gilbert Scott K6, em R $ 1, e residentes na vila de Somerset Westbury-sub-Mendip colocaram prateleiras de madeira dentro e doaram seus próprios livros.
A biblioteca de caixa de telefone está aberto todos os dias durante 24 horas e é iluminada à noite. Existe um controle regular sobre ele para ver se alguns títulos não estão se movendo. Estes são, então, enviados a uma loja de caridade para manter a coleção da caixa de telefone novo.
BT recebeu 770 pedidos de comunidades para adotar um quiosque e até 350 caixas telefônicas antigas foram entregues aos conselhos paroquiais.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Ler é mais que preciso, é indispensável!
Texto de José Stédile*
Questionado se tem o hábito da leitura, o escritor Ariano Suassuna disse que não. “Eu tenho a paixão da leitura. O livro sempre foi para mim uma fonte de encantamento”, disse ele. Já o estudioso Antonio Cândido defende o Direito à Literatura como direito humano, pois se algo é indispensável para nós, deve ser também indispensável para o próximo. Moacyr Scliar escreveu que a casa da leitura tem muitas portas, e a porta do prazer é das mais largas e acolhedoras.
Neste mês, comemora-se o Dia Nacional do Livro Infantil, em 18 de abril, dia do nascimento de Monteiro Lobato, e o Dia Mundial do Livro, em 23 de abril, falecimento de Cervantes e de Shakespeare. Estas datas nos cobram uma reflexão sobre a leitura no país.
A pesquisa Retrato da Leitura no Brasil, divulgada em março, revelou que o brasileiro está lendo menos. De acordo com o levantamento, o número de brasileiros considerados leitores – aqueles que haviam lido ao menos uma obra nos três meses que antecederam a pesquisa – caiu de 95,6 milhões (55% da população estimada), em 2007, para 88,2 milhões (50%), em 2011.
Além das justificativas das novas tecnologias, falta de estímulo e alto custo, a indiferença dos brasileiros pelos livros tem raízes mais profundas. Séculos de escravidão levaram os líderes do país a negligenciar a educação. A escola primária só se tornou universal na década de 90. As bibliotecas e as livrarias ainda não conseguiram emplacar. Cerca de 75% da população brasileira jamais pisou numa biblioteca.
Outro fato importante é que só 26% dos brasileiros entre 15 e 64 anos encontram-se no nível pleno de alfabetização, ou seja, têm hoje condição de ler e compreender integralmente um texto longo. Não é possível pensar que exista um país, com o crescimento do nosso, que possui uma taxa de 70% de analfabetos funcionais.
Portanto, acredito que, no ano em que declaramos o educador Paulo Freire patrono da educação brasileira, temos o dever de lutar para que homens e mulheres enxerguem o mundo com outros olhos, sem limitações. Por isso, propus a criação da Frente Parlamentar em Defesa da Biblioteca Pública na Câmara dos Deputados.
O objetivo é destacar o papel estratégico da Biblioteca Pública na formação intelectual do cidadão. Além disso, promover debates sobre políticas de criação, modernização e capacitação técnica dos profissionais, para garantir acesso amplo e irrestrito da sociedade à leitura.
*DEPUTADO FEDERAL (PSB-RS) E PRESIDENTE DA FRENTE PARLAMENTAR EM DEFESA DA BIBLIOTECA PÚBLICA
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Feliz Dia Mundial do Livro!
Durante o ano a gente tem um monte de dias dedicados ao livro: Dia do Livro Infantil, Dia Nacional do Livro, Dia da Leitura, etc. Hoje (23), por exemplo, é o Dia Internacional do Livro. Dia do livro é tipo dia do amigo, tem várias vezes por ano. E assim como amigos, livros são coisas essenciais na vida de uma pessoa (ou, pelo menos, na minha).

Pesquisando na web, acabei por descobrir que o Dia mundial do Livro teve sua origem na Catalunha, Espanha. A primeira comemoração aconteceu em 7 de outubro de 1926, data na qual Miguel de Cervantes comemorava aniversário. Cervantes é autor do clássico Dom Quixote!
Mas... aí vem a pergunta que não quer calar. Se o dia do livro era comemorado 7 de outubro, por que hoje estamos comemorando essa data no dia 23 de abril?
Calma. Há uma explicação para isso. É que posteriormente resolveram transferir a data para o aniversário de morte de Miguel de Cervantes, não aniversário de nascimento. Desse modo, a data que era comemorada no dia 07 de outubro foi transferida para o dia 23 de abril a partir do ano de 1930, relembrando a morte de Cervantes que acontecera em 1616!
Vale contudo ressaltar que somente a partir de 1996, a UNESCO instituiu oficialmente a data como Dia Mundial do Livro, por ser, além disso, data de aniversário e morte de William Shakespeare e alguns outros escritores mundialmente famosos. Atualmente, o Dia Mundial do Livro é muito mais marcado pelo aniversário de Shakespeare do que por Cervantes.
Quem me conhece sabe que o livro é elemento essencial na minha vida, contudo para muitas pessoas o livro é algo supérfluo e pouquíssimo valorizado em nosso país. A última pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil" mostrou que o Brasil, infelizmente, ainda é um país de poucos leitores, o que é lamentável.
O caminho para mudar essa realidade passa pela educação, claro, mas cada um em casa, na rua, no trabalho, pode contribuir para isso, incentivando outras pessoas a lerem e mostrando como o livro é importante para cada um de nós. Como leitores, cabe-nos ajudarmos a transformar o Brasil em um país de leitores!
domingo, 15 de abril de 2012
Pessoas que leem são mais legais
Pesquisadores da Universidade de Washington e Lee (EUA) constataram esse efeito com um teste bem simples: colocaram voluntários para ler uma história bem curtinha, fizeram algumas perguntas para identificar o quanto cada um tinha curtido o que leu e aí derrubaram, sem querer querendo, um monte de canetas no chão. O estudo conta que, quanto mais“transportadas” para dentro da história as pessoas tinham sido, maiores eram as chances de levantarem o bumbum da cadeira para ajudar a recolher as canetas.
A explicação é que quando lemos algo que realmente mexe com a gente, criamos empatia pelos personagens da história — e quanto maior essa empatia, mais propenso a gente fica a ser bacana com os outros na vida real. E você aí, anda lendo muito?
Crédito da foto: flickr.com/ciro
Fonte: Revista Superinteressante
quinta-feira, 22 de março de 2012
Que tal um PPP em nossa cidade?
Através da companheira de luta por essa tão relevante causa, Sirlia Lira, tomei conhecimento desta ideia simples, que pode ser adotada em qualquer lugar onde haja gestores verdadeiramente preocupados com a formação de leitores e cidadãos críticos.
| Parada Para leitura nos Parques |
Este suporte (na foto acima) faz parte da “Parada Para leitura nos Parques” (PPP), um programa criado, há 10 anos, pelo governo da Colômbia com o intuito de ajudar a promover a alfabetização em todo o país. O programa faz parte da FUNDALECTURA em associação com os parques da cidade.
Atualmente, existem 47 PPP em vários bairros de Bogotá, e um total de 100 em todo o país. Cada “stand” funciona por cerca de 12 horas por semana, sob a responsabilidade de um voluntário (na verdade, eles recebem uma pequena bolsa, mas não é muito).
As PPP's abrem frequentemente durante os fins de semana, e quando em atividade, oferecem serviços de uma biblioteca regulares. O pessoal da PPP organiza algumas atividades (principalmente direcionado as crianças), onde os usuários além de ler e pesquisar, tiram também as dúvidas dos deveres de casa.
Ao ver a foto acima, logo imaginei um... um não... Imaginei vários "stands" desse espalhados por vários pontos da minha Apodi: Praça da Bíblia, Bico Torto, Bacurau I e II, Conjunto IPE, Posto Brasília, Calçadão da Lagoa... Alguns dirão que ando sonhando demais. Talvez sim, já que os nossos gestores dedicam-se tão somente a construir em nossa cidade praças e espaços recheados de bares. E depois ainda nos questionamos porque nossos jovens se envolvem tanto com droga e violência. E eu respondo com outra pergunta: o que andamos oferecendo a eles?
De qualquer forma, fica a sugestão para os candidatos nas próximas eleições. Quem sabe, no futuro, algum deles abrace a ideia de fomentarmos a leitura em nosso povo e torne minha utópica ideia em uma feliz realidade.
"Um país se faz com homens e livros."
(Monteiro Lobato)
Fonte do vídeo: ►. http://www.citytv.com.co/videos/4744/detengase-en-un-paradero-para-libros-para-parques-ppp-este-dia-del-idioma
Mais informações: ► http://www.bilinguallibrarian.com/2010/02/21/paradero-para-libros-para-parques
quarta-feira, 21 de março de 2012
Vamos curtir?
Hoje, venho compartilhar com vocês esse lindo curta-metragem sobre livros, que descobri navegando aqui pela net. The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore (Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore) é um curta de animação dos estúdios Moonbot que buscaram inspiração na passagem devastadora do furacão Katrina por Nova Orleans, em 2005, no clássico O Mágico de Oz e no amor pelos livros para contar uma história sobre pessoas que dedicam suas vidas aos livros. O filme nos faz refletir sobre como as histórias podem nos renovar, e como os livros ganham vida quando em contato com nós, leitores. O vídeo não tem falas, mas possui uma trilha sonora e uma narrativa envolventes que valem os 15 minutos na viagem "vídeo-literária".
Você que, como eu, é amante dos livros... Curta aí!
sexta-feira, 2 de março de 2012
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
O livro
"Dos diversos instrumentos do homem, o mais assombroso é, indubitavelmente, o livro. Os outros são extensões do seu corpo. O microscópio e o telescópio são extensões da vista; o telefone é o prolongamento da voz; seguem-se o arado e a espada, extensões do seu braço. Mas o livro é outra coisa: o livro é uma extensão da memória e da imaginação.
Em «César e Cleópatra» de Shaw, quando se fala da biblioteca de Alexandria, diz-se que ela é a memória da humanidade. O livro é isso e também algo mais: a imaginação. Pois o que é o nosso passado senão uma série de sonhos? Que diferença pode haver entre recordar sonhos e recordar o passado? Tal é a função que o livro realiza.(...) Se lemos um livro antigo, é como se lêssemos todo o tempo que transcorreu até nós desde o dia em que ele foi escrito. Por isso convém manter o culto do livro.
O livro pode estar cheio de coisas erradas, podemos não estar de acordo com as opiniões do autor, mas mesmo assim conserva alguma coisa de sagrado, algo de divino, não para ser objeto de respeito supersticioso, mas para que o abordemos com o desejo de encontrar felicidade, de encontrar sabedoria."
[Jorge Luís Borges, in 'Ensaio: O Livro']
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Ler devia ser proibido
A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido. Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.
Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação. Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido. Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.
Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular um curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.
Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.
O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?
É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova... Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.
Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos. Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil. Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos... A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.
Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido. Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.
Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular um curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.
Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.
O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?
É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova... Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.
Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos. Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil. Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos... A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.
Guiomar de Grammont
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