domingo, 12 de junho de 2011

Romance de Domingo


Aventuras do Menino Danta e seu amigo Guerra



Capítulo V



         Ontem foi a última noitada do circo “Maior de Todos”. Na despedida ficou repleto como todas as 61 noites de funcionamento em Verdejante. Nenhum problema. Nenhum inconveniente até esse instante quando o dono do bode Merlim dá por falta do estimado e valioso animal.
         - Vamos todos! Rápido! O bode Merlim sumiu!
         Houve um pandemônio. Ninguém sabia para onde ir. Procura nos baús. Debaixo das lonas. Vê do outro lado. Lá embaixo. Não estaria para as bandas do Jatobá? Quem levou o bode? O adivinho encontrava-se amarrado. Gordo e forte como um touro! Nenhuma vestígio do precioso astro do circo Maior de Todos.
         A Polícia é acionada. O Delgado Luiz Marchante chega para se inteirar do que realmente aconteceu e tomar as providências.
         - O bode sumiu, Delegado!
         Exclamou o homem quase chorando.
         - Como sumiu?
         - Sumindo!
         - Quem teve a petulância de roubar tão importante artista? Sim, porque apesar de ser um bode, sabia fazer coisas que poucos humanos fariam!
         Bradou histrionicamente como sempre. Era um demagogo por excelência. Assim como sabia elogiar um bode, logo mais poderia destrata-lo na mesma medida.
         - Sei quem foi não. Ninguém sabe e ninguém viu. Já procuramos o bichinho por tudo quanto é lugar e nada...
         - Não havia um vigilante para essas ocasiões? Pelo menos durante a noite?
         - Havia. Mas parece que cegou.
         - Mas notou a sua falta a que horas?
         - Inda agorinha. Fui vê umas coisas por perto onde ele ficava sempre e... Nem sombra do nosso bode!
         O Delegado chamou três polícias, os melhores e mais espertos e ordenou:
         - Juca, Firmino e Lúcio. Vocês vão, cada um para uma das saídas da cidade: Pé de Serra, Bico Torto e Missões. Interroguem todo mundo. Estejam de espreita, vigiando o mata-burro. A qualquer sinal do bode prendam-no! Prendam o ladrão também. Vão!
         Sem outras instruções os homens saíram. Intrigados, pois sequer conduziam uma arma. Fariam o serviço somente com as mãos? E se o criminoso estiver armado? Diacho de vida, sô! Foi o que pode dizer um das milícias.
         Luiz Marchante ficou de papo com o domador do bode. Muita gente acorreu ao local, saber da novidade. Guerra e Danta lá estavam. Encontraram com Wilson. Chegaram para perto do Delegado. Ouviam o parlapatão.
         - Mas que se passa num sujeito que faz uma maldade desta! Isso é coisa de gente de fora. Da nossa cidade duvido que haja um elemento ruim assim! Mas, diga-me, ó meu bom homem: a que horas o bode foi dormir?
         - Sei não seu Delegado. Nem sei se bode dorme?
         - Ué, você não vive com seu bichinho de estimação? Como não sabe se ele dorme?
         O outro foi sentar sobre pequeno feixe de cordas. Os cães pertencentes ao circo pareciam entender o sucedido, caminhavam avexados de um lado para o outro, abanando o rabo e com sintomas de muita estricção. Aqui e acolá emitiam latidos. Agora chega o proprietário do circo. Conhecido por Sebastião Cruz do Amarante. Sua alcunha?Palhaço Pimentinha!
         - Como vai, senhor Delegado?
         - Bem, e o senhor?
         - Estaria ótimo não fosse o desfecho da nossa última noitada nesta espetacular cidade. Alguém furtou o bode, principal atração dos nossos shows. Não sei se o “Maior de Todos” ainda será o mesmo sem Merlim.
         - Ora, homem. Tenha dó. O bode Merlim na frente das garotas dançarinas era dinheiro miúdo!
         Mas o sujeito elogiara o bode, agora o desanca.
         A frase foi pronunciada com tanta força, que chamou a atenção de todos. Até operários que embutiam material em enormes caixões, parou o serviço para escutar tão potente voz.
         - O senhor não sabe calcular o valor daquele bode. Saraiva o domador, passou foi mais de dois anos para fazer o animal executar aquilo que o senhor viu tão bem: andar no arame, contar até três, cumprimentar o público e agradecer, adivinhar. Merlim só não fazia falar.
         - Espere aí, Pimentinha! Adivinhar que mulher passa chifre em marido e que marido é infiel à mulher? É isso aí...
         E num gesto de sabedoria, retirando o chapéu do panamá da cabeçorra, falou desta vez, bem mais baixo:
         - Não terá sido, por acaso, um marido revoltado por ter ele, o bode, sabido dizer que sua mulher lhe estava traindo? Ou por outra uma mulher contratou um sem vergonha para roubar o bicho, tendo em vista que soube por ele que o marido lhe era infiel?
         - Não Delegado. Caso um desses fosse o motivo, seria o contrário: a mulher se revoltaria por ter sido desmascarada, enquanto o homem enfurecia-se por ter sido revelado um segredo seu escandaloso.
         O Delegado coçou a cabeça, matutou, nem sabia o que queria dizer o contrário daquilo que tinha falado. Deixa para lá. O certo é que a desgraça estava feita.
         - E suponhamos que isso tenha sido o motivo do sumiço de Merlim, como encontraríamos o réu? Investigando a população inteira? Todos os maridos e todas as mulheres de Verdejante?
         Luiz Marchante nem ouvi o que o outro dizia. Mudou de assunto,dentro do mesmo assunto. Assim se expressou.
         - E os cachorros, seis ao todo, nem latiram com a aproximação do meliante?
         - Nada. Mudos estavam mudos continuaram até de manhã. .
         Wilson, braços cruzados, atento à palestra dos homens, exclamou:
         - Vixe!
         Danta e Guerra já sentiam cansaço por tanta lengalenga promovida pelo bendito bode, resolveram sair. Chamaram Wilson e desceram para suas casas. Danta ainda tentou argumentar que o caso do bode era importante, pois não era um bode qualquer, era o Merlim do circo Maior de Todos. Não houve como segurar Guerra por ali.
         O papo varou a manhã toda. Lá para o meio dia voltaram os soldados sem notícias do bode.
         - E aí, pessoal o que têm a me dizer?
         Indagou o Delegado que já ingerira muitas xícaras de café para continuar histrionicamente falando.
         - Nada.
         Respondeu Firmino em nome dos dois colegas.
         - Nem uma pista?
         - Nada.
         - Alguém pelo menos não viu um bode parecido?
         - Nada.
         - Com seiscentos diabos! Fizeram o serviço bem feito. Isso é coisa de profissional.
         Mão no queixo, chapéu na mão, matutou, fechou um olho, outro aberto, falou:
         - Senhor Pimentinha, vou lhe dizer uma coisa. O negócio é se conformar e partir sem Merlim. Estes meus homens, que fizeram a investigação, já descobriram coisas de sete cabeças, entendeu? E quando eles dizem que “nada”, é porque “nada” a gente vai achar por estas bandas. O senhor pode arribar com o seu circo e seja feliz. No aparecimento do bode ou alguma novidade sobre o mesmo, mando uma mensagem para o senhor, esteja o senhor onde estiver.
         Recolocou o chapéu do panamá, apertou a mão do dono do “Maior de Todos”, e mais algumas mãos estendidas e foi-se também em procura de casa porque estava com uma fome quase canina.
         As pessoas, aos poucos, iam se dispersando, comentando, lamentando, mas que se havia de fazer? A essa altura o ladrão já até pode ter comido o bode e bem assado, pois não?
         O domador, cabisbaixo, chorava baixinho com saudade do seu amigo. Quantas noites de contentamento, aplauso. Tinha vez que o bichinho emperrava, teimava em não lhe obedecer, era preciso lhe oferecer um pouquinho de ração para bode. Que tipo? Fiozinhos de capim que sempre conduzia num bolso para uma emergência... Aí Merlim se alegrava e executava o número desejado. De outra feita o bode adoeceu, ficou macambúzio. Foi um vexame. Até um doutor Veterinário – charlatão dos mais experientes – veio consultá-lo. Mas a resistência passiva do animal só sumiu com reza. Um curandeiro deu o ar da graça quando soube da tristeza de Merlim, ofereceu sua oração milagrosa. Com três dias de benzedura, recitando fórmulas estúpidas, com folhas de cipoaba desprovidas de flores, eis que o curandeiro recupera o artista, o bode que adivinha. Foi um dia de regozijo no circo. Agora essa, o seu misterioso sumiço.
          Apressaram a desarrumação do circo e os primeiros carros de boi pegaram a estrada com destino a outro lugar. Longe se ouvia o ranger das rodas no eixo dos carroções mandando um som fino que, na contagem dos minutos passando se escutava mais fraco o ranger. Era como se enviasse enviando um último adeus ao membro querido que os abandonou por obra e graça de um malfeitor. Mais tarde sairia o Ford 29 de Joaquim Relaxado com as mulheres e as crianças.
         Apesar dos pesares, ficou um oco na cidade que dava a impressão se estar num Cemitério. Foram 61 dias com sessenta e uma noites de burburinho e animação. Agora só as marcas na Rua de Maria Beltrão onde o circo fora armado. De tanto tocar a música O Ébrio muitos jovens saiam pelas ruas imitando a voz de Vicente Celestino: “Tornei-me um ébrio, na bebida busco esquecer. Aquela ingrata que me amava e que me abandonou...” Nas esquinas e nos botecos a novidade era quem poderia saber de ciência própria quem foi o autor da façanha de roubar o bode, e que certamente o matou para comer. Enquanto isso as mocinhas, imitando as dançarinas do Maior de Todos, passaram a andar bem maquiadas, batom e ruge e um lenço no cabelo. Era a moda que pegava.
         Por muitos dias a coqueluche do momento foi o misterioso desaparecimento do bode que adivinhava.
         A vida continua e Guerra e Danta já caminhavam pela mata procurando ninhos de rolinha. Banhavam-se na lagoa. Corriam pelas vielas brincando de pega e plantavam bananeira em frente as suas residências.
         Numa manhã, quando desciam para o primeiro mergulho, Wilson vinha numa carreira destrambelhada, ofegante, alcançou os amigos e, olhos arregalados, voz entrecortada, disse:
         - Acabei de chegar de... lá!
         - De lá de onde, Wilson?
         Perguntou o Guerra.
         - Dos ciganos!
         - Que ciganos?
         - Não sabem ainda não?
         - Não!
         - Vixe! Os ciganos que estão arranchados no terreno de Júlio Marinho.
         Mais calmo, descendo as barreiras que davam na beira da lagoa, narrou o que vira. Tendas repletas de novidades. Os ciganos que sabiam ler a mão. Ciganas bonitas, com saias rodadas, graciosas, de brincos e muitas pulseiras nos braços.
         - Coisa bacana, amigos!
         Mergulharam. Brincaram de capão cozido. Quem tinha mais fôlego ficando debaixo da água. Nados até o Horto Florestal. Voltar. As horas se consumiam e, quando deram por elas, já o sol ia alto.
         Danta sugeriu:
         - Vamos olhar as tendas dos ciganos?
         - Mal o circo foi embora, chegam os ciganos. É mole?
         O comentário do Guerra. Mas assentiu com a cabeça, o que foi seguido por Wilson e, em vez de irem para casa, pois é hora do almoço, foi-se o trio rumo ao terreno de Júlio Marinho.
         Como era bonito o trânsito dos ciganos entre eles, falando uma língua estranha, o romani, ou dialeto, originário de outras línguas da Península Ibérica de onde vieram os ciganos da etnia caló que são os quase 700.000 destes conhecidos “senhores da estrada” que vivem no nosso país.
         Havia, bem no centro das diversas tendas, uma que se destacava, toda envolta em tecido brilhante de cores vermelha e azul com adesivos dourados. Estrelas, pedaços da lua e sinais de interrogação. Era a tenda onde se recebia os que quisessem consultar as quiromantes e os adivinhos que previam o que iria acontecer, bem como desvendar o que estava acontecendo com aquele que se submetesse a uma consulta.
         Geralmente eram os homens que queriam saber os pormenores nas finanças, na família e, em particular, no amor. Mulheres pouco freqüentavam esses ambientes cheios de mistério, perfumados e intrigantes. Os mexericos logo se espalhavam por toda parte, cada um fazendo juízo do outro, para o bem ou para o mal.
         Guerra, Danta e Wilson chegaram bem perto. Havia toda uma instalação como se fosse uma residência: cadeiras, mesa, malas, grandes espelhos, redes, utensílios domésticos e a trempe com fogo já aceso. Bem vestidos, os ciganos exibiam, com satisfação, dentes de ouro para chamar a atenção. Sinal de riqueza e tranqüilidade. As mulheres maquiadas e elegantes, com saias rodadas e calçadas com chinelos da moda.
         Danta comentou:
         - Estes ciganos não são que nem aqueles da turma do Zé Garcia, não. Estes são bem prontos e folgados.
         Zé Garcia era o chefe de uma turma de ciganos que perambulava por aqui, ele, certamente o mais destacado montado numa burra repleta de berloques e enfeites de prata, enquanto seus comandados vinham a pé ou em lombo de animais magros e preguiçosos.
         De repente a notícia dos ciganos se espalhou. Os curiosos encheram os arredores das tendas. Os homens, os mais afoitos, chegavam para soltar pilhérias, puxar conversa, perguntar e tentar a sorte, ou melhor, tirar a sorte no baralho com a mais bonita das cartomantes.
         Não haveria nenhum problema, porém, o preço era bem salgado. Houve disputa para ver quem entraria primeiro na tenda das consultas. Um dono de Armazém, bem forrado de dinheiro, ganhou a parada e penetrou no recinto luxuoso da ciganada. A curiosidade ficou de fora. O que iria acontecer? Um beijo? Um abraço? Troca de palavras amorosas? Ou o negociante sairia de lá com a face vermelha por uma tapa?
         Nenhuma coisa, nem outra. Como um pinto saltitante sobre migalhas, o homem vinha sorridente, espantando alguma poeira da aba do chapéu, dizendo para todos:
         - A danada sabe de tudo. Passou minha vida assim parecendo um romance: tintim, por tintim...
         Aí foi que aumentou o número de pessoas que pretendiam saber o passado e o futuro. Os mais sovinas perguntaram quanto custara a consulta. O outro, ajeitando-se todo, saindo em direção a sua morada, responde já bem longe:
         - Custaram-me os olhos da cara!
         Ih! Alguns não se habilitavam a gastar tanto. Enquanto outros se imiscuíam por entre a seda da bendita tenda e, ao voltarem, sorriso no rosto e balançando a cabeça afirmativamente:
         - A mulher é adivinha mesmo!
         Era um entra e sai que não acabava mais, até mesmo os mais renitentes resolveram fazer uma consulta.
         - Que tem isso demais? O bode Merlim também adivinhava!
         Risos. Chacota.
         Danta e Guerra, acompanhados por Wilson, não tiravam os olhos reparando quem entrava e quem saia.
         Quinca, o dono do Cartório; Filástrio, o advogado rábula; Bastião dos Correios; Alfrânio, da Aduana. Mário, o mouco. E tantos outros comerciantes e funcionários, os mais abastados.
         Guerra comentou:
         - Ainda bem que papai não se consultou, nem o Padre Benedito, meu padrinho.
         - É. Papai também não.
         - Vixe! Se o meu pai estiver por aqui, garanto que ele quer saber o que se passa lá dentro.
          - Querem saber de uma coisa? Não vou ficar aqui não! Tenho que entrar nesse troço para desvendar os mistérios de cada um.
         Disse Guerra, mexendo-se e apontando para os amigos.
         - Está é doido. Como vai conseguir se há somente uma entrada?
         Observou Danta.
         - Isso de entrar na tenda da cigana vai  ser um fuá...
         Obtemperou Wilson...


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RESUMO: Próximo capítulo e nos seguintes vai ter novidade com os ciganos. Ciganos que lêem mão, adivinham pelas cartas... Outros acontecimentos inusitados. Guerra e Danta seguem vida de meninos de rua. Mas seja qual for o fato da HORA, em Verdejante, lás estão eles assistindo a tudo. Padre Benedito Basílio Alves entra na tenda da bela cigana, mas somente no Capitulo VI. Vocês já sabem do sumiço do bode Merlim... Será que o bode/artista ainda aparece?


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* William Lopes Guerra é advogado, pesquisador e escritor em Apodi, herdeiro dos direitos da obra de seu pai, Walter de Brito Guerra.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Trabalhadores em Educação do RN reafirmam continuidade da greve



Os trabalhadores em educação realizaram assembleia na manhã desta quarta-feira (8) na EE Winston Churchil onde reafirmaram a continuidade da greve.

Mais uma vez os trabalhadores em educação analisaram a proposta do governo do estado e a mesma foi mais uma vez rejeitada.  Nessa assembleia foram tirados os seguintes encaminhamentos:

•    Reafirmação e a manutenção da greve;
•    Próxima assembleia terça-feira (14), às 14h30, na EE Winston Churchil;
•    Intensificação das atividades de mobilização

Negociação é a palavra de ordem para os trabalhadores em educação. A queda de braço não interessa aos trabalhadores em educação e nem a direção do sindicato.




Fonte: www.janeayresouto.com.br

domingo, 5 de junho de 2011

Romance de Domingo

Aventuras do Menino Danta e seu amigo Guerra



Por William Guerra*




Capítulo IV

       As duas principais ruas de Verdejante, São João Batista e Nossa Senhora da conceição, intencionalmente assim chamadas em homenagem aos padroeiros da cidade, compridas, que começam lá embaixo, de um lado a residência do farmacêutico Antonio Lopes Filho, mais conhecido como seu Tônio, e, do outro, a residência de Janoca Pade. Daí sobe as casas agarradas umas nas outras em todo o percurso, como que se amparando para não sucumbirem às intempéries e, à medida que seguem as duas ruas, vão cada vez mais se aproximando da igreja matriz, assim como duas procissões a caminharem cantando ladainhas em louvor dos santos padroeiros.
       As pessoas iam construindo suas residências e fazendo a avenida, bem larga lá no começo, ficar bem estreita no final. Parecia que todos queriam morar  pertinho do templo cristão, como quem quer ser protegido e, nas horas de oração, não ter dificuldade de chegar ao altar-mor e rezar.
       Pois essas duas ruas, frente uma para a outra, desse domingo de estréia do circo “Maior de Todos”, haveriam de ficar vazias. Todos, já se preparavam para irem assistir ao espetáculo. Muitos até compraram ingressos numerados antecipadamente, escolhendo os melhores lugares. Por volta das 18h00, já uma grande fila aguardava a abertura do portão principal. A impressão é que toda a cidade irá ao circo. Este todo iluminado (motor a diesel próprio), trazia um ar de animação, de festa para os verdejantenses. Era uma apoteose. Pela primeira vez viam de perto uma amplificadora que encimava a fachada da frente do anfiteatro, tocando músicas de Francisco Alves, Orlando Dias, Dalva de Oliveira, Vicente Celestino. E “O Ébrio”, na voz deste último cantor que era o mais requisitado.
       Guerra e Danta estavam radiantes. Um verdadeiro frenesi. Disse Guerra quando ouviu a voz do locutor e lhe deram detalhes do seu funcionamento:
       - Um dia ainda vou ser locutor de uma amplificadora.
       - E eu serei o ajudante!
       Exclamou Danta.
A folgança era demais. Vendinhas com rebuçados à disposição das pessoas. Até pipoca apareceu. No ar, um entrelaçar de aromas os mais diversos: pó-de-arroz, extratos, alfazema, talco gessy-lever, alma de flores, e mais outras águas de cheiro que inundavam o ar. Inebriava.
Havia luzes que piscavam.
         Os componentes do circo apareciam vestidos a caráter. Roupas brilhosas cheias de adereços. As mulheres traziam fitas no cabelo e grandes brincos pendurados nas orelhas. Lábios com acentuadas doses de batom vermelho e muito ruge nas maçãs do rosto. Passeavam com graça, rebolando, olhares atrevidos e risos sensuais. Um incentivo aos casais de namorados, cujos mais ousados, se atreviam dar as mãos.
Dentro do circo já havia muita gente. Uns mastigando chiclete. Outros fumando. A meninada comia pipoca. Existia todo um glamour percorrendo o recinto. Gargalhadas. Conversas capciosas. Palpites. Insinuações. Pairava no ar uma conversação digna de um ambiente tão divertido e discordante. Verdejante completa estava ali, reunida, confraternizada para assistir à estréia do circo “Maior de Todos”. Era uma festa. Não restava nenhuma dúvida de que era, aquela noite de domingo em Verdejante, uma grande festa. Para completar, uma orquestra composta por instrumentos de sopro animava com marchas, valsas e outras mais.
Danta e Guerra conseguiram passar para o picadeiro e se acomodaram na areia molhada (antes de cada espetáculo, jogavam água no picadeiro e em volta, evitar a poeira levantar). Um ar bochorno começou a incomodar as pessoas. As mulheres precavidas trouxeram os seus respectivos leques e se abanavam. O circo estava inexoravelmente coberto. 20h00 pontualmente abriram-se as cortinas azuis. O cenário que secundava o palco era deslumbrante. Havia pinturas de cascatas e flores, enquanto uma enigmática figura de uma linda jovem trocava carícias com um beija-flor. O povo aplaudiu. Foi um delírio. Estava mais para fascínio aquela visão.
       Um jovem de cabeleira basta, bigode e metido em roupa à la toureiro surgiu e foi direito a um enorme microfone preso no alto de um pedestal de ferro. Dele saia um fio que se enroscava cenário adentro.
       - Senhoras e senhores. Homens, mulheres, jovens e crianças de Verdejante, bem vindos ao circo “Maior de Todos”. Boa noite!
       A turba, uníssona, respondeu:
       - Boa noite!
       O locutor, sorrindo, apresentando dentes brancos e perfeitos continuou:
       - O show vai começar! Antes, em nome de todos os que fazem esta Casa de diversões, queremos dizer que estamos bastante satisfeito pelo calor e receptividade de todos desta cidade bela e acolhedora.
       Aplausos. Risos. Assobios. Jogaram serpentinas pelo ar.
       - E para nosso primeiro número vem aí, para o deleite de vocês, o casal de trapezistas Horácio e Helena...
       E saiu aplaudindo acompanhado pela multidão naquela manifestação. O casal era de uma beleza comovente. Silêncio total, enquanto homem e mulher se exibiam num trapézio bastante alto.
       Em seguida uma contorcionista. Depois dançarinas e cantores. A Arara adestrada andava sobre um arame e pegava em pedacinhos de tábua de cor. A cada comando, indicando a cor que preferia, a ave segurava com a sua proeminência córnea a correspondente e a colocava dentro de uma caixinha. Fantástico! Depois foi tocada uma música pela orquestra da Companhia, e a Arara se balançava no seu ritmo. Apoteótico!
       Chegou a vez de o primeiro palhaço fazer o povo dar risada.
       - E com vocês! Lasquinha!
       Lá veio Lasquinha. Baixinho e com um sapato de bico comprido e curvado para cima. Roupão folgado e colorido. Cara de palhaço e, na cabeça, uma espécie de tampa presa sobre o cabelo em forma de prego. O palhaço chegou dizendo, enquanto rodava a tampa com um dedo:
       - E a tampa rodando!
       Gargalhada. A garotada se divertia. Piadas. Adivinhações. Aposta para vê quem sabia o que o outro estava pensando. Lasquinha perdeu duas vezes. Na terceira, apostaram todas as moedas dos bolsos. Lasquinha falou:
       - Agora vou dizer em que você está pensando.
          E arrematava:
       - E a tampa rodando!
       - Vai, vai, vai. Lasquinha, em que estou pensando neste momento?
       Lasquinha pensou... Andou para um lado, para o outro. Olhava para cima, mão no queixo. O outro insistiu:
       - Responda: em que estou pensando?
       O palhaço Lasquinha falou:
       - Você está pensando que eu penso que sei no que você está pensando. Mas como eu não estou pensando no que você não pensa você pensa que vai ganhar as pratas sem pensar... Mas nem pense nisso...
       Pegou as moedas e saiu correndo lá para dentro do circo enquanto o seu companheiro o seguia bradando impropérios no ar.
       Gargalhadas sonoras. Houve pessoas que riam até sentir uma dor na barriga. Outras choravam de tanto rir. A meninada gritava e ria a valer. Houve um que se viu em incontinência urinária. Os demais o apuparam. Gozação.
       Reaparece o locutor, agora metido num paletó azul-marinho. Gravata borboleta. Uma elegância fora de série. Anunciou:
       - Com vocês, o bode que adivinha. Pedimos silencia e prestem a atenção na inteligência desse macho da cabra. Aplausos para Merlim!
       O bode tinha nome de bruxo. Além de adivinho seria o bode, um alquimista?
       O seu domador, com roupa adequada ao número: calça de mescla azul e camisa de riscado com mangas compridas e, na cabeça, um chapéu de palha.
       - Boa noite!
       O sujeito era metido a engraçado, ainda por cima.
       A resposta do público não lhe agradou, pois desejava uma “boa noite” espetaculosa.
       - Boa nooooiiiitttteeeeeee!
       Berrou igual a um bode. Pediu com muita instância.
       E o povo:
       - Boooaaaa noooooiiittttteeeeee!
       - É assim que gosto. Agora façam silêncio para que o Merlim possa se concentrar.
       Convidou um homem da platéia. Apresentou-se Tonico, cheio de bolocobó, feito pirarucu.
       - Fique em paz. Sua digníssima esposa está em casa?
       - Não, está aqui.
       - Então vai se sentar, porque assim vai ter briga já já.
       Os espectadores caiam na risada.
       O homem voltou, com seus trejeitos aquáticos, ao seu assento.
       - Bem. Ô Merlim! Se aqui tem alguma mulher que pula a cerca, por favor, vá indicar a danada, pois o marido tem que saber nem que seja por derradeiro.
       O caprino, saia rodopiando pelo picadeiro. Voltava. Ameaçava correr. Pulava. Até que se chegou perto de uma mulher e... Deitou a cabeça em seu colo.
       Aplausos! Que interessante! Onde já se viu?!       
       A dita cuja escolhida pelo bode era a esposa de Zé Mariano, o dono da Padaria. O homem estava ao lado da mulher. Ficou vermelho, meio desconfiado, depois riu. A senhora, pessoa delicada e séria fez um gesto de acanhamento e falou com voz alterada:
       - Felizmente, Merlim! Eu não pulava nem quando brincava de amarelinha, imagine pular a cerca!?
       Gargalhada por toda parte.
       E o bode continuou apontando, ou melhor, escolhendo mulheres para revelar que elas eram falsas ao marido. Claro que era só brincadeira, palhaçada, divertimento. Servia para os cochichos, os sussurros, as piadas de bom gosto.
       Depois de alguns instantes, o domador do bode anunciou:
       - Amanhã Merlim vai dizer quais os maridos que são infiéis! Aí é a aonde a porca torce o rabo! Por hoje é só e muito agradecido.
         Dando umas tapinhas nos chifres de Merlim, ordenou:
       - Cumprimenta o povo, bode mentiroso!
       Enquanto as pessoas riam a valer, o animal dobrava uma perna dianteira e, abaixando a cabeça, imitava um gesto de submissão.
       Em seguida foi anunciada a vinda ao picadeiro do palhaço Pimentinha.
       Entrada triunfal. Correndo feito doido. Chapéu coco na cabeça. Mal vestido que só vendo, algo de propósito. Suas calças eram sustentadas por enormes suspensórios. Trazia uma bengala e, sua gravata, dependendo da fala e do gesto, esticava, parecendo um troço que se alevantava e crescia para frente, o que provocava uma alegria incontrolável nos presentes.
       Contou piadas. Fez adivinhações. Ao final, perguntou ao companheiro:
       - Qual a diferença da negra para mandioca?
       O outro pensou. Matutou. Coçou a cabeça.
       - Não sei.  Qual a diferença da nega para mandioca, Pimentinha?
       Fez a gravata arquear, deu uma risada:
       - Não sabe não, é? Nunca pegasse numa mandioca? Pois toda noite eu pego a mandioca e... Boto pra cozinhar e como! Vou dizer a diferença: É que com a mandioca, você desmancha e faz um bolo pé-de-moleque. E com a mandioca na nega você faz um moleque inteiro!
       O circo quase veio abaixo com as gargalhadas, não pela piada que já era conhecida, mas pela maneira de Pimentinha conta-la, sempre levantando a gravata tornando-a ereta...
       Agora iria começar a segunda parte do espetáculo. Baixam-se as cortinas. O povo se levanta. Alguns vão lá fora, tomar ar fresco. Os portões se abrem e qualquer um, mesmo sem pagar, agora entra para assistir o drama que será apresentado pelos atores circenses.
       Depois de dez minutos o locutor anuncia, levantando as cortinas e aparecendo novo cenário. Uma paisagem como se fosse uma rua mal iluminada, com casas de porta e janela.
       - Atenção. Hoje apresentaremos a comédia O Padre e a Mulher do Leiteiro!
       Peça em três atos. Fim.
       Guerra e Danta voltavam para casa, conversando animadamente. Ao lado deles, Wilson, sempre entusiasmado. Comentou Danta:
       - Viram como Pimentinha é engraçado?
       Wilson concordou:
       - Vixe! É sim!
       Guerra gostou mais do mestre de cerimônia:
       - Prestaram à atenção na voz do locutor?
       Danta dizia:
       - Mas tem uma pessoa controlando as músicas e o microfone!
       - Vixe! Tem-se!
       O comentário bem resumido feito por Wilson.
       As pessoas caminhavam cada qual para sua residência, cada macaco no seu galho. Uns abrindo a boca, o sono chegava. Outras espertas e já anunciando que amanhã voltariam ao circo oura vez.
       Danta foi com seus pais, Wilson desceu pela Rua do Alto, enquanto Guerra dobrou uma esquina e acompanhou o Vigário, seu padrinho, que também assistira ao espetáculo. Antes de abrir a porta, o Vigário ouviu gemidos para o lado do patamar da igreja. Dois vultos se enroscavam por detrás do Cruzeiro... Padre Benedito foi até lá. Guerra o seguiu.
       - Que vocês estão fazendo aqui? Suas coisas?!
       Os dois sujeitos não esperavam serem flagrados. Assustados, nem tiveram tempo de vestirem as calças. Correram rua abaixo, com medo de serem reconhecidos, nus igual quando vieram ao mundo. Tarde demais, pois Guerra os reconheceu. Contudo, passando os nomes dos amantes ao Padre Benedito, este lhe ordenou que não contasse o sucedido a ninguém, nem ao Danta. Guerra abaixou a cabeça e fez um gesto com a cabeça, dizendo, inocentemente:
           - Sim senhor.

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RESUMO do próximo capítulo:
O sumiço do bode adivinho. Escaramuças e o parlapatão do Delegado ineficiente que só ele querendo demonstrar sabedoria. Nada. Vamos ler e tirar as nossas conclusões sobre o sumiço de Merlim (o bode do circo). O final do Capítulo IV traz mais uma novidade... Qual será a nova na cidade Verdejante?


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* William Lopes Guerra é advogado, pesquisador e escritor em Apodi, herdeiro dos direitos da obra de seu pai, Walter de Brito Guerra.

sábado, 4 de junho de 2011

Trabalhadores em educação rejeitam a proposta do governo


Reunidos em assembleia, na tarde desta sexta-feira (3), os trabalhadores em educação, rejeitaram a proposta apresentada pelo governo.

Após a leitura da proposta apresentada pelo governo estadual, a assembleia decidiu:

•    Reafirmação da continuidade da greve;



•    Reafirmação da pauta de negociação entregue ao governo do estado no início da greve;



•    Próxima assembleia quarta-feira (8), às 8h30, na Escola Estadual Winston Churchil;
•    Participar do ato do Fora Micarla, terça-feira (7). Concentração às 9 horas, na Praça Cívica rumo a Câmara Municipal de Natal, para entregar o abaixo assinado do Fora Micarla;



•    Assembleia pública terça-feira (7), às 14h30, na frente do Colégio Atheneu. 15 horas, inicio do ato Ei! Responsabilidade Social. Em defesa da Escola Pública e dos Trabalhadores em Educação. Pelas ruas do centro da cidade. Realização do ato politico cultural no Calçadão da Rua João Pessoa.



•    Veiculação de um VT, colocando para a população a condição em que se encontra a escola pública da rede estadual de ensino e os motivos da greve dos trabalhadores em educação;



•    Veicular na imprensa uma nota pública convidando a população para participar do ato do dia 07 de junho.




Fonte: 
http://janeayresouto.com.br

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Com greve ou sem greve a Papangu está nas bancas!



Com greve ou sem greve, a revista Papangu chega às bancas do Rio Grande do Norte. A chamada de capa é “Greve quase Geral” - o início do governo Rosalba não está sendo fácil para o servidor, muito menos pra ela.
Entrevistamos nesta edição Eduardo Medeiros, promotor do Patrimônio Público em Mossoró.  Ele nos fala dos desafios do Ministério Público e a crise ética; No Vapt-vupt, um bate papo com o blogueiro mossoroense Thurbay Rodrigues.
Crônicas, Artigos,Humor, Poesia e um Especial sobre o “Caos na Cultura”, em Macau, assinado por Alex Gurgel.
 As participações marcantes de Affonso Romano de Sant’Anna, Alexandro Gurgel com Especial sobre Macau e o “Caos na Cultura”; Ana Paula Cadengue, Brum, Cefas Carvalho, Cláudia Magalhães, Damião Nobre, Erasmo Carlos Firmino, Gutemberg Dias, José Nêumanne Pinto, Luis Fausto, Márcio de Lima Dantas, Nelson Patriota, Raildon Lucena, Sávio Hackradt, Tania Pinheiro, Túlio Ratto e Yasmine Lemos.
 Não fique parado. Vá buscar a sua na banca mais próxima.

Pensando bem...

"Essa mania de enfatizar a dicotomia "certo" e "errado" é o que que sempre garantiu o prolongamento da exclusão linguística no discurso dos mais conservadores. Só falta agora quererem me convencer que o que o grande poeta Patativa do Assaré fez é errado, incorreto. só falta me fazerem crer na feiúra da poética do Seu Pedro Braga, escritor aqui do Vau. Só falta me tirarem a liberdade de achar lindo os poemas do Zé da Luz. Sinceramente? Aprendo muito mais com eles do que ouvindo essas besteiras com a bandeira nacional de pano de fundo."


[Juliana Leal*]

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* Juliana Leal é Professora de Língua Espanhola e Literatura Hispânica da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) Campus de Diamantina/MG. Doutoranda em Literatura Comparada pela Faculdade de Letras da UFMG, Mestre em Estudos Literários (2007), Licenciada em Língua Espanhola (2004) e em Língua Portuguesa (2001) pela mesma instituição.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Governo finalmente apresenta proposta aos trabalhadores em educação



A direção do SINTE, foi recebida em audiência no final da tarde desta quinta-feira (2), além da direção do sindicato participaram dessa audiência: Paulo de Tarso (Chefe da Casa Civil), José Anselmo (SEARH), Betânia Ramalho e Adriana Diniz (SEEC).

A reunião começou com o governo do estado apresentando uma proposta de negociação. Segundo colocações feitas pelo governo estadual à proposta de tabela apresentada traz o pagamento do piso conforme votação do STF, e em cima do salario base deve-se calcular o quinquênio. Essa proposta do governo traz o piso do magistério respeitando toda a carreira que está posta no PCCR do magistério, a proposta respeita todos os percentuais do PCCR do magistério.

Após a apresentação da proposta por parte do governo, a direção do sindicato fez alguns destaques:

•    Solicitou que fosse enviado para o sindicato um novo documento deixando mais clara à proposta. Nesse novo documento deve constar: quais os percentuais a serem pagos nos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro. Incluindo no documento tabela detalhada da proposta. Trazendo o percentual proposto a cada mês;

•    O carro chefe da CES/2011, Campanha Educacional e Salarial é a revisão do PCCR do magistério e o documento que o governo apresenta não traz nada com relação a esse ponto;

•    O governo não sinaliza com nenhuma proposta para os servidores da educação. Não traz nada para esse segmento. Não diz como fará a implantação no contracheque dos servidores que não tiveram o PCCR implantado no seu contracheque e também não apresenta nada com relação ao pagamento dos 70% que falta para o pagamento do PCCR dos servidores;

De acordo com Janeayre Souto, diretora de Organização do SINTE, essa proposta não deixa de ser uma proposta, porém ela é muito baixa. Nós iremos em conjunto com a categoria analisar essa proposta na assembleia. Essa proposta não responde a nossa pauta de reivindicação, falta propostas com relação a: Revisão do PCCR do magistério; com relação aos servidores da educação. É preciso o governo melhorar muito a proposta apresentada para que a mesma seja defendida em assembleia, desabafa a dirigente. 


SÃO JOÃO

William Lopes Guerra*
 
Vem aí o São João!
Festa com fogueira, milho assado, pamonha, canjica, bolo e       muito foguetão;
balão e fogos de lágrimas e o carrossel de Júlio do Ó.
Ah... Mas isso não vem mais...
Nem foguetão, nem balão, nem fogos de lágrimas,
nem pamonha, nem canjica, nem bolo, nem fogueira...!
E nem o carrossel de Júlio do Ó!
Se não tem nada disso, não é São João!