sexta-feira, 17 de junho de 2011

FRAUDE INTELECTUAL



Instituto do governo federal usa texto meu em concurso, faz patrulha ideológica, induz candidatos ao erro e atribui a Camões o que ele nunca escreveu. Recorram, senhores candidatos; serei testemunha!


Edição de "Os Lusíadas" organizada por Francisco Gomes de Amorim, de 1889
Edição de "Os Lusíadas" organizada por Francisco Gomes de Amorim, de 1889
Caras e caros,
o texto ficará bastante longo, como verão. Mas a questão é importante porque estamos diante de mais uma evidência das distorções a que a esquerdopatia submete a educação no Brasil. Como resolveram usar um texto meu para fazer lambança, então eu me sinto obrigado a denunciar os vigaristas intelectuais. Eu gosto de uma boa briga. A turma lá deve saber disso, espero.
*
Já escrevi uma vez: eles não se cansam, mas eu também não me canso. Eles têm a sua rede de vigarice e maledicência, eu tenho os fatos.  O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte fez um concurso para contratar professores de língua portuguesa para o ensino médio e nível superior. A turma lá decidiu usar um texto meu, publicado na ediçao nº 2025 da VEJA, de 12 de setembro de 2007. Ele serviu de referência para seis questões. Cinco delas têm de ser anuladas. Candidatos que se sintam lesados e queiram recorrer à Justiça podem usar este meu post como suporte. Eu sou o autor. Eu sei o que escrevi. E o Instituto mentiu sobre o meu texto.
O artigo que escrevi foi submetido a um crivo ideológico e teve seu sentido deturpado. Atribuíram-lhe um conteúdo comprovadamente falso. Pior: o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte induz os candidatos a um erro no que diz respeito à gramática, além de atribuir a Camões o que ele nunca escreveu. Escárnio: o concurso seleciona professores de língua portuguesa!
Abaixo, leitor, reproduzo em azul o meu artigo, que critica a recente reforma ortográfica, à qual ainda não aderi em sinal de protesto. Quando for obrigatório, não terei saída. Ainda estou no prazo. Mesmo escrito em 2007, ele poderia servir também como contestação às bobagens presentes no livro de Heloísa Ramos, aquela que faz a apologia do erro. Na seqüência, publico em vermelho (claro!) as questões do tal instituto e o gabarito. E  chuto traseiros com gosto.
*
Restaurar é preciso; reformar não é preciso
A reforma ortográfica que se pretende é um pequeno passo (atrás) para os países lusófonos e um grande salto para quem vai lucrar com ela. O assunto me enche, a um só tempo, de indignação e preguiça. O Brasil está na vanguarda dessa militância estúpida. Por que estamos sempre fazendo tudo pelo avesso? Não precisamos de reforma nenhuma. Precisamos é de restauração. Explico-me.
A moda chegou por aqui na década de 70, espalhou-se como praga divina e contribuiu para formar gerações de analfabetos funcionais: as escolas renunciaram à gramática e, em seu lugar, passaram a ensinar uma certa “Comunicação e Expressão”, pouco importando o que isso significasse conceitualmente em sua grosseira redundância. Na prática, o aluno não precisava mais saber o que era um substantivo; bastava, dizia-se, que soubesse empregá-lo com eficiência e, atenção para a palavra mágica, “criatividade”. As aulas de sintaxe - sim, leitor, a tal “análise sintática”, lembra-se? - cederam espaço à “interpretação de texto”, exercício energúmeno que consiste em submeter o que se leu a perífrases - reescrever o mesmo, mas com excesso de palavras, sempre mais imprecisas. O ensino crítico do português foi assaltado pelo chamado “uso criativo” da língua. Para ser didático: se ela fosse pintura, em vez de ensinar o estudante a ver um quadro, o professor se esforçaria para torná-lo um Rafael ou um Picasso. Se fosse música, em vez de treinar o seu ouvido, tentaria transformá-lo num Mozart ou num Beethoven. Como se vê, era o anúncio de um desastre.
Os nossos Machados de Assis, Drummonds e Padres Vieiras “do povo” não apareceram. Em contrapartida, o analfabetismo funcional expandiu-se célere. Se fosse pintura, seria garrancho. Se fosse música, seria a do Bonde do Tigrão. É só gramática o que falta às nossas escolas? Ora, é certo que não. O país fez uma opção - ainda em curso e atravessando vários governos, em várias esferas - pela massificação de ensino, num entendimento muito particular de democratização: em vez de se criarem as condições para que, vá lá, as massas tivessem acesso ao conhecimento superior, rebaixaram-se as exigências para atingir índices robustos de escolarização. Na prova do Enem aplicada no mês passado, havia uma miserável questão próxima da gramática. Se Lula tivesse feito o exame, teria chegado à conclusão de que a escola, de fato, não lhe fez nenhuma falta. Isso não é democracia, mas vulgaridade, populismo e má-fé.
Não é só a língua portuguesa que está submetida a esse vexame, é claro. As demais disciplinas passaram e passam pela mesma depredação. A escola brasileira é uma lástima. Mas é nessa área, sem dúvida, que a mistificação atingiu o estado de arte. Literalmente. Aulas de português se transformam em debates, em que o aluno é convidado (santo Deus!) a fazer, como eles dizem, “colocações” e a “se expressar”. Que diabo! Há gente que não tem inclinação para a pintura, para a música e para a literatura. Na verdade, os talentos artísticos são a exceção, não a regra. Os nossos estudantes têm de ser bons leitores e bons usuários da língua formal. E isso se consegue com o ensino de uma técnica, que passa, sim, pela conceituação, pela famigerada gramática. Precisamos dela até para entender o “Virundum”. Veja só:
“Ouviram do Ipiranga
as margens plácidas
De um povo heróico
o brado retumbante”
Quem ouviu o quê e onde, santo Deus? É “as margens plácidas” ou “às margens plácidas”? É perfeitamente possível ser feliz, é certo, sem saber que foram as margens plácidas do Rio Ipiranga que ouviram o brado retumbante de um povo heróico. Mas a felicidade, convenham, é um estado que pode ser atingido ignorando muito mais do que o hino. À medida que se renuncia às chaves e aos instrumentos que abrem as portas da dificuldade, faz-se a opção pelo mesquinho, pelo medíocre, pelo simplório.
As escolas brasileiras, deformadas por teorias avessas à cobrança de resultados - e o esquerdista Paulo Freire (1921-1997) prestou um desserviço gigantesco à causa -, perdem-se no proselitismo e na exaltação do chamado “universo do educando”. Meu micro ameaçou travar em sinal de protesto por escrever essa expressão máxima da empulhação pedagógica. A origem da palavra “educação” é o verbo latino “duco”, que significa “conduzir”, “guiar” por um caminho. Com o acréscimo do prefixo “se”, que significa afastamento, temos “seduco”, origem de “seduzir”, ou seja, “desviar” do caminho. A “educação”, ao contrário do que prega certa pedagogia do miolo mole, é o contrário da “sedução”. Quem nos seduz é a vida, são as suas exigências da hora, são as suas causas contingentes, passageiras, sem importância. É a disciplina que nos devolve ao caminho, à educação.
Professores de português e literatura vivem hoje pressionados pela idéia de “seduzir”, não de “educar”. Em vez de destrincharem o objeto direto dos catorze primeiros versos que abrem Os Lusíadas, apenas o texto mais importante da língua portuguesa, dão um pé no traseiro de Camões (1524-1580), mandam o poeta caolho cantar sua namoradinha chinesa em outra barcarola e oferecem, sei lá, facilidades da MPB - como se a própria MPB já não fosse, em nossa esplêndida decadência, um registro também distante das “massas”. Mas nunca deixem de contar com a astúcia do governo Lula. Na citada prova do Enem, houve uma “modernização” das referências: em vez de Chico Buarque, Engenheiros do Hawaii; em vez de Caetano Veloso, Titãs. Na próxima, é o caso de recorrer ao funk de MC Catra: “O bagulho tá sério / vai rolar o adultério / paran, paran, paran / paran, paran…”.
Precisamos de restauração, não de mais mudanças. Veja acima, no par de palavras “educação/sedução”, quanto o aluno perde ao ser privado da etimologia, um conhecimento fascinante. As reformas ortográficas, acreditem, empobrecem a língua. Não democratizam, só obscurecem o sentido. Uma coisa boba como cassar o “p” de “exce(p)ção” cria ao leitor comum dificuldades para que perceba que ali está a raiz de “excepcional”; quantos são os brasileiros que relacionam “caráter” a “característica” - por que deveriam os portugueses abrir mão do seu “carácter”? O que um usuário da nossa língua perderia se, em vez de “ciência”, escrevesse “sciência”, o que lhe permitiria reconhecer na palavra “consciência” aquela mesma raiz?
Veja o caso do francês, uma língua que prima não por letras, mas por sílabas “inúteis”, não pronunciadas. E, no entanto, os sempre revolucionários franceses fizeram a opção pela conservação. Uma proposta recente de reforma foi unanimemente rejeitada, à direita e à esquerda. Foi mais fácil cortar cabeças no país do que letras. A ortografia de Voltaire (1694-1778) está mais próxima do francês contemporâneo do que está Machado de Assis do português vigente no Brasil. O ditador soviético Stálin (1879-1953) era metido a lingüista. Num rasgo de consciência sobre o mal que os comunistas fizeram, é dono de uma frase interessante: “Fizemos a revolução, mas preservamos a bela língua russa”. Ora, dirão: este senhor é um mau exemplo. Também acho. O diabo é que ele se tornou referência de política, não de conservação da língua…
Já que uma restauração eficaz é, eu sei, inviável, optemos ao menos pela educação, não por uma nova e inútil reforma. O pretexto, ademais, é energúmeno. Como escreveu magnificamente o poeta português Fernando Pessoa (1888-1935), houve o tempo em que a terra surgiu, redonda, do azul profundo, unida pelo mar das grandes navegações. Um mar “portuguez” (ele grafou com “z”). Hoje, os países lusófonos estão separados pela mesma língua, que foi se fazendo história. A unidade só tem passado. E nenhum futuro.
Agora vamos às questões:
01. A organização das idéias apresentadas no texto é norteada pela
A) problematização da inutilidade da reforma ortográfica e da ineficácia das aulas de português e de literatura.
B) defesa de um ponto de vista alicerçado, sobretudo, em argumentos de autoridade.
C) crítica às teorias educacionais de Paulo Freire, associando-lhes a responsabilidade pelo insucesso das aulas de português e de literatura.
D) restrição temática a questões técnicas relacionadas à reforma ortográfica e ao ensino de língua portuguesa e de literatura, sem revelar posicionamentos de cunho político-ideológico.
Comento
Evidentemente, a alternativa mais correta é a “D”, já que não esboço posicionamento político-ideológico nenhum! Num dado momento, digo ali que uma postura errada atravessou vários governos. Quem me patrulha é o instituto. A alternativa “A” pode sugerir que eu considero ineficaz ministrar aulas de língua e literatura. Eu as crítico na forma como são ministradas hoje. Mais: em nenhum momento eu afirmo que a reforma é inútil. Inútil é aquilo que não serve pra nada, que é irrelevante. Eu estou dizendo justamente o contrário: ela até pode ser útil a um propósito que considero ruim. EU SOU O AUTOR DO TEXTO, SENHORES “CONCURSANDOS” (é uma licença, valentes!). Eu sei o que escrevi. Estou assegurando que a resposta correta, dada as alternativas, é a “D”. Vamos à questão nº 2.
02. Ao longo do texto, as opiniões sobre a reforma ortográfica revelam
A) juízos de valor assentados nos princípios da sociolinguística, para a qual a natureza variável da língua é um pressuposto fundamental .
B) juízos de valor consoantes com o senso comum, uma vez que, para os estudos sociolinguísticos, é impróprio afirmar que há línguas ricas e línguas pobres .
C) sintonia com o princípio de que toda língua apresenta variação social ou diastrática, mais especificamente no que se refere à variação de classe social.
D) sintonia com uma visão do senso comum assentada na concepção sociointeracionista de linguagem.
Das alternativas dadas, a mais correta e a “A”, mas dizem ser a “B” porque, afinal, eles não gostam de mim e acham que sou um sujeito reacionário, que se move pelo “senso comum”. A propósito, aquela digressão que fiz sobre “educação e sedução” é coisa que se encontra em qualquer esquina… Comuníssimo! Ora, eu escrevi o artigo justamente para demonstrar a “natureza variável da língua”: o “nosso” português é único, diferente dos demais; carrega as marcas da nossa história. A unificação pretendida é um delírio autoritário. Ao afirmar que a alternativa correta é a B, é forçoso admitir que eu defendi no texto a existência de “línguas ricas e de línguas pobres”. Os examinadores estão mentindo. Eu sei o que escrevi. Estou assegurando que a resposta correta, dada as alternativas, é a “A”.  Vamos à questão nº 3.
03. Na intenção de ilustrar como seria uma aula de português que, em vez de seduzir, eduque, Reinaldo Azevedo orienta os professores a “destrincharem o objeto direto dos catorze primeiros versos que abrem Os Lusíadas” (l. 49). Segue o excerto a que o autor fez referência.
01- AS ARMAS e os barões assinalados,
02- Que, da ocidental praia lusitana,
03- Por mares nunca de antes navegados,
04- Passaram ainda além da Taprobana,
05- Em perigos e guerras esforçados.
06- Mais do que prometia a força humana,
07- Entre gente remota edificaram
08- Novo reino, que tanto sublimaram;
09- E também as memórias gloriosas
10- Daqueles reis que foram dilatando
11- A Fé, o Império, e as terras viciosas
12- De África e de Ásia andaram devastando,
13- E aqueles que por obras valerosas
14- Se vão da lei da morte libertando:
15- Cantando espalharei por toda parte,
16 - Se há tanto me ajudar o engenho e arte.
CAMÕES, Luís. Os lusíadas. Belo Horizonte: Itatiaia, 1990, p. 29. (Grandes obras da cultura universal; v.2.)
Em relação à orientação didática proposta por Reinaldo Azevedo, é correto afirmar:
A) não há justificativa sintática para admitir, nos catorze versos que antecedem a ocorrência do verbo espalhar, a função de objeto direto, pois eles se encontram antepostos ao verbo da oração principal .
B) não se trata do “objeto direto dos catorze primeiros versos”, como assegura o autor, mas de uma sequência de valor adverbial contida nesse conjunto de versos e adjunta do verbo espalhar.
C) não se trata do “objeto direto dos catorze primeiros versos”, como assegura o autor, mas do complemento do verbo espalhar, que aparece no verso quinze .
D) não há justificativa sintática para se atribuir transitividade direta ao verbo espalhar, uma vez que ele vem seguida pela preposição por
Agora a coisa fica muito séria. No meu texto, afirmo: “Em vez de destrincharem o objeto direto dos catorze primeiros versos que abrem Os Lusíadas, apenas o texto mais importante da língua portuguesa, [os professores] dão um pé no traseiro de Camões (…)”. Notem que nem escrevi que todos os 14 versos são objeto direto, mas poderia tê-lo feito porque, de fato, é isso mesmo; as orações adjetivas que se colam aos objetos não mudam a sua natureza.
Dizem os examinadores que a alternativa correta é a “C”, mas inexiste alternativa correta pela simples razão de que “espalhar” é, sim, um verbo transitivo direto; se é, seu complemento é o objeto direto. Vamos ver.
- O primeiro objeto direto está no primeiro verso:O narrador de “Os Lusíadas”, na ordem direta, está afirmando:
“[Espalharei por toda parte] as armas e os barões assinalados.”O que vai do verso 2 ao verso 8 são orações subordinadas adjetivas explicativas — e explicam aquele objeto direto.
- O segundo objeto direto está no verso 9 e parte do 10“[Espalharei por toda parte] também as memórias gloriosas daqueles reis
O que se segue em parte do 10, no 11 e no 12 são orações subordinadas adjetivas restritivas.
- O terceiro objeto direto está em parte no verso 13:“Espalharei por toda parte] aqueles
O resto do 13 e o 14 também têm uma oração adjetiva restritiva.
O que é mais espantoso na questão é que eles próprios admitem que esses termos são “complemento” do verbo “espalhar”. Está lá na alternativa C, que dão como correta. E o verbo “espalhar” tem qual transitividade? Um professor, à época, só descobri ontem, resolveu me contestar — e responderei em texto específico —, sustentando que todos aqueles complementos se referem a “cantando”. Lamento! Não é, não, valentão!
O “cantando” é o “modo” como o narrador espalhará — divulgará ao mundo e à posteridade — os feitos portugueses. E, como é um poeta, ele o fará “cantando” (à época, meu senhor, os poetas “cantavam” suas musas). Se fosse Leonardo Da Vinci, ele poderia dizer: “Pintando espalharei por toda parte”; se gosse Michelangelo, “esculpindo espalharei por toda parte”; se fosse Ideli Salvatti, “berrando espalharei por toda parte”; se fosse um examinador do tal instituto, “mentindo espalharei por toda parte”. Aqueles termos todos, na gramática, complementam o sentido do verbo “espalhar”. E o narrador o fará como, de que modo? “Cantando”.
O “cantando” é, nitidamente, uma manifestação da Oração Subordinada Adverbial Modal, que desapareceu, sem explicação, da Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB). Não foi a única. A locativa também foi para o brejo. Mas, admito, isso pode dar algum debate, que fica para outro post. Atentem para o que vem agora.
EstupidezA transcrição do trecho de Os Lusíadas traz dois erros que alteram o sentido de maneira grotesca. O mais grave está no verso 16: onde se lê “há tanto”, o certo é “a tanto”; onde meteram um verbo, Camões escreveu uma preposição! Inexiste aquele ponto final do verso 5; se ele estivesse lá, o que vem depois seria um anacoluto. Que turma é essa capaz de fazer essa miséria com Camões? Mas entendo: eles transcreveram o trecho de “Grandes Obras da Cultura Universal”. Posso lhes emprestar — melhor não… — uma das minhas edições de Os Lusíadas. A mais antiga é uma preciosidade revisada por Francisco Gomes de Amorim, publicado pela Imprensa Nacional de Lisboa em 1889. Outra edição de referência é a organizada por Emanuel Paulo Ramos, da Porto Editora. Há diferenças. Mas em nehuma existe, obviamente, “há tanto”… Examinador que transcreve Camões de  “Grandes Obras da Cultura Universal” merece chicote. Adiante.
04. No segundo parágrafo do texto, as ocorrências de uso das aspas evidenciam
A)uma forma de discurso relatado que apenas reproduz fielmente o que está sendo citado, sem que haja ruptura sintática .
B)fazer uma espécie de teatralização de algo dito em outro momento, de forma a atribuir maior fidelidade ao que está sendo dito, com ruptura sintática.
C)uma intenção de se manter, a distância, certas palavras, mas, ao mesmo tempo, dar legitimidade a esse distanciamento, sem haver ruptura sintática .
D)destacar trechos de afirmações cuja autoria não pode ser atribuída nem ao enunciador do texto nem algum outro enunciador.
O candidato deveria marcar a alternativa C, seja lá o que aquela coisa signifique. Eu não entendi o que faz lá aquele “se”, até porque, por uma questão de paralelismo, então seria preciso escrever “se dar”. Bem, eu sou o autor do texto, né? Eu não quis dar “legitimidade a distanciamento” nenhum, até porque não estendi o que essa borra quer dizer… Vamos à próxima.
05. Sobre o período É a disciplina que nos devolve ao caminho, à educação (l.47), é correto afirmar:
A) a expressão à educação funciona, sintaticamente, como aposto de caminho.
B) se retirarmos o acento indicativo de crase do a que antecede educação, isso alterar-lhe-ia a função sintática .
C) se retirarmos o acento indicativo de crase do a que antecede “a” palavra educação, esta passaria a exercer a função de objeto direto do verbo devolver.
D) a expressão à educação funciona, sintaticamente, como complemento nominal de caminho.
Que gente é essa, meu Deus! Na questão que poderia ser não-ideológica, eles erram  miseravelmente porque são incapazes de interpretar um texto. De fato, pode-se considerar correta, como eles querem, a alternativa C, mas eu, que sou o autor, asseguro: a correta é a “A”. Basta ler o meu texto para perceber que eu criei uma oposição entre “educação” e “sedução”, entre “caminho” e “afastamento do caminho”. Logo, quem leu direito entendeu que, com efeito, “caminho” é, sim, um aposto de “educação”. Mas esperem: a C também está correta porque, de fato, ela não difere em nada da B; apenas recorre à nomenclatura. Vamos à ultima.
06. Remetem às fases da forma prototípica da sequência dominante no texto
A) constatação inicial, problematização, resolução e conclusão-avaliação .
B) ancoragem ou afetação, aspectualização e relacionamento.
C) situação inicial, complicação, ações, resolução e situação final.
D) premissas, argumentos, contra-argumentos e conclusão .
A resposta certas e a “D”. Huuummm… É a única que dá para aceitar das seis, embora “aspectualização” seja um desses complicômetros universitários que não servem nem para catar cocô. É só o fácil falar difícil, na suposição de que as palavras de que dispõe a língua são insuficientes para traduzir o que essa gente tem a dizer. Mas convenham: no conjunto da obra, esse é o menor dos males.
A isso estamos reduzidos. No post lá do alto, vocês vêem a miséria que fizeram num vestibular da Universidade de Brasília. Aqui, o proselitismo intelectual vigarista não poupa ninguém: Reinaldo Azevedo ou Camões! Ele está morto, não fala. Eu falo e chuto o traseiro desses pilantras.


Por Reinaldo Azevedo





Fonte: Veja

quarta-feira, 15 de junho de 2011

ANEDOTA NÃO FALA A LÍNGUA DO POVO

- Em defesa da educação neste dia 12 de junho -

                                                                             Por: William Lopes Guerra

   Os Críticos que não leram o livro Por uma Vida Melhor, demonstram em suas investidas de mal-entendidos que realmente há preconceito em relação àqueles que falam o português informal, escrevem tal qual como falam e, querem os eruditos, apenas eles como donos da verdade lingüística.
              


               Faz muito tempo, escutei essa anedota e a gravei para sempre: “Rui Barbosa, chegando à margem de um rio, viu um canoeiro que cuidava do seu ofício fumando um cachimbo decrépito, indagou: Ó costa d’Africa, quanto queres em remuneração para transportar-me deste Pólo àquele Hemisfério? O pobre homem, que com uma humilde cuia retirava água acumulada no fundo da modesta embarcação, deslocando o cachimbo da boca, retorquiu interrogando: “Cuma?”. O Doutor em Português ficou furioso, jurisconsulto que era, rematou: Se tomo-o por ignorância eu te redimo. Mas se zombas de minha alta prosopopéia, dar-te-ei com o cabo da minha bêngala no alto da tua massa cefálica, e te reduzirei mais baixo que o solo pátrio. O canoeiro, recolocando o cachimbo, ajeitando o chapéu, saiu remando sua canoa riu acima, dizendo: Num cabe esse povo todo na minha canoa, não senhor!
            Denota-se, assim, que o grande Gramático não usou da línguagem que o homem do interior, ou matuto, conhecia. Sua alocução formal e de alto nível, deveria ser empregado com aqueles que a entendessem. Poucos, por mais letrados que sejam, entenderiam o que dissera o nosso Águia de Haia, diante de um homem rude do campo. Claro que pretendia ser levado na embarcação de uma margem a outra. Só. Mas seu palavreado assustou o seu interpelado.
         O livro acima mencionado, abordado nos últimos dias com enxurrada de críticas apressadas, trata-se apenas de uma orientação aos estudantes de uma faixa etária já bem avançada, e que não tiveram oportunidade de estudar desde os primeiros ensinamentos mais elementares. Ou seja, ainda não estão habituados com o vernáculo, um português castço, por isso mesmo têm que ser orientados com uma linguagem à altura de sua assimilação. Como vou chegar para um agricultor que jamais foi à escola, e falo igual a quando estiver ministrando uma palestra para doutorandos? Ou vice-versa?
         E isso é o que traz o livro criticado, e que não fora lido pelos críticos de primeira hora.
         Ora, se uma pessoa que não tem o domínio da língua, acostumado a falar entre pessoas do mesmo nível, diz: “Eu vi “os livro” na estante”, e dizem que não há problema em falar assim, não se está ensinando errado. Primeiro eu entendi o que o outro quis dizer. Segundo a situação em que tal interlocutor está se expondo, diz muito de como pode ser interpretado. No caso, em sendo um lingüista de renome, ou outro acurado estudioso da gramática, tudo nos levaria a crer que se expressava erradamente, mas como fora alguém que ainda não se aprofundara no aprendizado, sequer conhece os princípios da Língua, não há como dizer que falou incorretamente.
         Considero casos dessa natureza uma argumentação à base do português informal, portanto admissível. Isso não quer dizer que se ensine errado a um aluno. Nem é o caso do livro tão injustamente massacrado. Aliás, certos analistas, ao se expressarem na contundente reprovação da obra dos escritores Heloisa Ramos, Cláudio Pazzoni e Mirella Laruccia Cleto, ficaram tão empolgados que erigiram essas pérolas: “Quando eu ‘tava’ na escola”, “A Língua é ‘onde’ nos une”, “Onde ‘fica’ as leis de concordância!” – Até nos faz rir, pois estão lá, nos jornais...
         No mesmo livro há a defesa da norma culta, naqueles momentos em que se tem que ser usada, e em certos casos devem-se usar outras variantes, como a popular, de acordo com o contexto específico. Ninguém vai dizer que falar e ou escrever fora do padrão lingüístico deva ser correto, mas tudo depende do agente que está se passando por receptor e, especialmente, aquele que está passando a mensagem.
         Mesmo assim, como existem os que criticam o livro feito e distribuído a 4.236 escolas para serem entregues a 485 mil estudantes distintos, também há os defensores. E tudo nos leva a crer que a tempestade em copo d’agua feita, volta à calmaria, as críticas viraram fumaça.
         Fica-nos a lição da anedota que tem como personagem principal o lendário e polêmico Rui Barbosa, que brilhou em Haia, mas ficou catando cavaco com a atitude do humilde canoeiro.

Boa música...

Reflitamos...

O médico conversa descontraído com o enfermeiro e o motorista da ambulância, quando uma senhora elegante chega, e de forma ríspida, pergunta: 

- Vocês sabem onde está o médico do hospital?


Com tranquilidade, o médico responde:


- Boa tarde, senhora! Em que posso ser útil?


Impaciente, a mulher indaga:


- Será que o senhor é surdo? Não ouviu que estou procurando pelo médico?


Mantendo-se calmo, contesta ele:


-  Senhora, o médico sou eu. Em que posso ajudá-la?


- Como?! O senhor?!?! Com esta roupa?



- Ah, senhora! Desculpe-me! Pensei que a senhora estivesse procurando um médico e não uma vestimenta...



- Oh! Desculpe, doutor! Boa tarde! É que...vestido assim, o senhor nem parece um médico...



- Veja bem as coisas como são... - diz o médico - ... As vestes parecem não dizer muitas coisas mesmo... Quando a vi chegando, tão bem vestida, tão elegante, pensei que a senhora fosse sorrir educadamente para todos, e depois daria um simpaticíssimo "Boa tarde!"  Como se vê, as roupas nem sempre dizem muito...






[Desconheço a autoria]

terça-feira, 14 de junho de 2011

FÓRUM POTIGUAR DE ESCOLAS LEITORAS

Trabalhadores em Educação dizem NÃO a proposta do governo e a greve continua




Reunidos em assembleia na tarde desta terça-feira (14) na E E Winston Churchil os trabalhadores em educação deliberaram pela continuidade do movimento paredista.

De acordo com Janeayre Souto, diretora de Organização do SINTE, logo no inicio da assembleia a direção do sindicato recebeu um documento do governo do estado, documento que foi lido e apreciado pela categoria. Ao final da assembleia a categoria definiu pela continuidade da greve.

Nessa assembleia foram tirados os seguintes encaminhamentos:

• Continuidade do Movimento Paredista;

• Próxima assembleia terça-feira (21), ás 8 horas, na EE Winston Churchil;

• A direção de o sindicato ser o substituto processual da categoria em duas ações judiciais: Buscar na justiça o pagamento da 25ª hora (o nosso PCCR, LC 322/06, diz que a jornada do magistério é composta de 30 horas = 24 em sala de aula + 06 horas de extra regência, só que muitos professores por causa de algumas disciplinas são obrigados a exercer uma jornada de 25 horas em sala de aula; A outra ação é através da justiça exigir que o estado aplique a nova jornada do magistério definida pelo STF. Aqui no RN essa nova jornada deve ser de 30 horas = 20 horas em sala de aula e 10 horas de extra regência;

• Todo apoio ao Movimento Fora Micarla de Souza;

• Unificar a luta com as outras categorias dos servidores públicos que se encontram em greve.

Os Trabalhadores em Educação do RN exigem que o governo apresente uma proposta que responda a pauta de reivindicação dos trabalhadores em educação em greve.



Fonte: http://janeayresouto.com.br

Pausa para refletir...

O texto abaixo recebi, hoje, de uma pessoa muito querida. Estou vivendo atualmente esse momento singular em que preciso deixar de ser rio e me transformar em oceano. Bom que temos pessoas especiais que nos ajudam a compreender o real valor desse momento e nos acompanham nessa travessia. 


Por isso vim aqui compartilhar com vocês, caros leitores, que também são, sem dúvida, especiais em minha vida.

Tenham um bom dia!




O rio e o mar 
Osho



Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano, ele treme de medo.

Olha para trás,para toda a jornada,
os cumes, as montanhas,
o longo caminho sinuoso
através das florestas,
através dos povoados,
e vê à sua frente um oceano tão vasto
que entrar nele nada mais é
do que desaparecer para sempre.

Mas não há outra maneira.
O rio não pode voltar.
Ninguém pode voltar.
Voltar é impossível na existência.
Você pode apenas ir em frente.
O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.
E somente quando ele entra no oceano
é que o medo desaparece.

Porque, apenas então,
o rio saberá que não se trata
de desaparecer no oceano.
Mas tornar-se oceano,
Por um lado é desaparecimento
e por outro lado é renascimento.