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terça-feira, 5 de março de 2013

Prefeito lamenta morte de secretário e decreta luto oficial de três dias



Os apodienses foram surpreendidos agora à noite, com a triste notícia da morte do secretário de Finanças do município, Roberto Morais (Abel ) que desde o início de fevereiro vinha com problemas de saúde e teve seu estado agravado nos últimos dias, quando precisou se submeter a sessões de hemodiálise.


O prefeito Flaviano Monteiro decretou luto oficial de 03 dias e ponto facultativo amanhã, nas repartições municipais e encontra-se muito abalado com a morte do companheiro de luta que o ajudou a construir um projeto do qual que não teve tempo de participar. “É uma perda muito grande para a nossa gestão, porque além de um profissional muito competente, ele era um amigo”, lamentou.

A morte de Abel, que era membro do PSB, partido do vice-prefeito José Maria, causou comoção em todos os secretários, especialmente em Paulo Viana, amigo pessoal do contador, que acompanhou suas últimas horas de vida. “É muito triste ver alguém que batalhou tanto com a gente para chegarmos onde chegamos e agora ele se vai sem poder participar da construção desse projeto” , emociona-se o secretário de saúde.

Ascom PMA

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Até quando?




Mais um jovem apodiense é vítima de acidente no trânsito. 

Enquanto isso, o descaso das autoridades com relação a essa realidade persiste inalterada, como se nada tivessem a ver com isso...

Enquanto isso, motociclistas, motoristas, ciclistas e pedestres brincam de transitar pelas ruas, desrespeitando a (já escassa) sinalização, as normas de trânsito e, sobretudo, desrespeitando a vida (a sua e a do outro), talvez por preferirem acreditar naquela falsa ideia do "isso nunca vai acontecer comigo"...

Enquanto isso nos preocupamos mais em saber qual carreata política tinha mais carros...

Enquanto isso, cá estamos a chorar a precoce partida de mais um de nossos entes queridos...

Até quando, Apodi? Até quando?


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Comunicar é Preciso


Morre Dom José Freire, bispo da era de ouro da Igreja



Morre Dom José Freire de Oliveira Neto, 83 anos, o segundo bispo filho da diocese, natural do município de Apodi, RN. Ele foi, inicialmente, auxiliar de Dom Gentil Diniz Barreto, e, depois, nomeado pelo papa, bispo da diocese de Mossoró. Governou a diocese durante 20 anos, de 14 de março de 1984 a 17 de outubro de 2004.

Dom Freire pertence à safra dos bispos de grandes ideais, que marcou a era de ouro da Igreja no Brasil. Na diocese, ele foi o bispo que escancarou as portas da Igreja para os leigos, criou as assembleias de pastoral, o planejamento participativo, reacendeu as pastorais sociais. Ele é da geração dos bispos militantes da Igreja Pós-Conciliar, tinha opções eclesiais claras e causas nobres, ao lado de brilhantes figuras no episcopado, como Aloísio Lorscheider, José Maria Pires, Hélder Camâra, Paulo Evaristo,  Eugênio Sales, Luciano Mendes e outros. O novo jeito de fazer e de ser Igreja, a partir das inovações libertadoras dos documentos pós-conciliares, alimentavam a esperança e o dinamismo pastoral dos bispos.  

Naquela época, 1984, ainda vivendo sob a  ditadura militar, havia no episcopado brasileiro, os bispos que optaram ficar do lado do povo, lutando  pelo resgate da democracia, por justiça social e pela liberdade de expressão. Dom Freire era um deles.

Iniciou seus estudos de padre no seminário de Santa Teresinha em Mossoró, depois continuou no Seminário de São Leopoldo, RS, e, concluiu com o mestrado em Ciências da Educação, com especialização em catequese, pela Pontifícia Universidade Salesiana, em Roma.

Era nostálgico e, ao mesmo tempo, divertido, escutar Dom Freire falando da sua bela história vocacional. Várias vezes, no seminário Santa Teresinha, nós, seminaristas, tivemos a oportunidade de escutá-lo: narrava com detalhes, desde o dia em que chegou de trem em Mossoró pra entrar no seminário menor, suas viagens de navio para São Leopoldo, sua relação de amizade com Sátiro e Américo, que, na época, também eram seminaristas. 

Estudando na Europa, Dom Freire continuou fiel ao modelo de Igreja das comunidades de base, povo de Deus. Vivia com o corpo na Europa e cabeça na Igreja da América Latina. Motivado pela primavera inovadora  que vinha do recente Concílio Vaticano II, Dom Freire ousou escrever sobre Catequese Renovada, que na época, causava um certo tremor e temor nos homens do Vaticano.

Voltando ao Brasil, foi referência nacional na área catequética, proferia  conferências nos regionais e dioceses de todo o país. Foi um dos redatores do documento oficial nº 26, "Catequese Renovada", da CNBB. Dom Hélder Câmara o estimava muito e o chamava de bispo da catequese. Penso que, a catequese no Brasil, especialmente no Regional Nordeste II, tem uma grande dívida com Dom Freire.

Cada um pode descrever características que identificam o episcopado de Dom Freire. Eu, também, tenho as minhas. Hoje, quando recordo a missa dominical das nove horas, na Catedral, transmitida pela rural, rapidamente vem a imagem de Dom Freire. Ainda criança, morando no sítio Bartolomeu, ouvia aquela voz: "meus irmãos e irmãs presentes na catedral de Santa Luzia e ouvintes de casa". 

Chegando em Mossoró pra estudar, passei a entender o porquê de algumas homilias do bispo terem um tom bastante social e profético. Ele denunciava as injustiças, falava ousadamente do descaso administrativo da secular oligarquia rosado; falava da corrupção que imperava/impera nos sistemas públicos. Ele portava no início do seu episcopado a identidade de um pastor, que carrega as dores e as angústias do povo, dos injustiçados, dos preferidos do Reino. Nos últimos anos do seu episcopado, pouco a pouco, ele se distanciou das questões ligadas aos problemas sociais, seu tom profético já não era mais o mesmo. Não sei o que houve. Talvez tenha sido consequência da idade e do peso do cajado. Pena.

Outra característica determinante no episcopado de Dom Freire foi o zelo pelas pastorais sociais: CEAPAC (Centro de Apoio a Projetos Alternativos Comunitário), CPT (Comissão da Pastoral da Terra) Cáritas, Pastoral da Criança, entre outras. Dom Freire entendia que, ser pastor em uma realidade, onde a maioria vive à margem dos direitos humanos básicos, não priorizar a pastoral social, seria como marginalizar na Igreja o próprio Jesus Cristo, ou seja, relativizar o tão sonhado Reino de Deus, revelado por Jesus nas Bem-Aventuranças de Mateus.

As vocações sacerdotais também são uma característica basilar no governo de Dom Freire. Ele dizia que "o seminário é a menina dos olhos do bispo". Sou fruto da sua época. Tínhamos no seminário, semanalmente, dois encontros sagrados com o bispo: na missa, terça-feira, às 6 da manhã e no terço das quartas-feiras, às 7 da noite. O pouco namorico que ainda tenho com Santa Teresinha é culpa de Dom Freire. Nunca vi tanto amor por uma jovem santa, como aquele de Dom Freire com Teresinha de Lisieux. Falava dela como que tivesse crescido e vivido, desde criança, ao seu lado. Conhecia tudo, desde a cor dos sapatos que Teresinha usava, até os tipos de transas que fazia no cabelo. Penso que toda Mossoró já ouviu, pelo menos uma vez, Dom Freire falando, por exemplo, expressões como: "Santa Teresinha, a doutora do amor" ou "Santa Teresinha dizia: quero passar o meu céu, fazendo o bem sobre a terra".

Olhando também os dois grandes amigos contemporâneos de Dom Freire, Mons. Américo e Pe. Sátiro, conseguimos ver algo parecido.  Se para Dom Freire, o seu maior xodó era Santa Teresinha, para Mons Américo, era Santa Luzia, e para Pe. Sátiro, São Francisco e Santa Clara, além de um afeto danado com Santo Agostinho e São João da Cruz. Precisaria perguntar a Sátiro, quem destes citados, ocupa o primeiro lugar.

Medo. Era a emoção que aflorava quando precisava conversar com Dom Freire. Eu nunca tive um bom português e, perto de Dom Freire, pior ainda. Ele era culto no clássico português. No seminário, quando havia reunião ou missa com ele, corrigia publicamente nossos erros gramaticais. Então, ficar calado era a melhor forma para não ser repreendido. 

Todavia, embora Dom Freire revelasse esse lado autoritário de ser, ele tinha também seu lado humano e afetuoso. Era gostoso viajar com ele, visitá-lo em sua casa. Saber escutar e compreensivo eram duas virtudes  que admirava em Dom Freire. 

Hoje, particularmente, agradeço ao Pai Criador por tudo o que Dom Freire fez por mim. Fui acolhido por ele no seminário, foi quem me ordenou padre em São Miguel. Logo após ser ordenado, mesmo sem experiência  suficiente, ele me confiou a responsabilidade de cuidar da formação dos seminaristas. Enfim, eterna gratidão ao nosso bom Deus, pelo bem que Dom Freire fez à Igreja de Mossoró e à sociedade em geral. 

Descanse em paz.



Mensagem a Dom Freire, escrita por Pe. Talvacy, a partir de algumas de suas memórias e vivências.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Luto no Palco (Por Mário Gerson)






Tristeza. É esse o sentimento externado por toda a categoria artística de Mossoró pela morte da atriz Ludmila de Melo Albuquerque, que faleceu na terça-feira, 15. Amigos, familiares, integrantes de grupos teatrais da cidade e admiradores do Pessoal do Tarará, grupo do qual fazia parte, estiveram no velório e acompanharam o sepultamento da artista, que aconteceu às 16h30 de ontem, 16, no Cemitério São Sebastião, Centro. "Ludmila faz parte de um grupo que ressuscitou o teatro de arena em Mossoró. É uma grande perda para a cultura local", lamentou, pela manhã, durante o velório na Capela de Perpétuo Socorro, o ex-presidente da extinta Fundação Municipal de Cultura, Gonzaga Chimbinho.

Durante todo o dia, o velório recebeu atores e atrizes que trabalharam ou acompanharam a carreira de Ludmila. "Certamente uma grande perda para a arte teatral, ela que era talentosa e que se iniciou no teatro, segundo me disse numa entrevista, depois de ver nossos ensaios", falou Nonato Santos, diretor do grupo Escarcéu.

Amigos externaram a dor da perda da atriz talentosa e pessoa especial. Por quase um minuto, todos os que estavam na capela aplaudiram-na, como num último ato. Alguém, da porta, ainda gritou: bravo!, fazendo menção a uma forma de elogio utilizada no teatro e as palmas continuaram, sob forte comoção. "Não sei como apresentaremos A Peleja do Amor no Coração de Severino de Mossoró sem a personagem Roxana. Existe uma grande tristeza em nossos corações e, sinceramente, ainda pensamos que tudo isso não seja verdade", comentou Antônio Marcos, um dos integrantes do grupo.

Na parte interna da igreja, cartões com a imagem da atriz e uma exposição fotográfica mostrando os principais momentos de sua carreira faziam parte das muitas homenagens que lhe foram prestadas durante todo o dia. Além das fotos, a roupa e a sombrinha que Ludmila usava na peça A Peleja do Amor no Coração de Severino de Mossoró também estavam expostas. Mesmo emocionado, Dionizio do Apodi, diretor do grupo e esposo da atriz, pediu palmas para Ludmila, que o acompanhou desde a fundação do grupo, em 2002. 

Entre os presentes, também estavam autoridades locais, como a prefeita do município, Maria de Fátima Rosado, o chefe de Gabinete da Prefeitura Municipal, Gustavo Rosado, além de Francisco Carlos de Carvalho, secretário da Cidadania e da vereadora Cláudia Regina. Todos lamentaram a perda da atriz. A direção do Teatro Municipal Dix-huit Rosado, por exemplo, afixou uma faixa de luto em um dos acessos ao prédio.


LUDMILA DE MELO ALBUQUERQUE — Nasceu a 12 de novembro de 1980. Vem de uma família que ama as artes. E foi com esse mesmo amor que abraçou, em 2002, um grupo de teatro que tem feito a diferença quando o assunto é popularizar a cultura ao maior número de pessoas, sem que estas tenham que pagar para isso.

Disciplinada, como bem lembrou a gerente de Cultura do município, Clézia Barreto, Ludmila se descobria no palco, onde encantava em personagens que marcaram a trajetória do grupo O Pessoal do Tarará.

Sua primeira participação veio com Sanduíche de Gente, texto do poeta Crispiniano Neto, encenado na Praça da Catedral e que ganhou a estrada do interior do Estado, para chegar a outros públicos. Com a peça O Inspetor Geraldo, inspirada na obra do dramaturgo russo Gogol, ela abrilhantou ainda mais seu caminho como atriz.

A coroação veio com o espetáculo A Peleja do Amor no Coração de Severino de Mossoró, onde se destacou nos palcos como Roxana, a amada de Severino. Interpretando essa personagem ganhou, em setembro de 2008, o prêmio de melhor atriz no XV Festival de Teatro do Rio de Janeiro.



O GRUPO — O Pessoal do Tarará foi fundado em 13 de novembro de 2002, em Mossoró (RN), com o objetivo de fazer um teatro popular, onde a experimentação, a ousadia e a qualidade pudessem estar sempre presentes. 

Sempre cuidadosos com o texto, com a forma e o aprimoramento constante, O Pessoal do Tarará é uma das mais representativas companhias de teatro da cidade, tendo recebido diversos prêmios, tanto no Estado quanto fora dele.

Além disso, possui um importante trabalho de integração sociocultural na comunidade onde está instalada a sede, a Baixinha. 

A partida de Ludmila Albuquerque deixa uma lacuna no cenário teatral da cidade e um espaço vazio no palco iluminado que sempre foi a bela história do grupo O Pessoal do Tarará.


(Matéria publicada no Jornal Gazeta do Oeste - 17/02/2011)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Apaga-se uma estrela no céu do teatro potiguar

Foi com grande surpresa e imensa tristeza que recebi, via twitter, a notícia do falecimento de minha amiga Ludmila Albuquerque, ocorrido, no final da tarde de hoje, em sua residência, no Bairro Boa Vista, em Mossoró.

Ludmila era atriz, integrante do grupo teatral O  Pessoal do Tarará e esposa do também ator Dionízio do Apodi.  Dona de talento e carisma indiscutíveis, em 2008, Ludmila merecidamente recebeu o título de melhor atriz no Festival de Teatro do Rio de Janeiro, com a personagem Roxana, na peça "A Peleja do Amor no Coração de Severino de Mossoró".

Sem dúvida, a cultura e a arte potiguar perdem muito do seu brilho com a partida dessa grande atriz e de luto fica o teatro e toda a sua magia. Perdemos uma grande artista, a nossa eterna Roxana, de sotaque nordestinamente acentuado, jeito meigo e sorriso sempre aberto . Perdemos uma grande amiga, mulher e ser humano.

Foi um grande prazer e aprendizado conhecê-la. Para mim, que sempre divulguei notícias sempre muito alegres de Ludmila e de todo O Pessoal do Tarará, é imensamente difícil falar sobre este momento. Difícil conter as lágrimas, mas precisava vir aqui prestar a minha homenagem a esta pessoa querida por quem sempre tive admiração, respeito e carinho.

Desejo de todo coração que ela tenha uma caminhada de paz rumo à outras jornadas que, acredito, virão. À família desejo muita força e resignação. O tempo é o senhor das coisas e só ele ameniza a dor de momentos como este.